| ENTREVISTA | (continuação)
Não notaram porque os supermercados tinham comida e as pessoas continuavam dirigindo seus veículos. Muitos se iludem, dizendo que isso não acontecerá no Chile. Que garantias há de que isso não vai acontecer aqui?
Não há garantia! Eu não entendo as pessoas que dizem isso. Fico impressionado com a violência do movimento revolucionário chileno. Na Venezuela, nunca uma igreja foi queimada, enquanto aqui dezenas já foram. O movimento estudantil revolucionário tem ódio e ressentimento nunca vistos na Venezuela antes de Chávez. Ele semeou o ódio, mas antes dele não havia o que se vê agora no Chile. Por tudo isso, parece-me que se a revolução triunfar aqui, a violência será ainda muito maior do que na Venezuela. E não vejo como alguns possam afirmar que aqui não será assim. O que se vê nos agentes revolucionários chilenos é ódio, uma loucura muito maior do que na Venezuela antes de Chávez.
O senhor acredita que a crise daqui será mais grave do que na Venezuela?
Isso mesmo! Não é muito difícil produzir no Chile o que os comunistas e marxistas sempre produziram por toda parte, inclusive com Allende. Para se acabar com o Chile basta controlar a água de irrigação. Todos os marxistas já disseram que vão acabar com os direitos à água. Girardi manifestou isso, foi a primeira coisa que ele disse quando afirmou que haveria um acordo para uma nova Constituição: “Os direitos de propriedade sobre a água terminarão”. Eu penso que esse é o caminho pelo qual a agricultura chilena será destruída e a população submetida à tirania totalitária. Destruir toda a ordem existente na distribuição de águas para destruir assim a agricultura e a produção de alimentos.
Professor, o senhor acredita que a ideologização de nossos estudantes será ainda pior que a ocorrida na Venezuela?
Na Venezuela havia movimentos estudantis marxistas, mas sua representatividade era insignificante, ninguém prestava atenção neles. Quando Chávez venceu, os estudantes reagiram. No governo de Chávez, a maioria dos centros estudantis eram católicos. Daí a Resistência na Venezuela, um movimento que se opôs à tirania de Chávez com uma bravura impressionante.
Quem são os estudantes que atuam no Chile? Toda a organização dos atiradores e a primeira linha, tudo é cópia da Resistência venezuelana. A diferença é que a Resistência lutou contra a tirania. Os estudantes venezuelanos enfrentaram soldados armados que atiraram para matar ou para prender. A maioria dos membros da Resistência foi presa e enviada para campos de trabalho ou reeducação. Em vez disso, os estudantes chilenos que lutam para impor a tirania são considerados heróis pelo Congresso e protegidos por Bachelet, enquanto a polícia é impedida de agir, humilhada, caluniada. Eis a diferença radical!
Parece que houve uma espécie de lavagem cerebral em faculdades e universidades daqui. Quando se tenta conversar com os alunos, há inicialmente uma resistência muito forte. Assim que se consegue dialogar com eles e lhes explicar algumas coisas fundamentais, sua maneira de perceber a realidade começa a mudar. Mas a maioria dos estudantes chilenos não tem essa oportunidade. São submetidos a um processo de ideologização.
É por isso que se ouvem alunos falar com toda tranquilidade em querer matar, querer armas. Isso é o que vem semeando, por exemplo, o Prof. Fernando Atria: ódio, e ódio homicida. Ele escreveu: “A solução cristã é morrer pela verdade, mas a solução política é matar pela verdade”. Também escreveu que a elite chilena é uma oligarquia estrangeira; equivalente, portanto, a um dominador estrangeiro, e que devemos fazer guerra contra ela.
O advogado Atria argumenta que devemos nos inspirar em outras constituições, e também chama a Bolívia de nação plurinacional. O que o senhor pensa disso?
Isso está de acordo com o que ele prega sobre como deve ser a Assembleia Constituinte, ou seja, não deve respeitar norma alguma, seja moral, religiosa ou tradicional. Na verdade, um truque de marxistas para violar todas as normas, pois no Chile não há mais nacionalidades indígenas. Os mapuches são chilenos, não são mais índios do século XVI. São marxistas doutrinados, nada têm a ver com os antigos índios mapuches.
Como venezuelano, o senhor deve ter notado que o fenótipo humano chileno é muito homogêneo. O chileno de hoje é mistura de sangue espanhol e mapuche. Portanto, não existem raças diferentes.
Há aqui uma miscigenação. Essa ideia de nacionalidades, que os comunistas querem impor, na realidade é uma máscara de rejeição à tradição cristã no Chile. É o que Fernando Atria deseja. Mas isso não é algo original dele. Hitler, para destruir a tradição cristã da Alemanha, apelou para o passado pagão dela, coisa típica de movimentos totalitários. Uma razão a mais para se temer que pessoas como Atria conduzam um movimento constituinte.
Significativo nesse sentido é a destruição de todas as estátuas dos heróis nacionais, dos fundadores do Chile, como a de Pedro de Valdivia. É apagar a história chilena, de modo especial a história de sua civilização cristã.
Violaram o hino, violaram a bandeira, violaram os heróis, todos os símbolos. Eles não são chilenos, são inimigos do Chile. Hannah Arendt, no livro chamado As origens do totalitarismo, diz que o movimento totalitário se comporta como conquistador estrangeiro no infeliz país que consegue controlar. Se chegarem ao poder, nos tratarão como conquistadores estrangeiros. É por isso que matam à direita e à esquerda, não tenho dúvidas sobre isso. E é também por isso que afirmo ser a Constituição a única barreira, a única garantia, o único muro a nos proteger dessa loucura.
Na direção oposta, a formação liderada por Bachelet argumenta que haverá confronto se uma nova Constituição for rejeitada, devido ao grande desejo da população de uma nova Constituição.
A ex-presidente Bachelet insinua que se não houver uma nova Constituição haverá confronto.
Observe que era mínimo esse desejo antes de 18 de outubro [marco do desencadeamento dos protestos violentos, com vândalos saqueando tudo que encontravam pelas ruas da capital chilena]. Depois foi feita uma grande campanha para impor essa ideia à população e as pesquisas indicaram um apoio majoritário para mudar a Constituição. Mas esse quadro vem mudando, a cada dia, pois partiu de um resultado totalmente artificial. Esta é a razão pela qual a Cadem não fará mais pesquisas.
Como é que nós, sem nenhuma ruptura violenta, vamos aceitar que seja decretada uma revolução? Se eles querem fazer a revolução, deixe-os fazê-la à força, como diz Bachelet. Perfeito. Seja liberada a força, e eles encontrarão o Chile pronto para se defender. Até agora ele não se defendeu, e por isso sofremos. O Executivo se comportou de maneira covarde, se não traidora. Há pessoas no governo que são traidoras. Mas se a mudança da Constituição for rejeitada e essas pessoas lançarem a violência, encontrão chilenos dispostos a lutar. Se quiserem uma revolução, deverão fazê-la de frente, e não tentando enganar o povo para depois matá-lo.