Na França, o PC em vias de liquidação
NO BRASIL, O MARXISMO continua a ser sobretudo um fenômeno de sacristia e de salão. Os partidos políticos oficialmente socialistas ou comunistas não alimentaram nenhuma esperança quanto aos resultados das eleições do ano passado, para a Constituinte.
Na Europa, os partidos comunistas são também inexpressivos, exceto na Itália e, até há pouco, na França.
Na Itália, o PCI, estagnado há anos, com 30% dos eleitores, tem ainda algum peso na política da península.
Na França, as eleições de março de 1986 selaram o virtual alijamento político do PCF, após um constante declínio de seu eleitorado nos últimos vinte anos.
O gráfico abaixo, publicado pelo diário parisiense "Le Figaro", de 19-3-86, patenteia exuberantemente o menosprezo dos eleitores franceses pela utopia marxista. E isto, apesar de todas as manobras e recuos dos dirigentes comunistas do PCF, a fim de tentarem evitar essa virtual liquidação política.
Já que, de momento, também o caminho da violência parece dificilmente transitável para os comunistas europeus — pela tão grande falta de apoio popular — resta-lhes tentar, em nível mundial ou pelo menos europeu, uma convergência Leste-Oeste, alegando ser esta a única via para "salvar a paz mundial". Ou seja, ameaçando veladamente com a guerra total, procurar obter a efetivação de regimes semi-comunistas nos países do Ocidente, fingindo uma tal ou qual liberalização da tirania que exercem no leste, até o momento em que se sentirem suficientemente seguros para dar o bote final.
É certo que, para tal manobra, os comunistas teriam à sua disposição grande contingente de clérigos e de políticos do Ocidente, aplaudindo-os incondicionalmente. Mas o problema para eles é outro: as populações deixar-se-ão enganar? Amedrontar?
No Rio, Missa por Samora Machel
R. Mansur Guérios
FOI OFICIADA missa de 7? dia, na Catedral de São Sebastião, no Rio de - Janeiro, pelo Bispo-auxiliar, D. João Moreira Lima, no dia 28 de outubro p.p., por alma do presidente da República Popular de Moçambique, Samora Moisés Machel. O ato litúrgico contou com a presença do Governador Leonel Brizola, do prefeito Saturnino Braga e respectivas esposas, de altos dignitários do governo daquele Estado, de representantes do corpo diplomático dos Estados Unidos, França, Itália, Portugal, Austrália, Áustria, Finlândia e Suíça.
É oportuno rememorar aqui, em rápidas linhas, a trajetória política do tão pranteado líder da Fretin) (Frente de Libertação de Moçambique). Treinado na Rússia, Machel assumiu a direção dessa organização guerrilheira em 1969, após a estranha morte, ocasionada por carta-bomba, do então presidente do movimento, Eduardo Chivane Mondlane.
Em 1976, já como presidente de Moçambique, viajou a Moscou e usou pela primeira vez a expressão "ditadura do proletariado" para descrever a orientação de seu governo. Declarou nessa ocasião pretender transformar Moçambique no "primeiro Estado inteiramente marxista da África".
Nacionalizou todas as instituições privadas de educação, saúde, bem como todos os edifícios e propriedades particulares. Perseguiu sobretudo a Igreja Católica, nacionalizando todos os edifícios religiosos, incluído o mobiliário, e proibiu o ensino religioso para jovens menores de 18 anos, que passaram a receber forte doutrinação marxista.
Ainda em 76, foi constituída a SNASP, organização policial, subordinada diretamente a Machel. Criada com a cooperação da KGB (a polícia política soviética), aquele organismo policial foi treinado por especialistas da Alemanha Oriental. A SNASP tinha a faculdade de prender qualquer pessoa sem acusações específicas e por tempo indeterminado. Através dela, Machel podia efetuar buscas em qualquer residência, a qualquer hora, sem ordem judicial, além de poder confiscar bens. Duas semanas após a criação dessa polida, seus agentes prenderam mais de 3.000 pessoas em Maputo, Beira, Nacala, Xai-Xai e Chimoio. Muitos dos prisioneiros foram enviados aos campos de re-educação, eufemisticamente chamados de "Centros para Descolonização Mental" (cfr. "Combat on Communist Territory", Regnery Gateway, Inc., Pelo Free Congress Research and Education Foundation, Washington, 1985, pp. 42-43).
Desde aquele ano até nossos dias, bem mais de 75.000 pessoas morreram no Gulag moçambicano. Entre 200.000 é 300.000, alcunhados de "parasitas contra revolucionários" , encontram-se atualmente em campos de concentração.
O falecido presidente moçambicano enviou 12.000 jovens de seu país, entre 8 e 18 anos, para a Alemanha Oriental. Lá, tiveram eles seus passaportes confiscados, sendo submetidos a trabalho escravo, em minas e fábricas. Motivo: pagar as enormes dívidas que o regime Machel contraíra com os soviéticos (cfr. Boletim "Howard Philips" Washington Date Line", Fort Worth, fev. 1985, p. 6).
Além disso, conseguiu Samora Machel conduzir Moçambique à miséria: na década de 60, a economia dessa nação crescera 2,6%. Na década de 70, -8,6%
QUANDO JESUS CRISTO É EXPULSO...
Mário A. Costa, nosso correspondente
WASHINGTON — Tendo em vista que o processo de apostasia da verdadeira Religião por parte das massas, no mundo moderno, atingiu um grau inaudito, a presença do preternatural torna-se cada vez mais notória.
É compreensível, pois, que o demônio procure dominar a sociedade atual, introduzindo-se com todo seu horror no lugar de onde foi expulso Nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim, a pretexto de folclore, de cultura, ou mesmo sem pretexto, diversas manifestações de satanismo vão se tornando moda neste sombrio final do século XX.
As duas notícias abaixo ilustram a ocorrência desse trágico acontecimento, em países considerados dos mais desenvolvidos da atualidade: Estados Unidos e Inglaterra.
Nenhum dos teóricos do comunismo vê na ditadura do proletariado o fim último do processo revolucionário. Segundo eles, haverá de chegar um momento em que o estado socialista hipertrofiado será vítima de sua própria hipertrofia, e desaparecerá, dando origem a um estado de coisas auto gestionário, cientificista, onde um estranho "homem novo" nascido de um misterioso "salto qualitativo brusco" viverá, por fim, com seus semelhantes, numa completa igualdade, liberdade e fraternidade. Como seria esta nova sociedade?
Em 1976, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira publicou a terceira parte de seu famoso livro "Revolução e Contra-Revolução" (cfr. "Catolicismo", janeiro 1977, no. 313). Tendo analisado nas duas primeiras partes — escritas em 1959 — o processo revolucionário que, através das etapas do Protestantismo, Revolução Francesa e Comunismo, está a levar a Cristandade rumo a um estado de coisas diametralmente oposto ao que florescera na Idade Média, a "doce primavera da Fé", o insigne pensador católico detinha agora a sua atenção sobre esse novo estado de coisas sonhado pela utopia comunista. Aonde pretende ela conduzir-nos? "É impossível não perguntar se a sociedade tribalista sonhada pelas atuais correntes estruturalistas não dá uma resposta a essa indagação", escreve o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Sobre o papel da religião, ou seu sucedâneo, nesta sociedade tribalista, ensina o preclaro Autor: na tribo, o pajé incumbe manter esta vida psíquica coletiva, por meio de cultos totêmicos carregados de "mensagens" confusas, mas "ricas" dos fogos fátuos, ou até mesmo das fulgurações provenientes do misterioso mundo da transpsicologia ou da parapsicologia" ("Revolução e Contra-Revolução", Diário das Leis, 1982, pp. 71-72).
Ao longo dos anos, "Catolicismo" tem posto em evidência o caminhar desta previsão rumo à sua realização. Um fato ocorrido nos Estados Unidos constitui significativa confirmação disso.
Bruxaria é reconhecida como religião
Em meados do ano passado, o Secretário do Tesouro, James Baker, informou o senador Jesse Helms, da Carolina do Norte (EUA), da existência de várias organizações satanistas e para prática de bruxaria, reconhecidas oficialmente como "religião" e gozando de isenção de impostos. Munido de tais informações, o senador conservador apresentou um projeto de lei que retirava a isenção de impostos a tais organizações, o qual obteve aprovação unânime do Senado, em novembro do ano passado, e foi rejeitado na Câmara pouco tempo depois.
Durante a controvérsia em torno do projeto, vários líderes de seitas praticantes de bruxaria enviaram cartas aos senadores, descrevendo suas crenças e ritos, e opondo-se a sua aprovação. "Catolicismo" obteve cópia de uma dessas cartas. É um documento a bem dizer estarrecedor, que mostra o quanto o processo mágico-tribalista vai progredindo na nação tida como a mais moderna do mundo. E agora, gozando da aprovação do Legislativo.
A carta, com data de 11 de outubro de 1985, está assinada por um "Reverendo Doutor Sidney Gavin Frost". Eis alguns trechos significativos:
"Somos bruxos, e praticamos uma religião minoritária, mas bem atestada e documentada.
"Estamos reconhecidos como religião pelo governo federal no seu Manual de Capelães; em dita publicação, os capelães recebem instruções respeito aos serviços a serem dados aos bruxos nas Forças Armadas e no campo de batalha.
"Temos sido reconhecidos pelo IRS (serviço de impostos do Ministério da Fazenda) como dignos de ter o `status" de Associação Religiosa.
"Temos uma existência legal muito bem definida. Temos um credo e um culto reconhecidos. Temos um sistema de controle e governo eclesiástico definido e diferente das outras igrejas. Embora cada grupo de bruxos seja de si pequeno, ele tem inerente dentro de sua estrutura um governo eclesial.
"Temos uma história religiosa definida, que em nossa opinião data de 4.000 anos AC, pois nossos ritos podem ser vistos nas pinturas das cavernas primitivas de Altamira, Espanha.
"Temos um corpo de membros que não estão associados a nenhuma outra igreja. Temos uma completa organização de ministros, que realizam seu trabalho pastoral nas congregações. Temos um bem definido programa de estudos para nossos ministros. Temos congregações regulares. Realizamos regularmente atos de culto religioso.
"Embora não tenhamos "escolas dominicais" para educar nossos filhos... entretanto, cuidamos para que nossos jovens sejam educados com uma sólida ética religiosa.
"Somos uma igreja oficialmente reconhecida nos Estados Unidos desde 1968.