Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 832 | página 04-05
| EDITORIAL |

Após criar o homem à sua imagem e semelhança, Deus ordenou: “Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais e sobre toda a terra [...]. Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a [...]. Eis que Eu vos dou toda a erva que dá semente sobre a terra, e todas as árvores frutíferas que contêm em si mesmas a sua semente, para que vos sirvam de alimento” (Gen. 1, 26-29).

Em virtude da missão conferida por Deus aos homens, cabe-lhes aproveitar a natureza para o próprio bem, o sadio progresso da humanidade, o esplendor da civilização, e sobretudo para a glória de Deus. Essa ordenação da natureza, divinamente estabelecida, coloca os seres racionais na posição de reis da criação, e não no mesmo nível dela; ou até, como insistem alguns, em nível inferior. Esse “reinado” não importa em afirmar que o homem é o destruidor da natureza, como dizem os “ecoterroristas”, mas sim que ele age como um jardineiro que lhe aperfeiçoa as maravilhas e faz o devido uso delas.

Mas os agentes do movimento ecologista radical parecem ignorar ou desprezar as palavras divinas, pois negam o reinado do homem sobre a natureza e seu domínio sobre todas as coisas criadas. A matéria de capa desta edição comprova que os ecologistas radicais — assim como os “teólogos” da libertação, adeptos de uma “teologia ecológica” de uma “nova religião” — atuam para inverter essa ordem natural das coisas, desejada e implantada por Deus; acusam os homens de intrusos e predadores da natureza; e propalam que deveríamos todos viver como silvícolas, e nos comportar como seres inferiores aos animais e vegetais; outros, ainda mais radicais, apregoam até a extinção do homem, do progresso e da civilização.

O leitor conhecerá também como o movimento ecológico radical, negando evidências científicas e produzindo fraudes, pretende implantar uma ditadura ecológica anticivilizatória. Poderá ainda avaliar “profecias” alucinantes de ecologistas radicais, que não se cumpriram. Os “profetas” do catastrofismo estão sendo desmascarados e desacreditados por numerosos cientistas renomados. Aplicam-se a tais catastrofistas as palavras de Abraham Lincoln: “Pode-se enganar todos durante algum tempo; pode-se enganar alguns durante todo o tempo; mas não se pode enganar todos durante o tempo todo”...


P.04-05 | PALAVRA DO SACERDOTE |

Bispos e sacerdotes podem proibir a comunhão na boca?

Padre David Francisquini

Pergunta — Devido à ameaça de epidemia do coronavírus, o bispo da minha diocese impôs que a Sagrada Comunhão seja distribuída exclusivamente na mão dos fiéis, e não mais na boca. Chama-me a atenção que, no mesmo comunicado, proíbe-se o costumeiro aperto de mão na saudação da paz. Se o contato com a mão transmite o vírus, seria lógico proibir também a comunhão na mão, porque o padre poderia estar contaminado, não é? Essa contradição me leva a suspeitar que alguns bispos estejam querendo aproveitar a crise sanitária para tentar acabar com a distribuição da comunhão na boca, que é o modo tradicional. Há muitos anos sou “mal visto” por vários sacerdotes, por não receber a comunhão na mão, e tenho sido interpelado algumas vezes para “fazer como os demais”. Esses padres alegam que na Igreja primitiva se comungava desse jeito, e que o fato de não se permitir aos fiéis tocar na hóstia, como se fazia antes, estabelecia uma distinção excessiva entre os leigos e o clero, dando a entender que os padres eram virtuosos e os fiéis eram pecadores. Gostaria de saber se isso é verdade, e qual é a legislação da Igreja sobre a distribuição da comunhão.

Resposta — O Concílio de Trento declarou que o costume de o sacerdote celebrante comungar de suas próprias mãos, e depois distribuir a hóstia aos fiéis, é uma tradição apostólica (sess. 13, c. 8). São Basílio (330-379) informou que só era permitido receber a comunhão das próprias mãos em tempos de perseguição ou no caso dos monges do deserto — ou seja, quando não havia nem sacerdote nem diácono para dar a comunhão (Carta 93). Com a paz de Constantino essa exceção acabou, pois foi permitido à Igreja sair das catacumbas. Provavelmente isso era desrespeitado em alguns lugares e cometiam-se abusos, porque no ano 650 o Concílio de Rouen definiu: “Não coloques a Eucaristia nas mãos de um leigo ou de uma leiga, mas unicamente na sua boca”.

De fato, à medida que a Igreja foi tomando

Concílio de Trento – Anônimo, séc. XVI. Museu do Louvre, Paris.

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