CONGRESSO EUROPEU CONTRA O ABORTO
Nelson Ribeiro Fragelli, nosso correspondente
ROMA — "O aborto na Itália é utilizado como instrumento normal de controle da natalidade", declarou recentemente o Prof. A. Golini, da Universidade de Roma e Diretor do Instituto de Pesquisas da População, da Comissão Nacional de Pesquisas (CNR). Sua afirmação foi feita ao "Osservatore Romano", durante o Seminário "Incidência, tendências e características do aborto voluntário: experiências internacionais e a situação italiana".
Segundo o referido professor, o número de abortos na Itália, em 1979, foi superior a 190 mil. Com essa cifra espantosa torna-se a primeira nação europeia em número de abortos, superando os países mais abortistas tais como os escandinavos e os da Europa Oriental.
Essa realidade torna-se particularmente estarrecedora, tendo-se em vista ser a Itália um país maciçamente católico e que abriga a Sede do Papado. Para fazer frente a essa investida criminosa contra a instituição da família, leigos se organizaram. Assim, nos dias 25, 26 e 27 de abril, reuniu-se em Roma, na Aula Magna do "Augustinianum", próximo à Basílica de São Pedro, o "Congresso Europeu pela Vida", organizado pelos movimentos "Europa Pro Vita" e "Alleanza per la Vita". Este último é filiado à "Alleanza Cattolica" - associação que há vários anos desenvolve pujante atividade contra-revolucionária na Itália. No que diz respeito ao aborto, além da publicação de valiosos artigos em sua revista "Cristianità", divulgados através de campanhas em portas de igrejas, "Alleanza Cattolica" requereu junto à Corte de Cassação a realização de um referendum nacional a fim de ab-rogar a lei n.° 194, aprovada pelo governo democrata-cristão de Giulio Andreotti, introduzindo o aborto na Itália, em maio de 1978.
Êxito
Durante os três dias do Congresso, seus 500 participantes ouviram conferências de expoentes mundiais na luta anti-abortista. Médicos, professores, juristas e Sacerdotes se sucederam na tribuna. O médico polonês, Dr. Stefan Wilkanowicz presidiu uma das sessões e apresentou interessante relatório sobre a temática em questão.
Jovens militantes da "Alleanza Cattolica", vindos de todas as regiões do país, asseguraram a perfeita ordem dos trabalhos. Eram eles também que, nos intervalos, animavam as conversas.
No dia 27, sob o intenso sol primaveril, na Praça de São Pedro, durante uma audiência geral de João Paulo II a 30 mil pessoas, este, voltando-se para os congressistas ali dispostos em lugar de destaque, acentuou "que a vida humana é sagrada, isto é, está acima de todo poder arbitrário que quisesse atentar contra ela, injuriá-la ou mesmo suprimi-la".
A imprensa nacional deu ampla e prestigiosa cobertura ao andamento dos trabalhos, cujo êxito se deve, em larga medida, à capacidade de organização e ao dinamismo dos membros de "Alleanza Cattolica".
Convidada a participar, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade — TFP — enviou, através do secretário da sua Comissão Médica, Dr. Murillo Maranhão Galliez, ampla exposição sobre as investidas abortistas no Brasil, nos últimos anos, bem como a atuação desenvolvida pela TFP para contê-la. Entretanto, a presença da TFP também foi assinalada, desde o primeiro dia, quando o orador representante de "Alleanza Cattolica", Dr. Massimo Introvigne, analisando as relações existentes entre o aborto e a revolução sexual, destacou ser "esta última considerada como o aspecto de maior evidência, que se manifesta na fase mais avançada do processo revolucionário, que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira classifica como "a Quarta Revolução" em seu livro "Revolução e Contra-Revolução".
Aborto e Revolução
No encerramento dos trabalhos, o Sr. Giovanni Cantoni, dirigente nacional da "Alleanza Cattolica" inseriu o aborto dentro do desenvolvimento do processo revolucionário que visa destruir a Cristandade. O conferencista declarou basear suas ideias nas categorias de pensamento apresentadas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira na mencionada obra "Revolução e Contra-Revolução". "A Revolução moderna — afirmou o Sr. Cantoni — proclamou a morte do Estado e a morte do direito. Mas a morte do Estado é apenas seu desligamento de toda norma ou lei superior. E, pois, estatismo totalitário. A morte do direito é a morte do direito natural e o triunfo geral do direito positivo e da opressão administrativa. Assim, enquanto nasce um legalismo que considera lícito tudo o que está de acordo com a apresentação exterior do direito e as formas processuais, o primeiro entre os direitos naturais, o direito à vida, é negado pelo aborto. A legalização deste inaugura um perfeito totalitarismo [...] o regime de todos os horrores, do qual se poderá fugir apenas com uma ação articulada e meditada e com o recurso à oração, à intercessão da Virgem Maria que prometeu em Fátima: "Por fim o meu Imaculado Coração triunfará".
O presidente de "Alleanza Per la Vita", Prof. Agostino Sanfratello, concluiu o Congresso afirmando que a conquista da verdade será alcançada se o mundo católico souber superar sua atonia e evitar ciladas dos adversários. "Confiamos o êxito de nosso combate - concluiu o Prof. Sanfratello — e a boa causa representada pela defesa do sangue inocente de tantos de seus filhos à Bem-aventurada Virgem Maria, pedindo-Lhe que nos obtenha a fortaleza necessária para conduzir plenamente o bom combate. Por isso, os trabalhos do congresso se encerram agora com a recitação da Salve Regina".
500 delegados de vários países participaram do Congresso Europeu pela Vida, realizado em Roma.
MULHERES RUSSAS SÃO “BURROS DE CARGA”
C. E. Schaffer
MONTREAL - As mulheres russas são tratadas como burros de carga, obrigadas a sujeitar-se a degradantes filas para obter alimentos diariamente, enquanto os homens vão embebedar-se nos botequins. "Nossos homens preferem começar uma nova guerra do que fazer alguma coisa pela sorte das mulheres".
Estas são apenas duas das amargas queixas das mulheres russas, divulgadas recentemente num “samizdat” (boletim clandestino) que acaba de ser divulgado no Ocidente.
As mulheres russas imploram melhores condições de vida, num país onde sofrem as consequências da "lei da igualdade" entre os sexos. Protestando contra a hipocrisia do Estado soviético a esse respeito, o "samizdat" denuncia ainda a desumana situação nos jardins de infância e nos hospitais.
As babás do Estado comunista roubam a alimentação das crianças, e as condições de trato, alojamento e higiene nos hospitais atingem um grau inimaginável. "Os gemidos e gritos lancinantes ... constituem um trauma para quem tem alma", diz o documento.
Num pequeno volume intitulado "Almanaque" divulgado anteriormente ao boletim clandestino, as mulheres soviéticas descrevem o homem típico de seu país como "um beberrão que deixa quase todo o trabalho da família para as mulheres ... um preguiçoso que gasta nos botequins grandes parcelas de seu já insuficiente salário". E queixam-se de não se ver nunca homens nas filas para comprar alimentos.
O "Almanaque" e o "samizdat" sobre as condições de vida das mulheres russas circulam clandestinamente em cópias manuscritas. Suas autoras prometem para breve novas denúncias, mas a KGB já as tem na alça de mira e provavelmente não haverá um "Almanaque" número dois. (Agência Boa Imprensa — ABIM)
Em Moscou, quase só mulheres enfrentam filas para comprar qualquer produto. Nesta foto recente elas se comprimem diante de uma loja onde acaba de chegar vestidos do Ocidente.