Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 879 | página 12-13
| PALAVRA DO SACERDOTE| (continuação)

os profetas no reino de Deus, e vós serdes expulsos para fora” (Lc 13, 23-28).

Jesus Cristo retribuirá cada um segundo as suas obras

São Gregório Magno e Santo Agostinho comentam que se o Inferno tivesse um termo, então o Céu também deveria ter um. Porque se a ameaça não é verdadeira, então a promessa também não o é. E se a “falsa ameaça” não tem outra finalidade senão afastar as pessoas do mal, então a “falsa promessa” não teria outra finalidade senão atrair os bons para o bem. Como ninguém pode aceitar essa segunda afirmação, logo é preciso rejeitar a primeira e repetir, com a Igreja, que o Inferno é realmente eterno.

Outros textos bíblicos poderiam ser examinados para mostrar que não será reaberta a porta àqueles que foram expulsos do Reino, mas convém dar uma olhada nos pronunciamentos do Magistério. Na época em que se realizou o IV Concílio de Latrão (1215), havia alguns que negavam a eternidade da condenação à ‘fornalha ardente’. Para corrigir isso, o maior dos concílios da Idade Média ratificou solenemente que “Ele [Jesus Cristo] virá no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos, para retribuir cada um segundo as suas obras, tanto aos réprobos quanto aos eleitos. Todos eles ressuscitarão com seus próprios corpos, que agora levam, para receberem de acordo com suas obras, sejam elas boas ou más; para os últimos, castigo perpétuo com o diabo; para os primeiros, glória eterna com Cristo” (Denz. 429).

O Inferno para os que morrem em pecado mortal

Seria necessária uma colossal ginástica verbal para conseguir que perpétuo (perpetuam em latim) signifique algo finito. Se juntarmos o que Jesus disse expressamente, que alguns não serão salvos, com que o Magistério disse, que a punição dos condenados será perpétua, a conclusão lógica e inevitável é que algumas pessoas realmente sofrerão punição perpétua, junto com o diabo. O que significa claramente que o “tanque de fogo” não estará vazio.

Alguém poderia objetar que o Catecismo da Igreja Católica ensina que “é na esperança que a Igreja pede que ‘todos os homens se salvem’ (1Tm 2, 4)” (parágrafo 1821). Mas há uma grande diferença entre pedir que todos se salvem e esperar que o Inferno esteja vazio. Nós devemos rezar e esperar que muitas pessoas se salvem, especialmente aquelas que nos são próximas. Mas essa esperança não pode apagar a convicção de fé expressa em outro parágrafo do mesmo Catecismo: “A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, ‘o fogo eterno’” (CIC 1035).

Tudo fazer para salvar nossas almas da condenação eterna

Um inferno vazio desvaloriza a religião católica e deprecia as palavras de nosso Divino Redentor, que nos alertou muitas vezes para evitá-lo. Se suas palavras são meras ameaças sem execução, por que se preocupar e levar uma vida correta, se ninguém está indo para lá? A esperança de que o inferno esteja vazio não é uma miragem inofensiva, porque ela afasta as pessoas de uma prática séria da fé e desestimula que as pessoas façam apostolado para encorajar os outros a emendar de vida, voltar-se para Deus e ir para o Céu.

Ironicamente, a esperança otimista de que o inferno esteja vazio contribui muito para ajudar a enchê-lo. Santo Afonso Maria de Ligório, em seu livro Preparação para a Morte, escreveu:

“Um autor erudito ensina que a misericórdia de Deus mergulha mais almas no inferno do que a sua justiça; porque os pecadores, confiando imprudentemente na misericórdia, não param de pecar e são condenados”.

O que isso significa para nós? Que devemos estar vigilantes quanto ao cuidado de nossas almas. Que devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para evangelizar as pessoas que nos rodeiam. Que devemos rezar muitas vezes a Nossa Senhora: “rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”. E a melhor maneira de fazê-lo é rezar diariamente o terço ou, melhor ainda, o rosário inteiro.


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