Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 783 | página 04-05
| EDITORIAL |

Carta do Diretor

Caro leitor,

Transcorrendo neste mês a Semana Santa, apresentamos como matéria de capa excertos de admirável conferência de Plinio Corrêa de Oliveira, proferida em 10 de fevereiro de 1976, na qual ele descreve de modo pungente os sofrimentos da Paixão de Nosso Senhor, ao analisar uma inspirada escultura de Cristo flagelado, coroado de espinhos.

É uma imagem do Deus humanado que ressalta os trágicos sofrimentos que padeceu. Os verdugos exerceram sua ação com especial furor para desfigurar aquele corpo sagrado, até que ficasse semelhante a uma enorme chaga.

A imagem é de tal realismo, que cabe a pergunta: como foi possível ao povo eleito por Deus rejeitar daquela maneira seu grande Benfeitor? Os judeus deicidas de então odiaram o Messias que lhes havia concedido favores e graças extraordinárias. E eles O recusaram devido à perversidade de suas mentes e corações.

Às pavorosas dores físicas somaram-se os padecimentos morais. O orador realça que a face e o olhar do adorável Redentor O mostram meditando a partir de um ponto altíssimo, do mais alto ponto de consideração que se pode atingir. Em meio a tanta dor, Ele estava absorto nas mais altas cogitações, revelando toda a sua nobreza e força moral.

Mostram também até que ponto pode chegar a malícia dos seres humanos, devido não só à crueldade, mas também à indiferença das almas tíbias. Nosso Divino Salvador considerou tudo isso naquele passo da Paixão, mas considerou também as almas fervorosas que O adorariam, enlevadas de admiração, meditando sobre aquela trágica situação.

Na escultura, que poderia ser denominada “Rei da Dor”, transparece ansiedade e angústia, embora sem agitação. Seu olhar meditativo parece expressar: “Todo este sofrimento tem sentido e chegarei até o fim desejado”.

O expositor observa ainda que, a rogos da Santa Mãe de Deus, ali presente, aqueles sofrimentos foram suportados em nosso benefício. Naquele transe, Ela exerceu de modo eminente sua ação de Medianeira de todas as graças.

Aplicando essas considerações aos contemporâneos, Plinio Corrêa de Oliveira observa que o sofrimento de um verdadeiro católico, se aceito com espírito de fé, pode ser comparado, por analogia, aos sofrimentos infinitamente preciosos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Embora nossas dores, físicas ou morais, sejam insignificantes em relação às d’Ele.

Esperando que tais reflexões possam ser proveitosas para nossos diletos leitores durante a Semana Santa, envio-lhes meus votos de uma Santa e Feliz Páscoa.

Em Jesus e Maria

Paulo Corrêa de Brito Filho

DIRETOR


| POR QUE NOSSA SENHORA CHORA? |

Fenece o vínculo mãe-filho

O leitor notou que praticamente não se fala mais em amor filial nem mesmo em amor materno?

Exaltada durante todo o século XIX e grande parte do século XX como o vínculo sagrado por excelência nas relações humanas, a intimidade mãe-filho parece ter perdido seu viço neste século XXI, como uma flor que murchou.

O que se encontra na literatura, na pintura e nas artes em geral dos séculos passados, exaltando o amor recíproco mãe-filho, é admirável e abundante. E tal sublimação artística constituía apenas um reflexo da realidade social então vigente.

O filho podia ter-se tornado o pior dos homens, abandonado de todos e vilipendiado até pelos amigos mais próximos; a última coisa que o acompanhava, aonde quer que seus crimes o tivessem levado, era o amor materno. Este nunca o abandonava.

Reciprocamente, a mãe era sempre a figura venerada pelo filho. Ele poderia tolerar qualquer ofensa a si mesmo, a seus íntimos e até a seu pai, mas uma ofensa a sua mãe o transportava de indignação e o fazia sair de si de cólera.

O que aconteceu para que esse vínculo, que parecia impossível

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