| VIDAS DE SANTOS |
Santo Aarão
Plinio Maria Solimeo
Primeiro Sumo Pontífice do povo hebreu, emprestava sua voz a seu irmão Moisés, para que este cumprisse sua extraordinária missão junto ao povo eleito.
Conforme o livro I das Crônicas (6, 1-3), Arão ou Aarão era bisneto de Levi e segundo filho de Amram e Jochabed. A primogênita era Maria, e Moisés o caçula. Pelo livro do Êxodo, sabemos que “Moisés tinha 80 anos, e Arão 83, quando falaram ao faraó” (Ex 7, 7).
Quando Moisés recebeu de Deus no Monte Horeb a ordem de voltar ao Egito para retirar o povo eleito, o grande profeta alegou que gaguejava, e por isso teria muita dificuldade de falar ao faraó. “O Senhor irou-se contra Moisés, e disse: ‘Eu sei que Arão, teu irmão levita, é eloquente; eis que ele sai ao teu encontro e, vendo-te, se alegrará no seu coração. Fala-lhe, e põe as minhas palavras na sua boca; e eu serei na tua boca e na dele. Ele falará por ti ao povo, e será a tua boca; e tu o dirigirás no que diz respeito a Deus’” (Ex 4, 10-17). Assim é Aarão introduzido no Livro Santo, pois nele nada há que fale de sua vida anterior.
Deus Onipotente se encarregara de transmitir seu desejo a Aarão: “O Senhor disse a Arão: ‘Vai ao encontro de Moisés no deserto’. E ele saiu-lhe ao encontro no monte de Deus, e o beijou. [...] Foram juntos, e congregaram todos os anciãos dos filhos de Israel. Aarão anunciou todas as palavras que o Senhor tinha dito a Moisés: e este fez prodígios diante do povo, o qual acreditou. E compreenderam que o Senhor visitava os filhos de Israel, e que tinha visto a sua aflição; e, prostrados, O adoraram” (Ex 4, 27-30). A gigantesca epopeia desses dois grandes homens estava prestes a começar.
As dez pragas do Egito
Moisés e Aarão voltaram ao Egito, para vencerem a teimosia do faraó e convencê-lo a permitir a saída dos judeus. Na gravura, Moisés converte seu cajado numa serpente.
Moisés e Aarão voltaram ao Egito. Para vencerem a teimosia do faraó e convencê-lo a permitir a saída dos judeus, operaram a série de milagres conhecidos como as dez pragas do Egito. Assim, sucessivamente, as águas se transformaram em sangue, mas isso não impressionou o faraó; uma multidão de rãs saiu do rio e invadiu até seu quarto de dormir, mas os magos, por meio da magia, as fizeram sair; Aarão estendeu sua vara, e uma infinidade de mosquitos caiu sobre os homens e os animais. Como desta vez os magos nada puderam fazer, “o coração do faraó endureceu-se”, e ele não cedeu. Em seguida foi a vez das moscas “molestíssimas sobre as casas do faraó e de seus servos, e sobre a terra do Egito”. O potentado egípcio pediu então a Moisés que oferecesse sacrifícios no deserto para aplacar a Deus. Isso feito, as moscas desapareceram, mas o coração do faraó endureceu-se de novo, e ele não deixou o povo hebreu partir.
Depois veio a quinta praga, com a peste dos animais; a sexta, com as úlceras nos homens e animais; a sétima, com o granizo; a oitava, com os gafanhotos que devoravam tudo; a nona, com trevas tão densas que “um não via o outro”; e finalmente a décima e última praga, com a morte de todos os primogênitos dos homens e dos animais, de maneira que “não havia casa onde não houvesse um morto”. Desta vez o faraó se curvou e permitiu que os hebreus saíssem da terra do Egito.
É muito conhecida a Passagem do Mar Vermelho e tudo o que se lhe seguiu.
Durante os 40 anos no deserto, Moisés e Aarão estiveram quase sempre juntos, pressionados pela mutabilidade constante dos hebreus. Para atendê-los, os dois irmãos obtiveram de Deus que a água do mar se tornasse água doce; que surgissem codornizes para lhes saciar a fome; e que o maná (prefigura da Sagrada Eucaristia) caísse do céu. Fizeram também sair água do rochedo de Horeb, obtiveram-lhes a vitória sobre os amalecitas, e por fim Moisés lhes deu o Decálogo, para conduzi-los à vida eterna.
Foi absurda e desedificante a atitude de Aarão no episódio do bezerro de ouro. Enquanto Moisés falava com Deus no Monte Sinai e recebia as Tábuas da Lei e todas as disposições relativas ao culto do Senhor, o povo “de dura cerviz”, vendo que ele demorava a descer, pediu a Aarão que lhes fizesse “um deus que marche à nossa frente” (Ex 32, 1), injuriando assim todos os benefícios e a aliança estabelecidos com eles pelo Deus verdadeiro. O irmão de Moisés não
Estátua de Aarão – Nicolas Cordier (1567-1612). Basílica de Santa Maria Maggiore, Roma.
Moisés e Aarão diante do faraó – Gustave Doré (1832–1883). Gravura da Bíblia Ilustrada.