São Francisco de Paula
(1416 – 2016)
No dia 27 deste mês celebramos o VI Centenário do nascimento desse extraordinário santo, profeta, taumaturgo, conselheiro de Papas e Monarcas e Fundador da Ordem dos Mínimos.
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O exemplo dos pais costuma desempenhar importante papel na formação dos filhos. Vemo-lo claramente na vida de São Francisco de Paula, cujos progenitores eram modestos agricultores na pequena cidade de Paula, na Calábria.
Tiago, o pai, tirava do campo o sustento da família e santificava-se na oração, no jejum, na penitência e nas boas obras. Sua esposa, Viena, era também virtuosa, secundando-o em suas boas disposições.
Mas não tinham filhos. E, para obtê-los, rezavam ao Céu, sobretudo ao seráfico São Francisco de Assis, de quem eram devotos e cujo nome eles prometeram dar ao primeiro filho que tivessem. O Poverello de Assis deixou-se comover e o casal teve três filhos, dos quais Francisco foi o primeiro.
A alegria, entretanto, foi de pouca duração, pois o recém-nascido sofreu uma infecção nos olhos que lhe ameaçava a visão. Tiago e Viena recorreram de novo ao santo: seria possível que ele tivesse atendido seus rogos pela metade? Prometeram agora, caso o menino sarasse e tão logo a idade o permitisse, vesti-lo com o hábito franciscano e deixá-lo durante um ano num convento da Ordem. A criança sarou e cresceu em graça e santidade, seguindo desde cedo o exemplo paterno de oração e penitência até atingir os 12 anos.
Ainda na infância, os primeiros milagres
Apareceu-lhe então um frade franciscano, lembrando que chegara a hora de seus pais cumprirem a promessa feita. Estes aquiesceram e levaram o menino, com seu pequeno hábito, para o convento franciscano de São Marcos, no qual todo o rigor da regra era observado.
Embora não fosse obrigado a isso, Francisco começou a observar a regra com tanta exatidão, que se tornou modelo até para os frades mais experimentados nas práticas religiosas.
Alguns milagres marcaram a vida do frade-menino no convento. Certo dia o sacristão mandou-o buscar brasas para o turíbulo, mas sem indicar-lhe como. Com toda simplicidade, ele as trouxe em seu hábito, sem que este se queimasse. De outra feita, encarregado da cozinha, colocou os alimentos na panela e esta sobre o carvão, esquecendo-se, contudo, de acendê-lo. Foi depois para a igreja rezar e entrou em êxtase, olvidando-se da hora. Quando alguém, que passara pela cozinha e vira o fogo apagado, chamou-o perguntando se a refeição estava pronta, Francisco, sem titubear, respondeu que sim. E chegando à cozinha, encontrou o fogo aceso e os alimentos devidamente cozidos.
Os frades de São Marcos queriam conservar consigo aquele adolescente que dava tantas provas de santidade. Mas ele sentia-se chamado para outra coisa. Findo o ano, dirigiu-se com os pais em peregrinação a Roma, Assis, Loreto e Monte Cassino. Neste último lugar, sabendo que São Bento ali se estabelecera aos 14 anos para entregar-se todo a Deus, fez o mesmo propósito. Pediu aos pais que o deixassem viver como eremita na chácara que habitavam. Os pais não só consentiram, mas passaram a levar-lhe diariamente alimentos.
Francisco queria mais solidão. Por isso, um dia desapareceu e subiu uma montanha rochosa, onde encontrou uma pequena gruta que transformou, durante seis anos, em sua morada. Vivendo exclusivamente para Deus, na contemplação e na penitência, alimentava-se de raízes e de ervas silvestres. Segundo a tradição de sua Ordem, recebeu ali o hábito monástico das mãos de um Anjo.
São Francisco de Paula abençoa o filho de Luísa de Saboia – Lavinia Fontana (1552–1614). Pinacoteca Nacional, Bologna (Itália).
Primeiros discípulos e a Ordem dos Mínimos
Surgindo jovens discípulos, esse eremita de 19 anos obteve do bispo local licença para construir um mosteiro no alto de um monte próximo a Paula. Eis a origem da Ordem dos Mínimos, fundada pelo santo em 1435. Essa construção, como outras posteriores, constituiu um contínuo milagre. Dela participavam os habitantes da cidade, ricos e pobres, nobres e plebeus, que foram testemunhas de inúmeros milagres. Enormes pedras saíam do lugar à sua simples voz; pesadas árvores e pedras tornavam-se leves para serem removidas ou transportadas; alimentos que mal davam para um trabalhador alimentavam muitos... Mesmo pessoas doentes iam participar das construções e se viam curadas.
Diz um hagiógrafo do santo: “Não há espécie de doenças que ele não tenha curado, de sentidos e membros do corpo humano sobre os quais não tenha exercido a graça e o poder que Deus lhe havia dado. Ele restituiu a vista a cegos, a audição a surdos, a palavra aos mudos, o uso dos pés e mãos a estropiados, a vida a agonizantes e mortos; e, o que é mais considerável, a razão a insensatos e frenéticos [...]. Não houve jamais mal, por maior e mais incurável que parecesse, que pudesse resistir à sua voz ou ao seu toque. Acor
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