Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 835 | página 16-17

| INTERNACIONAL |

UMA REVOLUÇÃO E NÃO APENAS TUMULTOS

John Horvat*

* O autor é vice-presidente da TFP norte-americana. Traduzido pela Redação.

Embora todos lamentemos a morte de George Floyd, cumpre reconhecer que os atuais distúrbios refletem não apenas más políticas de aplicação da lei ou injustiça “sistêmica”, mas uma sociedade em crise.
Além da deterioração moral, contribui para a violência o fato de as igrejas estarem vazias.
Quando as pessoas não têm noção de um Deus amoroso, Autor da Lei Moral que traz ordem à sociedade, suas vidas são privadas de significado, e elas buscam preencher suas apetências espirituais em artifícios como as drogas.

A violência e os tumultos que abalam os Estados Unidos colocam-nos diante de uma realidade dolorosa. Embora todos lamentemos a morte de George Floyd, cumpre reconhecer que os atuais distúrbios refletem não apenas más políticas de aplicação da lei ou injustiça “sistêmica”, mas uma sociedade em crise; cumpre reconhecer na origem de tudo isso um problema muito maior, do qual o racismo é apenas um sintoma. Referimo-nos a uma crise moral mundial, de proporções massivas, a qual preparou o caminho para a violência que se manifesta em todos os lugares; violência que não se resume a tumultos, mas empreende uma revolução para mudar os Estados Unidos e o mundo, com terríveis consequências para todos.

Os EUA em desmoronamento

A crise moral não é nova, muitos a denunciaram durante décadas em todo o Ocidente. A revolução sexual dos anos 60, por exemplo, desencadeou paixões desenfreadas que destruíram bons costumes, famílias, comunidades. Hoje a corrida louca pelo prazer destrói os indivíduos, questionando mesmo a noção de identidade. O que há de novo nessa crise é como ela está sendo intensificada com as ansiedades geradas pelo confinamento da população e a polarização das nações.

O que vemos agora mais do que nunca nos EUA é uma nação que se desmorona. Seu tecido moral, que mantém um país unido, está se desfazendo, restando tão-somente fragmentos reunidos com alguma aparência de normalidade. Esta situação prepara o caminho para uma revolução, evidenciando a triste realidade de que basta um evento inflamatório para que nações inteiras explodam no caos. A devastação provocada pelas medidas de combate ao coronavírus mostrou como se pode destruir muita coisa em pouco tempo.

A lei moral é essencial

Toda crise moral advém da recusa em cumprir uma lei moral normativa do comportamento humano. Isso pode acontecer quando as pessoas deixam de admitir uma noção objetiva do certo e do errado, e rejeitam os Dez Mandamentos como normas razoáveis para a vida. Quando a base para definir o que é certo ou errado se resume àquilo que se supõe tornar cada indivíduo feliz, as coisas começam a desmoronar e as sociedades caem facilmente na anarquia. A recusa em reconhecer uma lei moral levou grandes segmentos da sociedade a cair na decadência moral, abrangendo todos os grupos sociais, raciais, étnicos e de renda.

Transformando áreas em zonas de guerra

Por serem uma força destrutiva, as manifestações mais aparentes dessa decadência são encontradas em comunidades desfeitas. Não é por mera coincidência que o denominador comum presente em áreas de agitação e violência seja moral, e não racial. Em cidades decadentes, tanto quanto em áreas rurais dominadas pelas drogas, sempre encontramos a ausência de lei moral. Famílias desfeitas são comuns onde grassa a promiscuidade sexual irrestrita. Sem estruturas familiares sólidas, o crime e a violência dominam as comunidades.

Além da deterioração moral, contribui para a violência o fato de as igrejas estarem vazias. Quando as pessoas não têm noção de um Deus amoroso, Autor da Lei Moral que traz ordem à sociedade, suas vidas são privadas de significado, e elas buscam preencher suas apetências espirituais em artifícios como as drogas.

A regra é que nas áreas onde há falta de moralidade não há possibilidade de harmonia social, tudo pode acontecer, os atos mais brutais são praticados.

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