A REALIDADE CONCISAMENTE
Amazônia não é pulmão do mundo
Em entrevista a "L 'Osservatore Romano", o novo presidente da conceituadíssima Academia Pontifícia de Ciências, Prof. Giovanni Batista Marini-Bettollo, comentou o desmatamento das grandes bacias fluviais do Congo e da Amazônia. Eis suas palavras: "Não está em jogo (no caso) o contributo para a fixação do bióxido de carbono", ou seja, a liberação de oxigênio, pois "os mares representam 90 por cento de nosso pulmão". Assim, ao contrário do que intentam inculcar, com grande alarde publicitário, correntes ecológicas, o mundo não morrerá por falta de ar, caso o Brasil - ao invés de ficar eternamente dividindo e subdividindo a porção já explorada de seu território, mediante uma Reforma Agrária socialista e confiscatória - resolva lançar-se com coragem e inteligência à ocupação de seu imenso "hin-terland"amazônico. Isto não impedirá, é claro, que se preservem espécies animais e vegetais próprias à região.
Dois pesos e duas medidas
Os Estados Unidos mostram-se surpreendentemente generosos quando fornecem dinheiro aos países comunistas. Estes podem obter créditos sem pré-requisitos e para fins gerais, o que não se verifica conosco.
Com efeito, enquanto exige muitas vezes, das nações amigas - a justo título, vale dizer - que contenham seus gastos (principalmente das onerosas e inúteis estatais), o Governo norte-americano demonstra desconcertante condescendência em face às desastrosas e falidas economias do bloco soviético, concedendo-lhes sempre mais auxílios, em condições favoráveis. Agravante: não poucas vezes tais débitos mal chegam a ser saldados!
O comunismo serve-se de tais vantagens tão-somente para prolongar sua tirania sobre os povos subjugados; e os Estados Unidos apertam assim os laços da opressão.
Nostalgia dá lucro
Com essas irreverentes, mas sugestivas palavras, a revista norte-americana "Newsweek" procura descrever a intensidade do sentimento popular húngaro e austríaco relativo ao passamento da legendária Imperatriz Zita.
Aproveitando de modo meramente comercial e muitas vezes vulgar tais anseios, os técnicos em publicidade julgaram fazer bom negócio apresentando à venda objetos evocativos da dinastia Habsburgo, como cartões-postais do Imperador Carlos e da Imperatriz Zita, taças de cerveja, abridores de garrafa e camisetas com o brasão de armas do Império.
E lamentável o tom pouco digno presente em algumas dessas manifestações, próprias ao ambiente moderno. Mas não se pode deixar de constatar quanto elas significam como reconhecimento da autêntica e robusta popularidade da tradição.
O Imperador Carlos e a Imperatriz Zita. no dia de sua coroação (30-12-1916), em Budapest, com o filho primogênito, o arquiduque Otto.
Guerra não declarada
Entre 1965 e 1975, durante a guerra do Vietnã, morreram 13 americanos por dia; no Líbano - país flagelado por uma luta crônica e interminável -, houve 22,2 mortes diárias, em média, de abril de 1988 a janeiro de 1989.
No Rio de Janeiro, a contar apenas os primeiros dias de abril, houve 107 mortes, ou seja, mais de 17 por dia.
Moços e velhos, pobres e ricos, bandidos e inocentes são dizimados a qualquer hora, nos locais mais diversos da cidade, mesmo nos de maior movimento.
Também em São Paulo as estatísticas assustam: nos primeiros dias de abril, registraram-se 42 homicídios misteriosos na cidade, além de inúmeras agressões violentas, a tiros e pauladas.
"O pior é que ultimamente os crimes não têm motivo", observa uma escrivã paulista da Divisão de Homicídios. Quem não vê esgarçar-se desta forma, o tecido social, a ponto de romper toda sua contextura, fazendo-nos imergir numa nova barbárie?
Um faxineiro sensato...
Para que serviria um monte de manteiga amassada deixado em uma das paredes da Academia de Artes de Dusseldorf? Certamente foi o que se perguntou o faxineiro do estabelecimento, antes de praticar o ato de elementar bom senso que consistiu em jogar ao lixo uma "obra de arte" do alemão Joseph Benys, morto há três anos.
O funcionário não poderia imaginar que aqueles 2,5 quilos da "melhor manteiga alemã" constituíam uma valiosa escultura e que, ao jogá-la fora, estava criando uma disputa judicial. Agora, o governo da Renânia do Norte-Westfália terá de pagar a Johannes Stuettgen, discípulo e herdeiro de Benys, uma indenização de 40.000 marcos (USI 22.000) como ressarcimento pela destruição da indecifrável obra de arte moderna.
Levado às últimas consequências, o princípio de que o belo artístico é mera expressão emocional subjetiva, quem poderá impedir que se chegue a disparates do gênero?
ASSESTANDO O FOCO NOS PONTOS NEVRÁLGICOS
A GLASNOST e a perestroika gorbachevianas continuam os grandes acontecimentos da política internacional. Nas últimas semanas a publicidade se dirigiu sobretudo para a escolha de 1.500 dos 2.250 representantes que constituem o Congresso de Deputados do Povo.
A estrela das eleições foi Bons Yeltsin, veterano dirigente comunista içado à condição de símbolo da democratização soviética e grande adversário dos "imobilistas". Elegeu-se deputado com uma surpreendente percentagem de 89,40/0 dos votos, fazendo surgir variadas especulações sobre os futuros rumos da política soviética.
Quanto ao povo, a situação parece ser diferente. Abalizadas informações falam de apatia generalizada, além de um certo mau humor da população com a deterioração da já péssima situação econômica. Setenta anos de perseguição, desagregadora dos grupos sociais naturais - sobretudo da família - e de garroteamento da normal expressão das ideias, teriam criado em largas faixas da população um tipo humano abúlico, bastante resignado ao micro consumo e habituado a uma tosca vida de pensamento. Esta faixa, provavelmente majoritária, está-se mostrando até agora refratária aos estímulos aberturistas da nova política russa. Os setores "imobilistas" temem, entretanto, que ela se possa mover, a partir de um certo momento, num rumo perigoso ao regime.
A nova feição da Rússia, já discretamente anunciada por Gorbachev em alguns pronunciamentos, se não empolga o povo russo, tem condições de embair o Mundo Ocidental, bombardeado por maciça propaganda a favor do "new look" soviético. E assim acelerar o processo de convergência entre os dois mundos, feito sob a alegação de evitar a guerra e com o objetivo de, unindo-os, tornar mais igualitário o Ocidente e mais liberal (ou menos tirânico) o Oriente.
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Uma das questões nevrálgicas para o sucesso da convergência é a posição que tomará diante dos fatos o clero e o laicato católicos. Sem que haja de importantíssimos setores religiosos um claro favorecimento ou pelo menos a neutralidade benevolente, estes objetivos fundamentais do movimento socialocomunista correm seríssimos riscos de fracasso. Percebe-se como é fundamental para as forças revolucionárias o trágico e dissolvente processo de contestação intra-eclesial, atualmente em curso. Nele, jogam papel destacado as correntes que se articulam em torno à Teologia da Libertação.
"Catolicismo" apresenta nesta edição um amplo e revelador estudo a respeito. O trabalho expõe as origens doutrinárias e históricas da TL, decorrência lógica da radicalização dos erros liberais e modernistas, sua expansão e metamorfoses nos últimos 20 anos, e a fisionomia que apresenta hoje. No âmbito eclesiástico, a atuação da TL tem uma constante: ativo fator de contestação e desagregação. No temporal, outra: "companheira de viagem" solícita, e por vezes decisiva, especialmente em países católicos, do movimento comunista.