Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 800 | página 18-19

“Catolicismo tem como finalidade comunicar aos elementos hoje esparsos, e por causa disso pouco atuantes, o entusiasmo e a coragem que toda organização bem orientada confere a seus membros”

(continuação)

Em primeiro lugar, o que é o homem moderno? Antigamente se entendia como homem moderno quem era favorável a todas as transformações que o mundo sofrera desde a Revolução Francesa até nossos dias; e, mais ainda, favorável às mudanças que o mundo sofreria mais tarde, segundo se pressentia, em virtude da persistência dos princípios da Revolução Francesa na ponta da propaganda internacional.

É ainda esse o conceito de homem moderno, hoje em dia? Não me parece claro. Por exemplo, 30 anos atrás, ser monarquista era tido por antiquado, considerava-se moderno ser republicano. Atualmente não é mais assim. Vemos pessoas reputarem as restaurações monárquicas como sendo o auge da modernidade. É característica nesse sentido a volta da monarquia na Espanha. Então, o homem moderno é monarquista ou republicano? Também não se tem elementos claros para saber.

De outro lado, o homem moderno, o cidadão do mundo de hoje, já passa por antiquado para outro tipo de homem que vai surgindo; para os ecológicos e os verdes, por exemplo, um burguês comum é antiquado quase como um troglodita, como seria antiquado um entusiasta da monarquia de Luís XIV no ano de 1950.

É preciso, portanto, definir os conceitos para podermos conversar sobre o assunto. Pois se se entende por homens modernos aqueles que vivem hoje em dia, então moderno tem o mesmo sentido de hodierno. Para esses homens, a palavra Catolicismo tem sentidos variados, de acordo com os matizes psicológico, mental e ideológico de cada um deles.

Para alguns representa a Igreja de sempre, a verdadeira, única e santa Igreja Católica Apostólica Romana, com sua doutrina fixa, imutável, hoje combatida por inimigos não só externos, mas também internos. É a acepção que tem para muitos católicos, entre eles os da revista Catolicismo.

Para outros, Catolicismo representa uma igreja inteiramente em evolução, eu diria em fase de destruição, um outro poderia dizer em fase de autodemolição, segundo a famosa expressão empregada por Paulo VI. Portanto, neste sentido, Catolicismo seria como um bólido solto pelas vias da História, em contínua transformação, sofrendo mudanças que seriam mais radicais ou menos segundo a mentalidade de cada um.

A respeito desta última noção do que seja Catolicismo, cabe uma observação. O que pensar de uma religião católica em perpétua transformação? Que se trata de um catolicismo relativista, com tudo quanto ele representa, ao mesmo tempo, de destruidor e de arruinado, tendente por fim a se dissolver. Dele se pode pensar tudo, menos que seja verdadeiramente sério como ideologia e como doutrina. Aliás, a própria palavra ideologia é muito mal-empregada quando se trata de assuntos de Fé. A Fé católica não é uma ideologia; é uma Revelação feita por Deus ao homem, e que um Magistério instituído pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo e revestido do carisma da infalibilidade — sobretudo naquele que é o ápice desse Magistério, o Papa, ensina com as garantias de verdade que a infalibilidade traz consigo.

Catolicismo visa atuar junto às pessoas que têm ideias afins, ou então simpatizam com as que são defendidas pela revista, levando-as a lutar por pontos de vista que têm em comum conosco”

Catolicismo — Que perspectivas o senhor vê para o futuro da revista, nesta época em que os valores por ela defendidos parecem ir desaparecendo?

Plinio Corrêa de Oliveira — Catolicismo não é tanto uma revista que se destine a transferir para o seu próprio campo os leitores que não concordam com ela, quanto de obter outros resultados.

Em primeiro lugar, atrair e aglutinar as pessoas de mentalidade idêntica a ela, que se encontram esparsas mais ou menos por toda parte, mas em condições minoritárias. Trata-se de transformar essa minoria, aparentemente insignificante porque constituída de elementos esparsos e sem coordenação, em uma minoria aglutinada, ordenada, estruturada. Isto representa para essa minoria um grande êxito, pois se poderá ver que ela é muito maior do que parece à primeira vista.

Em segundo lugar, Catolicismo tem como finalidade comunicar aos elementos hoje esparsos, e por causa disso pouco atuantes, o entusiasmo e a coragem que toda organização bem orientada confere a seus membros.

Por fim, Catolicismo visa também atuar junto às pessoas que têm ideias afins, ou então simpatizam com as que são defendidas pela revista, levando-as a lutar ativamente por esses ou aqueles pontos de vista que têm em comum conosco. Como se vê, trata-se aí da formação de uma considerável frente única, que pode depois ter resultados surpreendentes na vida nacional.

Com efeito, eu tenho observado que as teses sustentadas pela TFP são tidas por muitas pessoas como inviáveis; mas, desde que elas as considerassem viáveis no mundo de hoje, adeririam a essas teses com calor. A partir do momento em que nós sejamos uma minoria atuante e bem estruturada, seremos tidos como mais viáveis, e a partir desse momento veremos a adesão a nós como uma bola de neve que vai rolando em avalanche do alto da montanha: cada dia representaria novas incorporações ao movimento que nós constituímos.

Catolicismo — O senhor gostaria de acrescentar algo, tendo em vista a edição comemorativa de Catolicismo?

Plinio Corrêa de Oliveira — Sim, esse algo é apresentar a todos os leitores da revista, e naturalmente, a fortiori, aos que colaboram na direção e na confecção dela, as minhas felicitações muito cordiais e sinceras.

(continua)