Nosso Senhor Jesus Cristo não teve um sofrimento. Ele foi o Sofredor, Ele foi o Varão das dores. Considerando a vida d’Ele, percebemos que sofreu todas as formas de dor que pode um homem sofrer.
(continuação da página anterior)
santas de sofrimento, cada uma delas configura a alma humana com uma beleza própria.
Nosso Senhor Jesus Cristo não teve um sofrimento. Ele foi o Sofredor, Ele foi o Varão das dores. Considerando a vida d’Ele, percebemos que sofreu todas as formas de dor que pode um homem sofrer, o que deu ocasião para manifestar belezas insondáveis — as celestes belezas da dor! Ele foi triunfante do modo mais belo que se possa imaginar. Ele foi o mais glorificado, mas também o mais desprezado. O mais amado e o mais invejado. Ele reuniu em Si contrastes harmônicos inimagináveis.
Nosso Senhor possui em Si todos os graus e formas possíveis de perfeição, e portanto ama necessariamente todos os graus e formas possíveis de virtudes existentes.
Como não ter receio de se apresentar diante de Nosso Senhor?
Com essas considerações é possível ir formando a fisionomia moral de Jesus Cristo. Em cada traço da alma católica, da vida dos santos, pode-se imaginar como teria sido em Nosso Senhor. Depois convém verificar no Evangelho como de fato foi. Lendo a narração evangélica com amor, pensando nesses aspectos, faremos uma boa meditação.
Em nossos dias estabeleceu-se o princípio execrável segundo o qual quando existe uma pessoa muito elevada, muito galardoada, com muita grandeza, deve-se ter medo de ser desprezado por ela. Donde o receio de se apresentar diante de Jesus Cristo.
São Pedro, diante d´Ele, disse: "Afastai-Vos de mim, Senhor, porque eu sou um homem pecador". Como quem diz: "Entre Vós e mim não há congruência, não há continuidade, e não é possível espécie alguma de relação. Vós estais numa desproporção comigo a tal ponto, que diante de Vós o meu papel é sumir, é não existir".
Isto significa não compreender exatamente Nosso Senhor. Porque como Ele possui em Si todos os graus e formas possíveis de perfeição, ama necessariamente todos os graus e formas possíveis de virtudes existentes. Ele odeia o pecado, mas tudo aquilo que não é pecado, por pequeno e modesto que seja, é uma cintilação e uma expressão d’Ele, tem harmonia com Ele. Tal cintilação O encanta e n’Ele repercute em ternura e afeto.
É da ordem humana das coisas que amemos o grande porque é grande, e amemos o pequeno porque é pequeno. Exemplo: encantamo-nos vendo uma águia voando com toda aquela beleza, mas vendo um beija-flor, sorrimos, como que exclamando: "Que joia, que maravilha!". Ninguém imagina um "beija-florzão" gigantesco, assim como não se imagina uma águia pequenina.
Jesus Cristo odeia severamente o pecado, com total intransigência. Tendo todas as perfeições, Ele exclui todas as formas de imperfeições, mas ama o bem, mesmo nos menores graus. Ele criou também as almas com poucas qualidades, criou também os menos inteligentes. Assim, Ele se compraz em considerar uma pequena inteligência, pois ela participa da inteligência incriada!
Apresentar-se com suma confiança diante do Divino Criador
Se Ele ama todos os graus e formas de inteligência e de virtude, ama também os resíduos, ama os restos conspurcados, pisados no meio do vício, mais ou menos como uma flor que medrou no meio de uma porção de ervas daninhas.
Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto Cabeça da Igreja, não ama seus membros? Há no Antigo Testamento uma afirmação que me impressionou muito: "Não desprezes a tua própria carne". Ele haveria de desprezar uma alma que Ele próprio criou? Assim compreendemos que em presença de Jesus Cristo até o pecador, não considerado enquanto pecador, mas enquanto nele existindo resíduos de virtude, é digno do amor d’Ele.
Compreendemos por que tantos e tantos pecadores arrependidos se aproximavam d’Ele com confiança. Maria Madalena e o Bom Ladrão são exemplos disso. Em vez de ficarem aterrorizados diante d’Ele, encantaram-se.
O homem é ordenadíssimo a Deus, mas precisa do auxílio d’Ele para suportar a sua grandeza. Mais ou menos como o sol: fomos feitos para viver sob o sol, mas não conseguimos fixá-lo diretamente por longo tempo. Por isso Nosso Senhor velou suas qualidades durante sua vida terrena, e só aos poucos Se foi revelando aos homens
(continua na próxima página)
LEGENDAS:
- Detalhe do altar do Sepultamento de Jesus, Igreja da Caridade, em Sevilha (Espanha).
- Cristo Rei.