Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 800 | página 12-13

800ª EDIÇÃO

Em 800 edições, Catolicismo jamais fugiu à luta

Sempre no bom combate pela causa católica, depositamos aos pés da Santíssima Virgem os 800 números deste mensário — em agradecimento pela indispensável proteção que nos concedeu no decurso do já longo passado de lutas — , e confiamos a Ela nossas futuras publicações, para que as bênçãos de Deus nunca se afastem desta revista, nem de seus beneméritos colaboradores e leitores.

Direção de Catolicismo

Com o presente exemplar, Catolicismo brinda seus leitores com o octogentésimo número de nossa revista! 800 edições sempre pautadas nos princípios perenes da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana; sempre relembrando as verdades cada vez mais esquecidas e denunciando os erros cada vez difundidos; sempre lutando mais ardorosamente em defesa da civilização cristã.

Mesmo enfrentando as questões mais polêmicas, nossa publicação não pactua com o comodismo do “politicamente correto” para agradar certa parcela da opinião pública. Nossa finalidade é a busca da verdade, norteada nos preceitos divinos; nossa resolução diante das leis humanas não é senão afirmar: “Não contradigam a Lei Divina as nossas leis”, como proclama o tradicional hino católico Queremos Deus.

Temendo somente a Deus, Catolicismo, desde sua primeira edição, em janeiro de 1951, nunca temeu defender a verdadeira doutrina da Igreja contra seus adversários; tanto os externos — como os socialistas e comunistas — , quanto os internos — os chamados progressistas, ou da esquerda católica, contaminados por ideias marxistas e adeptos da “Teologia da Libertação”, infiltrados nos meios católicos.

Em matéria socioeconômica, este órgão sempre foi um paladino do direito de propriedade, do princípio da livre iniciativa, do princípio de subsidiariedade, propugnados em documentos do Magistério pontifício.

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Mencionamos acima o ano de 1951. Mas, de fato, a origem de Catolicismo é anterior. Com efeito, nascida por iniciativa de Plinio Corrêa de Oliveira — seu principal colaborador até 1995, ano de seu falecimento — , nossa revista é uma continuação da luta travada por ele nas páginas do Legionário, de início uma simples folha mensal fundada em 1927 pela Arquidiocese de São Paulo e com a qual ele começou a colaborar a partir de 1929. Em 1933, após ser nomeado seu diretor, Plinio Corrêa de Oliveira, então deputado federal pela Constituinte, transformou aquela folha no prestigioso hebdomadário oficioso dessa mesma Arquidiocese, dirigindo-o até 1947. Desde então, até a fundação de nossa publicação em 1951, ele constituiu o “Grupo de Catolicismo”, formando uma equipe de redatores católicos contra-revolucionários.

O vínculo entre o Legionário e Catolicismo é incontestável, sendo reconhecido até mesmo pelos adversários. Eis, por exemplo, este depoimento insuspeito:

“Em inícios de 1951 o grupo de Plinio Corrêa de Oliveira funda um novo jornal, o Catolicismo. [...] Para se dar conta de como Catolicismo segue a linha do antigo Legionário, basta notar os títulos de vários artigos publicados sobre a Liturgia. São simplesmente textos traduzidos de documentos pontifícios, sobretudo da ‘Mediator Dei’. Pelos títulos, percebe-se o estilo polêmico [...]

“Podemos dizer com D. Isnard: ‘O Catolicismo repete o Legionário. Segue a linha do antigo Legionário. Isto é, prossegue na leitura dos documentos pontifícios sob o ponto de vista ‘condenador’, para combater o ‘Liturgismo’ (ou ‘liturgicismo’). [...] Como ponto positivo, ressaltaríamos a persistência com que este grupo continua a sua luta pela preservação da ortodoxia católica”. (José Ariovaldo da Silva, OFM, O Movimento Litúrgico no Brasil, Vozes, Petrópolis, 1983, pp. 328-330).

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Para a presente edição comemorativa do octogentésimo número de Catolicismo, nada melhor do que uma entrevista com seu próprio idealizador e sustentáculo, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, na qual diz, entre outras coisas, o que ele desejava deste mensário. Esta entrevista foi publicada em janeiro de 1991.

O trans-estilo de um homem e de uma revista

“O estilo é o homem”, observou o escritor francês Georges-Louis Leclerc, pondo assim em realce que a marca distintiva, única e inconfundível de uma produção artística — literária, musical ou outra — lhe advém de seu autor. Toda revista que se preze possui também, a seu modo, um estilo, decorrente de certa orientação geral, de uma inspiração que ela recebe.

Quem analisar detidamente a trajetória de Catolicismo encontrará nela um estilo — não apenas literário, mas que inclui a escolha de matérias, o modo de analisá-las, comentá-las, mesmo a paginação — , um trans-estilo se se preferir. Qual é ele? É natural que a revista reflita características e virtudes de seu inspirador, das quais nasce o trans-estilo da publicação.

Vir totus catholicus et apostolicus plene romanus (Varão católico, todo apostólico, plenamente romano) é bem um qualificativo que cabe a Plinio

(continua)

Legenda:
D. Duarte Leopoldo e Silva com a equipe do Legionário dirigida por Plinio Corrêa de Oliveira, à direita do Arcebispo.