Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 781 | página 20-21
| VIDAS DE SANTOS | (continuação)

segui-la fielmente, e propagá-la por todos os meios”.20

E o mesmo Papa assim sintetiza a razão pela qual declarou solenemente Santo Tomás Santo Doutor e Patrono de todos os Estudos católicos em todos os seus graus: “O Angélico se destaca eminentemente, sobre todos os demais, sendo o modelo que os sábios católicos devem imitar em seus diversos estudos. Ele possui, certamente, as melhores e mais brilhantes qualidades de coração e de inteligência que arrastam à sua imitação: uma doutrina riquíssima de conteúdo, saníssima, perfeitamente organizada, admiravelmente de acordo com as verdades reveladas por Deus e, portanto, sinceramente obsequiosa com a fé; acrescente-se a tudo isto uma vida integérrima e sem mancha, ilustrada com as virtudes mais excelsas”.21

“Afastar-se de Santo Tomás leva à apostasia”

Para não nos alongarmos mais, citemos finalmente o imortal São Pio X, que no Motu Próprio Doctoris Angelici, de 29 de junho de 1914, declara que “os princípios básicos da Filosofia de Santo Tomás não devem ser considerados como meramente opináveis ou discutíveis, mas como fundamentos em que se apoiam todos os nossos conhecimentos do humano e do divino”. Pelo que, “rechaçados ou alterados de qualquer modo esses princípios, os jovens estudantes eclesiásticos acabarão por não entender nem sequer a terminologia empregada pela Igreja na proposição dos dogmas de nossa fé”.22

Por isso o santo Pontífice alerta que “abandonar Santo Tomás, sobretudo em questões de Metafísica, é um gravíssimo perigo”. E acrescenta: “O que digo de sua Filosofia deve entender-se a fortiori de sua Teologia, na qual não é só o príncipe, mas o mestre e guia de todos”,23 “como honra do orbe cristão e luminar da Igreja”, “que vale para todos os tempos e não envelhece nunca”.24

Como consequência, “nada é tão útil à Igreja como formar o clero na doutrina do Angélico”,25 “para arrancar o fermento de tantos erros como circulam por todas partes sobre o divino e o humano, e para que a verdade católica, devidamente conhecida, se incruste indelevelmente nas almas de todos”. São Pio X conclui com esta terrível advertência: afastar-se da doutrina de Santo Tomás leva à apostasia. “Uma triste experiência ensina que, particularmente em nossos dias, os que se separam de Santo Tomás acabam finalmente por apostatar da Igreja de Cristo”.26

Que a Santíssima Virgem, Sede da Sabedoria, nos obtenha a graça de assistir a um verdadeiro renascer da doutrina de Santo Tomás — cuja festa é celebrada em 28 de janeiro — para honra e glória da Igreja.

Notas: 1. Utilizamos para este artigo a excelente Introducción General escrita pelo Pe. Santiago Ramírez, O.P. na Introdução da Suma Teologica de Santo Tomas de Aquino, da Biblioteca de Autores Cristianos, Madri, 1957, tomo I, referindo o número da página em que aparecem as citações. 2. Ramírez, p. 15. 3. Guillelmus de Tocco, O.P., Vita S. Thomae Aquinati, apud Ramírez, p. 28. 4. Fr. José Maria de Garganta, O.P., Introducción General, p. 8, Suma Contra los Gentiles, tomo I, Biblioteca de Autores Cristianos, Madri, 1952. 5. Juan de Colonna, O.P., De Viris Illustribus, apud Ramírez, p. 57. 6. Metaphysica, l. 1, apud Ramírez, p. 79. 7. Ramírez, p. 79. 8. Cfr. Ramírez, p. 38. 9. Luis de Valhadolid, Brevis historia..., apud Ramírez, p. 80. 10. Cardeal C. Laurenti, San Tommaso Dottore e Santo, apud Ramírez, p. 82. 11. O. Mazzella, San Tommaso e Aristotele, apud Ramírez, p. 82. 12. Id.ib., apud Ramírez, p. 82. 13. Ramírez, p. 82. 14. Bartolomé de Capua, Processo napolitano de canonização, apud Ramírez, p. 87. 15. M.H. Laurent, O.P., Pierre Roger et Thomas d’Aquin, apud Ramírez, pp. 98-99. 16. J. Berthier, O.P., S. Thomas Aquinas, Doctor Communis, apud Ramírez, p. 103. 17. Id., apud Ramírez, p.108. 18. Id., apud Ramírez, p. 119. 19. Carta de 20 de setembro de 1892 ao Geral dos Dominicanos, André Fruhwirth, apud Ramírez, p. 112. 20. Apud Ramírez, pp. 113 a 117. 21. Id. ib., apud Ramírez, p. 127. 22. Motu próprio Doctoris Angelici, AAS 6, apud Ramírez, p. 137. 23. J. Berthier, op.cit., apud Ramírez, p. 135. 24. Epístola ao P. Em Hugon, O.P., 16 de julho de 1913, apud Ramírez, p. 135. 25. Id. ib., apud Ramírez, p. 136. 26. Epistola ao P. Tomás Pègues, O.P., 17 de novembro de 1907, em Berthier, Ramírez, p. 136.
| ENTREVISTA |

Revolução Tribalista sob investigação

Índio Silvestre Leocádio da Silva, nosso entrevistado

A questão indígena no Brasil tem servido a movimentos de esquerda e a certas ONGs como pretexto da luta contra o direito de propriedade, o que tem prejudicado os próprios indígenas. É uma das revelações que um índio narra nesta entrevista. Ele dá o exemplo da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, que se transformou — após sua demarcação e consequente expulsão dos antigos moradores — numa verdadeira “favela indígena”. * * *

A mídia brasileira de modo geral tem ocultado as denúncias sobre o tribalismo indígena. Vezeira em noticiar alarmismos eco-ambientalistas, ela não o é quando se trata de denúncias sobre a ação criminosa de ONGs, por vezes ditas católicas, e organizações oficiais que manipulam os índios para investirem contra propriedades particulares. Só no Mato Grosso do Sul já foram invadidas mais de 90 fazendas.

Catolicismo foi pioneiro ao estampar em sua edição de novembro uma corajosa entrevista da deputada estadual Mara Caseiro, na qual ela anuncia a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para investigar o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), órgão vinculado à CNBB.

No mesmo sentido, em meio à despreocupação nacional e ao enigmático silêncio dos meios de comunicação, a Câmara dos Deputados instalou em novem-

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