conserve seu regime social e econômico atual? E isto praticável? (...) Categórico na afirmação de que é imoral a aceitação do regime comunista de Pankow, parece-me que seria possível derrubar esse regime por um golpe publicitário incruento. Basta que o clamor universal exija, na Alemanha Oriental, eleições livres, precedidas de livre propaganda, tudo sob as vistas de uma comissão internacional. Estou certo de que a Rússia não ousaria recusar tal proposta. E que o regime de Pankow ruiria como um castelo de cartas. (...)
"Por mais simples que seja esta solução, há quem pense em outra. E esta - aparentemente cordata - é terrível. Consistiria na implantação de um regime federativo entre as duas Alemanhas, gradualmente homogeneizadas: a Alemanha Ocidental se bolchevizaria um tanto e a Oriental se 'capitalizaria' outro tanto.
"Bem se vê, se isto der certo em escala alemã, poderia ser aplicado em escala europeia: uma federação continental, incluindo a Rússia. (...)
"Seria, segundo os simplórios... ou os velhacos, o meio de evitar a guerra.
"O fruto da moralidade é a paz: 'opus justitiae pax'. A este aforismo, endossado pela sabedoria da Igreja, corresponde o princípio oposto: os frutos da imoralidade são as desordens, os tumultos e as guerras.
"Será pela generalização da imoralidade comunista que a Europa chegará à paz? (...) com a semicomunistização da Alemanha e da Europa, quem lucra velhacamente senão os que querem conduzir a Alemanha e a Europa à comunistização completa?" ("Folha de S. Paulo", 23-11-1969).
Desequilíbrio pró-esquerda
Há mais. A Europa Ocidental continuará com seu atual plano da federação pan-europeia. E - queira-se ou não - começa a delinear-se a formação da famosa Europa do Atlântico aos Urais, em que entram de cambulhada a Rússia e os povos opressos que ela vai levando consigo, cada qual com voto em um, digamos, "Conselho Federal da Europa Total".
Com isto surge a figura de um Parlamento supra-pan-europeu com poderes para decidir o rumo a ser imposto a todos os países do Velho Continente.
É óbvio que os partidos comunistas (ou seus sucedâneos, mascarados com novos nomes e "soi-disant" novos programas) e a esquerda em geral da Europa Ocidental, jogarão como parceiros dos partidos esquerdistas dos países do Leste.
Não há na Europa Oriental correntes de direita organizadas como as há de esquerda na Europa Ocidental. O resultado será um desequilibro de balança que, facilmente, pode dar maioria de votos à esquerda.
Votos à esquerda? Uma Europa não vermelha, mas "cor-de-rosa", ver-se-ia inelutavelmente sob a influência da Rússia, a qual timbra em afirmar que permanecerá socialista, sem admitir de modo nítido, entre outras coisas, a propriedade privada dos meios de produção.
Nessa nova Europa não haverá lugar para o papel até aqui desempenhado pelos Estados Unidos.
A "OTAN, sustentada pelas tropas dos EUA na Alemanha Ocidental, tem proporcionado a mais duradoura paz na história da Europa moderna. Mas o vínculo transatlântico desgastou-se. O público norte-americano está cansado de pagar pela defesa europeia. Os europeus se ressentem de uma dependência que tem durado demasiadamente.
A aparente evaporação da ameaça militar do Leste tornará tensas ainda mais as relações. Ela poderá, ocasionalmente, destruí-las" ("Newsweek", 20-11-89, destaques nossos).
Ante a perspectiva da saída dos militares franceses, ingleses e sobretudo norte-americanos da Alemanha Federal, compreende-se de repente uma coisa: a "Cortina-de-Ferro", que era inicialmente uma barreira para impedir os trânsfugas orientais de passarem para o Ocidente, transformara-se insensivelmente, pelo curso dos acontecimentos, numa barreira de defesa do Ocidente contra o ataque do Oriente!
Ora, esta defesa foi agora derrubada. Isto significa um ataque iminente por parte dos países comunistas? De momento, não. Mas é inegável a desestabilização provocada na Europa pela perspectiva de reunificação alemã.
É o caso de ser otimista?
"A longo termo, ninguém poderá impedir o amálgama dos dois Estados alemães. Mas a reunificação completa, agora, não é uma opção atraente. Terrificaria a França e a Polônia. Enfraqueceria a OTAN, quando o Ocidente necessita desesperadamente manter-se protegido contra eventual falência do controle de armas, ou das reformas de Gorbachev" (id., ib., destaques nossos).
Em outras palavras, o mundo que está se delineando a partir das reformas da Rússia e do Leste europeu, longe de ser tranquilizador, como apregoam os otimistas inveterados do Ocidente, está se mostrando cheio de incertezas, perigos, e cada vez mais dependente do sucesso... ou fracasso de um só homem!
R. Mansur Guérios
Bispo colombiano martirizado
Subversão castro-comunista fala de paz e promove a guerra
Don Jesus Emilio Jaramillo Monsalve, vítima da sanha guerrilhero-castrista, muito provavelmente um novo mártir.
OS MEIOS de comunicação do mundo ocidental não cessam, em nossos dias, de dar realce à perestroika em curso na Rússia e outras nações comunistas. Apesar disso, não dão a devida importância aos vários aspectos artificialmente propagandísticos que tal processo comporta.
Dentro desse quadro, nada mais compreensível que um acontecimento muito indicativo de que o comunismo está longe de morrer, seja minimizado, escamoteado, esquecido e desdenhado.
É o que ocorreu com o sacrílego assassinato do Prelado colombiano Dom Jesús Emilio Jaramillo Monsalve MXY, bispo de Arauca.
Sequestrado no início de outubro em sua pátria pelo grupo guerrilheiro "Exército de Libertação Nacional" - de nítida e declarada orientação castrista - foi ele posteriormente submetido a torturas e por fim ao fuzilamento.
Martírio
Naturalmente, o grupo subversivo não poderia deixar de jactar-se de seu infame crime, declarando que o Prelado havia sido "justiçado" (sic) por ser "inimigo do povo".
Tal crime pediria, evidentemente, enérgicos protestos dos defensores dos direitos humanos, dos demais Pastores em todo o Continente, e da imprensa em geral, tão disposta a defender as liberdades... Entretanto, os "humanitários" guardaram silêncio total, os Prelados emitiram alguns protestos lacônicos, e a imprensa, contrariamente a seus hábitos, optou pela discrição.
Simples indiferença? Ou efeito de alguma ameaça subversiva? Terá o ELN feito saber que não queria protestos, e que, se os houvesse, seus autores também seriam considerados "inimigos do povo", com as consequências fáceis de se prever? Não o sabemos, mas parece provável que ambas as coisas sejam verdadeiras.
Na realidade, trata-se muito provavelmente de um caso de martírio. Com efeito, há poucas dúvidas sobre o "odium fidei" (ódio à fé) com que os assassinos atuaram, pois o Bispo havia feito severas críticas às matanças praticadas pela guerrilha marxista colombiana.
Sua diocese, Arauca, é atualmente uma das mais traumatizadas pela subversão, a qual tem sabotado sistematicamente as instalações petrolíferas, em particular o oleoduto, com o fim de prostrar economicamente a nação. As populações da região se encontram no dilema de ceder às ameaças da guerrilha e colaborar com a mesma, ou resistir a suas exigências e, talvez, por esta razão morrer...
Nestas condições, um Bispo retamente católico, que se negava a sofismar com base na "opção pelos pobres", para ajudar o comunismo, tornava-se muito inconveniente para este último.
Por outro lado, o próprio crime constitui uma demonstração da perseverança de Dom Jaramillo na Fé durante seu cativeiro e suas torturas, pois o ELN, em caso contrário, teria preferido somar uma adesão clerical a mais...
Com efeito, por esse grupo criminoso já passaram vários sacerdotes apóstatas, como Camilo Torres e Diego Laín; e seu máximo dirigente atual é também um ex-sacerdote, o espanhol Manuel Pérez, assessorado, por sua vez, por vários outros da mesma condição. Tal absurdo, é só nos dias de hoje que se encontra...
De onde então um aspecto trágico: virtualmente foram mãos consagradas que, se não executaram, certamente dirigiram o infame e sacrílego crime, o primeiro cometido em terras sul-americanas contra um Bispo durante mais de um século, por motivos ideológicos.
Outrora, os túmulos dos mártires se convertiam em lugares de peregrinação, inclusive desafiando os tiranos. Acontecerá o mesmo hoje em dia? Parece difícil, à vista do funeral discreto organizado pela Conferência Episcopal Colombiana, não obstante a intensa veneração que os fiéis da diocese tinham pelo Prelado assassinado.
Assim, quis-se evitar um desafio aos criminosos teleguiados por Fidel Castro, os quais poderão continuar matando, sem sequer serem criticados pelos irmãos na Fé das vítimas.
Uma jogada de paz e guerra
Cabe perguntar, entretanto, qual terá sido o propósito do comunismo internacional ao ordenar o vil e sacrílego assassinato, ademais de tantos outros atos sangrentos.
Algumas semanas depois deste crime, ocorreu um fato que pode contribuir para esclarecer o assunto: o governo colombiano anunciava a conclusão de um acordo com outro movimento guerrilheiro, o M-19, também marxista e