| CAPA | (continuação)
o homem à revolta contra a ordem posta por Deus no universo e a sonhar com uma utopia anárquica, na qual coexistam a plena igualdade e a plena liberdade. Dessas tendências profundas de rebeldia — expressas em mil aspectos da vida quotidiana, nos ambientes e costumes de uma sociedade — emergem depois ideias revolucionárias, que as justificam e preparam os espíritos para uma mudança na situação concreta dos fatos. Tal mudança pode ser súbita e radical ou lenta e gradual, dependendo do estado de apodrecimento moral e religioso daquela sociedade. Em outros termos, aquilo que após Antonio Gramsci vem sendo chamado de Revolução Cultural, é de longe o fator mais importante do processo revolucionário, sem o qual a Revolução nas ideias e nos fatos não poderia se desenvolver ou fracassaria.
O que procuram as forças coligadas dos maus — às vezes, com o sacrifício de seus próprios interesses — é afastar as almas de Deus e conquistá-las para o demônio, assim como a construção de um mundo cuja desordem e vulgaridade sejam uma ofensa contínua ao divino Criador.
O antimaçonismo primário desconhece essa realidade mais profunda do processo revolucionário, e leva seus adeptos a pensar que ele resulta tão-só das más ideias espalhadas na sociedade e das manobras políticas de grupos de pressão ocultos. Outra diferença fundamental reside em esse antimaçonismo primário acreditar que a finalidade última desses lobbies é apenas conquistar um poder absoluto, para submeter toda a população a uma escravidão universal e obter assim para si grandes riquezas e uma situação privilegiada.
Na realidade, como vimos acima, o que procuram as forças coligadas dos maus — às vezes, com o sacrifício de seus próprios interesses — é afastar as almas de Deus e conquistá-las para o demônio, assim como a construção de um mundo cuja desordem e vulgaridade sejam uma ofensa contínua ao divino Criador. Dessa diferença abissal entre uma visão religiosa e moral do processo revolucionário, de um lado, e de outro essa visão laica e exclusivamente política, resulta total disparidade no foco da atenção e nas hipóteses de interpretação dos fatos.
A “crise do coronavírus” à luz da conjuração anticristã
Está hoje provado que as projeções da Organização Mundial da Saúde e do Imperial College sobre o eventual número de vítimas da Covid-19 resultaram de modelos matemáticos falhos baseados em índices exagerados da letalidade do vírus.
A crise gerada pela difusão do vírus Sars-Cov-2 a partir de Wuhan é um bom study case (exemplo didático) para se ver na prática a diferença entre a visão católica e contra-revolucionária da ação dos agentes da Revolução e a visão laica e simplória de alguns adeptos do antimaçonismo.
Está hoje provado que as projeções da Organização Mundial da Saúde e do Imperial College sobre o eventual número de vítimas da Covid-19 resultaram de modelos matemáticos falhos baseados em índices exagerados da letalidade do vírus. Já estamos quase no fim de sua difusão, e o número global de mortos é cinco vezes inferior às previsões menos alarmistas, não havendo indícios de uma segunda onda expansiva.
É voz comum que o estrondo publicitário feito em torno dessas previsões apocalípticas provocou pânico na população, levando a imensa maioria dos governantes a tomar medidas drásticas de confinamento para não serem estigmatizados como irresponsáveis, quando não genocidas.
A brusca e prolongada redução da atividade econômica já mostra efeitos desastrosos, como o desemprego e o soçobro de milhares de empresas, requerendo uma intervenção massiva do Estado na economia. Enquanto isso se alegram a esquerda e os ecologistas, que aproveitam para exigir que os planos de resgate sejam condicionados à aceitação de um novo modelo de desenvolvimento sustentável. Igualmente, os defensores de uma governança mundial apontam para o fato de que somente uma resposta solidária e global poderá resolver uma crise global. Em outras palavras, o grande beneficiário da “nova normalidade” é a Revolução anticristã. Seus corifeus sempre sonharam com uma República Universal, cujos contornos foram mudando com o tempo, e agora são apresentados como uma sociedade aberta, multicultural, socialista e ecológica.
O “conspiracionismo” simplista fixa sua atenção na suspeita de que o vírus teria sido produzido intencionalmente em um laboratório de Wuhan, como parte de um programa de fabricação de armas biológicas, ou que pelo menos teria escapado de lá após uma manipulação errada; desenterra estudos de antecipação de crise ou romances de ficção científica, evocando medidas estritas de distanciamento social em caso de nova pandemia, os quais provariam que os governantes responsáveis por sua aplicação não fizeram senão obedecer a um plano pré-estabelecido; conjectura que o objetivo prioritário das mudanças é impor a vacinação obrigatória da população mundial em benefício do BigPharma; concentram-se na preparação para a inserção subcutânea, em todo o gênero humano, de microchips coletores de informações, a fim de transformá-los em zumbis de uma Nova Ordem Mundial.
Mas uma visão católica da conjuração anticristã que promove essa imensa manobra de engenharia social e de baldeação ideológica tem observações e conclusões muito diferentes dessa caricatura laica e simplória. Uma visão autenticamente contra-revolucionária procura, em primeiro lugar, esquadrinhar as causas culturais