Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 461 | página 06-07

|TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO...| (continuação)

na Faculdade de Teologia da Arquidiocese de São Paulo, onde também dá aulas Frei Gilberto Gorgu. Já o Pe. José Comblin leciona no Instituto Teológico da Paraíba; o Pe. J.B. Libânio deu aulas na PUC do Rio de Janeiro por vários anos, ensinando agora no Instituto Teológico dos Jesuítas em Belo Horizonte; e assim por diante.

Além de toda a expansão que obteve na América Latina - o continente católico por excelência - a TL penetrou nos Estados Unidos (principalmente entre os hispanos), na Ásia (Filipinas e Coréia do Sul) e na África do Sul.

Convém lembrar que a TL não é especificamente católica, mas "ecumênica", reunindo indistintamente católicos e protestantes na admiração pelo marxismo e na ação em prol do comunismo.

Da TL têm saído algumas variantes que utilizam o mesmo método e participam da mesma luta pela implantação do socialismo: Teologia Chicana ou Teologia Mestiça (Estados Unidos); Teologia Feminista (cujas origens também remontam a esse país, e que se espalhou por quase todo o mundo, inclusive pelo Brasil); Teologia Negra (Estados Unidos e África do Sul); Teologia Min-jung (Coréia do Sul).

TL e subversão

Nestas duas décadas de atuação, a TL tem-se mostrado uma grande alia da e incentivadora da subversão comunista.

Em países da América Central, teólogos da libertação e militantes das CEBs não se contentaram com apenas apoiar a guerrilha comunista, vindo a participar ativamente da luta armada. E vários sacerdotes morreram ali de armas na mão, entre outros o Pe. Garcia Laviana na Nicarágua, o Pe. Grancis Carney em Honduras e o Pe. Rutílio Grande em El Salvador.

Na Colômbia, o Pe. "Camilo" López juntou-se ao Exército Nacional de Libertação, comunista. Na realidade ele não se chama "Camilo", mas adotou tal prenome em homenagem ao Pe. Camilo Torres, morto em 1966 na guerrilha comunista. Declara o Pe. López: "Cristo é o primeiro dos revolucionários. E se a Bíblia e o fuzil estão unidos na Colômbia, isso se deve ao exemplo do Pe. Camilo Torres, que era a luz para a Colômbia".

Luís Lozada, comandante de Pe. López, enaltece o serviço prestado por esse sacerdote à guerrilha comunista: "Graças a ele, os camponeses estão convencidos de que nós não somos nem ateus nem canibais, como acusam os reacionários".

Nas longínquas Filipinas, único país asiático de população compactamente católica (como se recorda essas ilhas foram colonizadas pelos espanhóis), os partidários da TL chegaram igualmente às últimas consequências de sua doutrina. Em 1972 o Pe. Edicio de Ia Torre, da Congregação do Verbo Divino, fundou uma organização clandestina, os Cristãos para a Libertação Nacional. Essa organização, formada por um número muito grande de padres (há quem fale em 1.200) e inúmeros leigos, presta suporte logístico e de intendência para o Novo Exército do Povo, braço armado do Partido Comunista filipino, o qual há anos ensanguenta o arquipélago.

Causaram espanto as declarações do Cardeal Sin, Arcebispo de Manila, nos inícios de 1988, de que, durante anos a fio, o Novo Exército do Povo recebera milhões de dólares por ano da Igreja Católica (através do Departamento de Ação Social, organismo do episcopado daquele país), para a compra de armamentos. Não é de estranhar que, também ali, como na América Central, sacerdotes se tenham unido à guerrilha comunista e tombado em meio à luta armada. Tal o caso do Pe. Santiago Salas, alistado no Novo Exército do Povo em 1976 e morto anos depois.

Conscientização, invasões, saques

Se em outros países os sequazes da TL ainda não chegaram até a guerrilha e a luta armada, ela tem sido, entretanto, a inspiradora de invasões de terras, saques, agitação política e social.

Assim, no Brasil, a Teologia da Libertação, através das CEBs e das "Pastorais" (CPT - Comissão Pastoral da Terra, CIMI - Conselho Indigenista Missionário, Pastoral da Saúde, Comissão Justiça e Paz, etc.), tem servido de instrumento de conscientização, isto é, da transformação da mentalidade de pessoas simples. Por meio da atuação concreta em movimentos reivindicatórios, com motivação religiosa desviada pela doutrina igualitária da TL, boas donas de casa, camponeses e operários se têm transformado em revolucionários eivados do espírito de luta de classes e de tendências socialistas.

Se os partidos de esquerda têm apresentado algum progresso eleitoral em nosso país (o qual, de resto, é bem menor do que a imprensa e a TV propalam) tal se deve em larga medida à atuação dos teólogos da libertação. Em algumas regiões as CEBs e as "pastorais" constituem a espinha dorsal dos partidos de esquerda.

A agitação rural promovida pela CPT tem assumido formas que, em muitos casos, não estão longe da luta armada. Basta lembrar as "operações pega-fazendeiro", realizadas por membros das CEBs da Prelazia do Acre e Purus. Nesses conflitos de terras muito sangue já foi derramado.

Nicarágua: a TL no poder

A revolução subversiva promovida pela TL já conseguiu uma vitória significativa, que foi o triunfo do sandinismo na Nicarágua. Foi ela, através das CEBs sobretudo, que arregimentou os militantes revolucionários, conscientizou-os e os lançou à luta armada.

Instalou-se nesse infeliz país - que saiu de uma ditadura corrupta para um regime socialista - um governo clérigo-comunista ditatorial, do qual vários sacerdotes fazem parte (Pes. Fernando e Ernesto Cardenal, D'Escoto, Parrales, etc.).

Essa situação criou dificuldades entre a Santa Sé e os referidos sacerdotes, e entre estes e o arcebispo de Managua, D. Miguel Obando. O cardeal nicaraguense - agora em certa oposição ao regime - havia saudado anteriormente o advento do socialismo sandinista em Carta Pastoral assinada por todos os bispos do país.

A Nicarágua se tornou a menina dos olhos da TL, atraindo o apoio e a solidariedade de todos os teólogos da libertação e dos progressistas do mundo inteiro (D. Pedro Casaldáliga chegou a ser repreendido pelo Vaticano por suas constantes viagens àquele país).

A revolução nicaraguense estabelecendo, com seu cortejo de conselhos populares, feroz ditadura, é apontada como sendo modelo e meta para onde devem tender os demais países da América Latina.

O Reino de Deus... no comunismo

Os teólogos da libertação transformaram-se nos grandes pregoeiros do socialismo, nos arautos do regime comunista, identificado por eles com o próprio Reino de Deus.

As viagens que vários dentre eles - como Frei Betto, Frei Leonardo Boff, Frei Clodovis Boff e D. Pedro Casaldáliga - têm empreendido à Nicarágua, a Cuba, à Rússia e à China, são de natureza eminentemente propagandística. No seu livro Fidel e a Religião, Frei Betto apresenta o tirano do Caribe como um grande chefe de Estado, dócil, pacífico e amante da religião.

Frei Clodovis vai mais longe, apresentando Cuba e a Rússia como ensaios do Reino de Deus. Em sua Carta Teológica sobre Cuba (1986), o religioso servita escreve: "Falando como teólogo, diria que embora a presença da Igreja seja fraca, a do Reino parece forte".

E também: "Frei Betto me confiou ter a nítida impressão da presença do Reino naquela obra revolucionária (a Revolução cubana)". No regresso de sua viagem à Rússia em 1987, o mesmo Frei Clodovis Boff assim se manifestou: "A Teologia da Libertação não pode deixar de reconhecer os sinais históricos do Reino dentro do socialismo real". Também Frei Leonardo, seu irmão e companheiro de viagem, viu "os inestimáveis bens do Reino que os soviéticos souberam pelo socialismo construir".

O Pe. Ernesto Cardenal, Ministro da Cultura da Nicarágua, é ainda mais explícito: "Em um dos meus versos escrevi uma vez a seguinte linha: 'comunismo e reino de Deus na terra significam a mesma coisa' .... O Estado da 'sociedade final comunista' .... será, ela mesma, o 'Reino de Deus na Terra".

Por isso se entende que os teólogos da libertação considerem como missão da Igreja a pregação do comunismo. Foi o que declarou com todas as palavras o mesmo Pe. Cardenal numa entrevista a Crisis, revista de Buenos Aires, em 1974: "[A missão da Igreja] neste momento, na América Latina, é sobretudo pregar o comunismo".

Taticamente o sacerdote-ministro sandinista considera que a tarefa mais imediata do clero liberacionista consiste em acabar com o medo do comunismo: "O problema é acabar com o medo do comunismo - declarou ele em 1979 ao repórter alemão Peter Klein - ser um elemento de mudança e de reforma, e ajudar na construção do socialismo na América Latina, até alcançar a paz e realizar a construção do socialismo. Isto feito, partir para a construção da sociedade final comunista, isto é, a fundação do 'reino do amor"

O Vaticano e a TL

Da parte do Vaticano, a primeira chamada de atenção quanto a desvios da TL foram os discursos pronunciados por João Paulo II em Puebla (México), por ocasião da III Assembleia Geral do Episcopado Latino-Americano, em 1979. O Pontífice impugnou certas "releituras" do Evangelho que veem a salvação como uma obra apenas política. "Essa concepção de Cristo como político, revolucionário, como o subversivo de Nazaré, não se compagina com a catequese da Igreja", acrescentou.

Em agosto de 1984 a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu a Instrução

(continua)

Frei Clodovis Boff vê o Reino de Deus no regime comunista da Rússia e no de Cuba.

Terço no pescoço, fuzil em uma das mãos e "coquetel molotov" na outra: eis o "cristão revolucionário" formado pela TL. Folheto nicaragUense para a formação de CEBs.