Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 781 | página 16-17
| VIDAS DE SANTOS |

SANTO TOMÁS DE AQUINO

Doutor da Igreja e Patrono dos estudos católicos em todos os graus

Plinio Maria Solimeo

De Santo Tomás de Aquino, o maior luminar da Igreja Católica, nós já apresentamos uma biografia nesta coluna (Catolicismo, janeiro/2002). Como sua perene doutrina — o ápice da escolástica — foi em grande parte abandonada pelos teólogos católicos atuais, ressaltaremos aqui sua importância universal na História da Teologia e Filosofia católicas.

A transcendência da doutrina tomista foi ressaltada por Leão XIII na Encíclica Aeterni Patris (1879), e São Pio X em documento de 20 de setembro de 1892.1

Breve síntese biográfica do Santo

Santo Tomás de Aquino nasceu no castelo de Roccasecca, próximo de Nápoles, em 1225, filho de Landolfo, senhor de Roccasecca, e de Teodora, filha dos condes de Chieti. Aos cinco anos de idade seus pais o enviaram como oblato ao Mosteiro de Monte Cassino, onde, além da formação moral e religiosa, aprendeu as primeiras letras, a gramática latina e italiana, música, poesia e salmodia.

Na adolescência estudou Filosofia e Artes na Universidade de Nápoles. Seu afã nos estudos objetivava maior conhecimento de Deus para melhor servi-Lo.

Em 1244 ingressou na Ordem dos Pregadores ou Dominicanos, fundada havia pouco por São Domingos de Gusmão, a qual harmonizava as observâncias monásticas com o estudo, satisfazendo plenamente os anseios do santo.

Em 1247 Tomás foi enviado para o Estudo Geral da Ordem, em Colônia (Alemanha), onde teve como mestre a Santo Alberto Magno — o Doutor Universal — também Doutor da Igreja.

Em 1252 foi transferido para Paris, como Mestre do Estudo Geral da Ordem, cargo que exerceu por quatro anos. “Desde o primeiro instante superou todos [os professores], inclusive os mestres mais célebres e encanecidos na cátedra, por seu novo método de ensinar, claro, conciso, profundo, preciso, e por sua extraordinária originalidade, qualidades que lhe granjearam uma grande simpatia e uma admiração sem limites por parte dos estudantes”.2

As aulas de Frei Tomás eram tão concorridas, que a sala de aula mal podia conter todos aqueles que a procuravam.

Tal era a fama de sua sabedoria, que o rei São Luís IX da França “o consultava sempre sobre os negócios mais graves de governo; e, quando devia celebrar conselho, tinha o costume de informar, na véspera, a Frei Tomás, rogando-lhe que desse seu parecer na primeira hora do dia seguinte. O santo cumpria fiel e escrupulosamente esses encargos”.3

Pois “o Santo de Aquino não é um expectador frio dos acontecimentos de sua época; pelo contrário, vive suas lutas, é beligerante no mais nobre sentido da palavra, em uma época na qual florescem os espíritos combativos. É um convencido de sua vocação apostólica, a qual vive com entusiasmo juvenil e o fogo que lhe comunicou a alma ardente e dulcíssima do patriarca São Domingos”.4

Não cabe nesta breve síntese narrar todas as lutas de Santo Tomás contra os hereges e heretizantes da época, nem a sublime santidade que atingiu. Basta dizer que ele faleceu santamente no dia 7 de março de 1274, com apenas 49 anos de idade, sendo canonizado no dia 18 de julho de 1323.

Entretanto, vale a pena ressaltar sua extremada devoção ao Santíssimo Sacramento. O Ofício que ele elaborou para a festa de Corpus Christi, o sermão que pregou diante do Consistório, e o celeste hino Pange Lingua Gloriosi, que compôs para aquela festa, são “os mais ternos, devotos e profundamente teológicos que se conhece na sagrada liturgia”.5 Sua devoção a Nossa Senhora, como não podia deixar de ser, era terníssima, como

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