LIVRO DESMASCARA "COMPROMISSO HISTÓRICO" NA ITÁLIA
Péricles Capanema
A ITÁLIA atrai naturalmente atenção do público interessado na evolução dos combates ideológicos e políticos contemporâneos. Seja pela importância do país, seja pela inteligência e vivacidade de seu povo, ou — muito mais — porque aí se encontra a Cátedra de São Pedro, sede do mundo católico.
O que lá acontece, repercute intensamente nos corações católicos. E daí, em ondas sucessivas, no espírito dos povos.
O grande terna da política italiana, na atualidade, é o "compromisso histórico", tática de longo alcance desenvolvida pelo PCI, destinada a permitir sua entrada no governo como aliado da Democracia Cristã. Feita a aliança DC-PC, na Itália, poder-se-ia dizer que começa nova era na vida dos povos do Ocidente. O comunismo deixaria de ser o inimigo velhaco e implacável, transformando-se em parceiro tratável com o qual se pode portanto negociar habitualmente.
Por isso, o secretário-geral do PCI, Enrico Berlinguer, e seus comparsas são tão ciosos na difusão da imagem legal e democrática de sua organização. A situação peninsular é delicada para os estrategistas do comunismo internacional.
Nesse contexto, é com alegria que se saúda a publicação de nova obra do talentoso escritor Giovanni Cantoni, "La Lezione Italiana", que discorre com brilho e penetração sobre a situação de seu país nos últimos anos, especialmente de 1973 a 1979, recorrendo, quando necessário, a esclarecedoras visões históricas de conjunto. O livro reúne com sucesso colaborações do autor, publicadas anteriormente em Cristianità, órgão do pujante e benemérito movimento Alleanza Cattolica, dirigido também por Giovanni Cantoni.
Além desses artigos de atualidade, o livro traz a monografia "Il compromesso culturale" que lhe valeu uma carta de encômio do Arcebispo militar honorário do país, D. Arrigo Pintorello. Estampa em suas páginas finais carta aberta de Alleanza Cattolica ao Cardeal Poletti, Vigário de Roma, datada de novembro de 1975, E, a propósito de declarações do alto dignitário eclesiástico, analisa o panorama religioso quanto à real seriedade da luta anticomunista no país.
Publica ainda o oportuno ato de consagração da Itália ao Imaculado Coração de Maria, realizado em 13 de setembro de 1959, na conclusão do Congresso Eucarístico Nacional em Catânia, lido pelo Núncio Papal Cardeal Marcello Mimmi em nome do Episcopado e do povo italiano.
A vasta cultura do autor, a utilização com maestria da difícil arte das citações, o discernimento das manobras atuais da Revolução na Itália, prendem o leitor por dois lados: a importância do tema e o agrado na leitura.
O conhecimento profundo das obras tanto contra-revolucionárias, quanto democrata-cristãs e comunistas conferem ao texto a segurança de interpretação e de doutrina, tão carente em trabalhos do gênero.
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Escolhemos três citações entre muitas e deixamos ao leitor a avaliação da qualidade dos textos escolhidos. Analisando a política entreguista e, a longo termo, pró-comunista da DC italiana, Giovanni Cantoni inclui citações de conhecidos políticos em apoio a sua demonstração. De Georges Bidault, ex-ministro e dirigente do MRP na França:
"Gouverner au centre et faire, avec les moyens de la droite, la politique de la gauche" (governar no centro e fazer, com os meios da direita, a política da esquerda).
De Gasperi, um dos mais importantes líderes democrata-cristãos do após guerra, também é citado, sendo apresentada uma significativa frase de sua autoria: "A Democracia Cristã é um partido de centro tendente à esquerda que obtém quase a metade de sua forca eleitoral de uma massa de direita" (p. 25).
E para terminar, de Gramsci, o oráculo do comunismo italiano e seu mais conhecido líder e intelectual: "Os do Partido Popular [a agremiação política antecessora do PDC na Itália] representam uma fase necessária no processo de desenvolvimento do proletariado italiano em direção ao comunismo [...] O catolicismo democrático faz o que o comunismo não pode: amalgama, ordena, vivifica e se suicida.[...] Por isto não causa temor aos socialistas o avanço impetuoso dos do Partido Popular [...] Estes estão para os socialistas assim como Kerensky estava para Lenine" (p. 38).
Outro aspecto que agrada em "La Lezione Italiana" é a facilidade de correlações e analogias na análise dos vários panoramas internacionais.
A comparação da malograda via chilena para o comunismo com a situação italiana e suas repercussões no calibramento da estratégia comunista para a Itália constitui um dos pontos altos do trabalho. Não se pode deixar de lado também a análise do "compromisso histórico" como fruto amadurecido de uma árvore plantada na tristemente célebre Conferência de Yalta, ocasião em que se lançaram os alicerces da imprudente cooperação entre o mundo não-comunista e a Rússia, e em que o sorriso otimista de Roosevelt foi logrado pelo olhar vulpino de Stalin. Isto para não retroceder mais e ver as raízes do "compromisso histórico" na política gramsciana, hoje tão em voga exatamente por corresponder às atuais táticas do PCI, na sua longa marcha em direção ao poder.
A análise do progressismo católico — visto pelo autor como o grande obstáculo para que a Itália católica possa florescer com pujança — ressalta as íntimas relações entre o esquerdismo político "católico" e o modernismo, cuja versão atual constitui o citado progressismo. Giovanni Cantoni lembra com acerto Gramsci, que afirmava: "Modernismo significava politicamente democracia cristã".
Por todos esses aspectos — e vários outros que uma rápida rescensão é obrigada a deixar de lado — "La Lezione Italiana" certamente está fadada a fazer grande bem aos italianos, em virtude da grande confusão gerada pelas rápidas mutações do cenário político internacional.
Autenticidade do Santo Sudário é evidente, concluem cientistas
Fausto Pinheiro
“Todos nós pensamos que iríamos encontrar uma falsificação e que em meia hora estaríamos fazendo as malas para voltar" — declarou Thomas D'Muhala, líder dos 40 cientistas que foram a Turim estudar o Santo Sudário, acrescentando que agora as provas tornam evidente a autenticidade da relíquia. A declaração do pesquisador, bem como a narração do trabalho realizado pela equipe de cientistas, acabam de ser publicadas pelo jornal norte-americano "The Catholic News", em sua edição de 6-1-80.
D'Muhala é um dos cinco diretores do Projeto de Pesquisa do Sudário de Turim, presidente da Nuclear Technologies Corp., de Amston, Estados Unidos, consultor de mais de 50 empresas e laboratórios de pesquisas e reconhecida autoridade em descontaminação nuclear. Entre os 40 cientistas que com ele examinaram o Santo Sudário durante seis dias, em outubro de 1978, encontravam-se representantes do Exército, Marinha e Força Aérea norte-americanos, da NASA, do FBI, do governo canadense e do laboratório científico de Los Alamos, bem como de outras companhias privadas norte-americanas. Entre eles havia católicos, como também protestantes, ateus, agnósticos e judeus.
O Santo Sudário, como se sabe, envolveu o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo após sua morte. A figura inteira do Salvador ficou milagrosamente estampada no tecido, hoje amarelado, medindo aproximadamente 4,60 m por 1,20 m.
Desaparecido durante séculos, foi reencontrado em meados do século XIV.
É, talvez, a mais sagrada relíquia depois do Santo Lenho. Encontra-se atualmente na Catedral de Turim, onde, em diversas ocasiões, foi exposto à veneração pública.
As experiências científicas a que foi submetido são de quatro categorias: fluorescência de raios X para avaliar os elementos que constituem o Sudário; uma fita fotográfica por computador e ampliação da imagem; e finalmente análises com o emprego de carbono 14 para avaliar a idade da relíquia.
A primeira surpresa dos cientistas foi notar a cor magenta (vermelho violáceo) em lugar do marron escuro que imaginavam. Examinando mais detidamente, descobriram amido de milho, utilizado na fabricação de tecidos na Palestina. Essa substância impede a coagulação normal do sangue, mantendo sua cor viva, dissipando assim a dúvida de que algum artista houvesse pintado as manchas do Sudário.
Utilizando técnicas de ampliação desenvolvidas em laboratórios espaciais, os cientistas concluíram que a Vítima — Nosso Senhor — sofreu 120 chicotadas, número superior ao que pode ser suportável por quem é açoitado com instrumento feito com três tiras de couro, cada um deles tendo uma pequena esfera de ferro na ponta.
O tecido revela também profundas chagas ao redor da cabeça, produzidas não por uma simples coroa aberta, mas por algo como um gorro de espinhos que feriam não apenas a fronte e os lados, mas toda a cabeça. Além das chagas dos pulsos e dos pés, a análise do sangue vertido comprova que o Homem teve de carregar um grande peso. Há uma evidente chaga profunda ao lado, com indicações de que da mesma jorrou sangue e água.
O mais impressionante é a imagem impressa no tecido: exatamente a figura em negativo de um Homem crucificado.
O Sr. D'Muhala assegura que nenhuma experiência deu margem a supor-se qualquer forma de falsificação. E acrescenta que o Santo Sudário de Turim apresenta a única imagem produzida em três dimensões que se conhece. Concluiu afirmando que todos os cientistas com quem falou creem na autenticidade do Sudário. Um deles, converteu-se ao Cristianismo.
Quantos saberão aproveitar mais esta imensa graça, numa época de tanta indiferença e incredulidade? (Agência Boa Imprensa — ABIM).
A majestosa figura do Salvador no Santo Sudário (em negativo)
AUXÍLIO DA TFP CHEGA AOS FLAGELADOS
Com a distribuição de donativos às populações flageladas pelas enchentes do rio São Francisco, no sertão baiano, a TFP encerrou a última fase da campanha de Natal, que realizou em benefício dos pobres do Nordeste.
Conforme já noticiamos em edições anteriores, a TFP angariou, por ocasião das últimas festas natalinas, cerca de três milhões de cruzeiros de donativos em dinheiro e em espécie. Essa campanha foi realizada entre os dias 14 e 24 de dezembro passado em São Paulo (incluindo dez municípios da Região Metropolitana), Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza, João Pessoa, Florianópolis, Campos (RJ) e Ribeirão Preto (SP).
Os donativos em dinheiro somaram exatamente Cr$ 1.425.121,21, enquanto os bens em espécie (objetos religiosos, brinquedos, gêneros alimentícios, material de limpeza e higiene, peças de vestuário, roupa de cama, mesa e banho, tecidos e calçados) foram estimados em Cr$ 1.522.755,62, perfazendo o total de Cr$ 2.947.876,83.
Distribuições também em São Paulo, Fortaleza, João Pessoa e Recife
Os donativos em gêneros perecíveis, que não resistiriam à viagem até o Nordeste, foram distribuídos imediatamente após a campanha. Em São Paulo, dia 2 de janeiro p.p., sócios e cooperadores da TFP, com suas capas e estandartes rubros, percorreram a favela existente na Vila São Rafael, com finalidade de distribuir os gêneros alimentícios à população necessitada.
Também nas capitais de Pernambuco, Paraíba e Ceará, a TFP distribuiu os donativos em espécie coletados respectivamente nessas cidades, cuja entrega foi feita a entidades beneficentes locais, sob obrigação de os distribuírem a seus assistidos.
Em Fortaleza, a TFP destinou tais donativos à Sociedade Educacional e Beneficente São José (da Congregação das Irmãs Josefinas).
Em Recife, confiou-nos à Ala Feminina da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, a fim de serem distribuídos entre necessitados da zona rural.
Em João Pessoa, a distribuição ficou a cargo do Lar da Providência Carneiro da Cunha (ex-Asilo de Mendicidade).
Preparação trabalhosa
Árduo e cuidadoso trabalho precedeu à distribuição dos bens não perecíveis e do dinheiro arrecadado. De um lado, a seleção das zonas mais necessitadas do Nordeste. De outro, a tarefa de separar, contar, e acondicionar o material em caixas próprias a fim de permitir seu transporte com segurança para locais tão distantes.
Quando uma comissão da TFP — designada para percorrer o Nordeste a fim de examinar as regiões mais carentes — já concentrava sua atenção em áreas pobres do interior do Piauí e do Ceará, sobrevieram as enchentes de fevereiro. Outra comissão dirigiu-se então para o vale do rio São Francisco, na zona denominada sertão baiano, numa viagem de 15 dias, durante a qual travou contatos com as autoridades dos diversos municípios assolados. Tendo que vencer difíceis obstáculos quanto ao transporte e comunicações, os enviados da TFP puderam medir de perto a extensão da calamidade. Em vários municípios, as estradas eram quase intransitáveis, exigindo várias baldeações para se transpor trechos alagados.
Concluída a viagem, escolheram-se sete municípios numa área que se estende ao longo de mais de 500 quilômetros, às margens do rio São Francisco.
A caminho do sertão baiano
Numa tarde quente da primeira semana de março, a movimentação intensa na sede que a TFP mantém no bairro de Tatuapé, na capital paulista, indicava algo de especial. Tratava-se do carregamento dos caminhões que levariam 983 volumes contendo os donativos.
De acordo com o estabelecido entre a TFP e as prefeituras, as caixas foram destinadas aos municípios de Bom Jesus da Lapa e Barra.
Só depois de 108 horas e meia de acidentada viagem as cargas chegaram à primeira dessas cidades. A caminho, registraram-se atos de generosidade notáveis, por parte de pessoas solidárias com a iniciativa da TFP. É o caso de um mineiro de Montes Claros, que confiou seu automóvel à guarda de estranhos numa cidade da Bahia, para servir de chofer de um dos caminhões, cujo motorista adoeceu durante a viagem.
Esse carregamento correspondia a 734 objetos religiosos, 3.125 brinquedos, 2.066 latas ou vidros de alimentos, 8.061 volumes de alimentos empacotados, 1.620 pacotes de alimentos originariamente ensacados, 991 kg de outros alimentos, 926 peças de material de limpeza ou higiene, 6.220 peças de vestuário, 140,95 kg de retalhos, 109 peças de roupa de cama, mesa e banho, 160,45 m de tecidos, 1.372 pares de calçados e 1.167 peças de materiais diversos.
Os donativos em dinheiro foram destinados aos demais municípios: Paratinga e Xique-Xique, dos mais prejudicados pelas enchentes, receberam cada um Cr$ 175.000,00; Malhada e Ibotirama beneficiaram-se com Cr$ 150.000,00 cada um; Carinhanha recebeu Cr$ 100.000,00.
A entrega foi feita a cada prefeito, com a obrigação de distribuir os donativos aos flagelados do respectivo município.
Conforto espiritual
A par do auxilio material, a TFP preocupou-se em transmitir uma palavra de alento e conforto espiritual aos flagelados. Com esse intuito, distribuiu entre eles 10.080 medalhas de Nossa Senhora (a Medalha Milagrosa, cunhada segundo os requisitos indicados pela Virgem na visão de Santa Catarina Labouré), 4.704 terços e 5.000 folhetos explicativos de como rezar o Rosário.
Os habitantes das zonas castigadas pelas águas demonstraram vivos sentimentos de Fé, resignação e gratidão, impressionando os sócios e cooperadores da TFP que participaram da distribuição. Milhares de pessoas tiveram suas casas destruídas ou danificadas. Só em Bom Jesus da Lapa, a principal cidade da região, pelo menos três mil pessoas estavam vivendo precariamente em abrigos improvisados com galhos de arbustos cobertos com lonas plásticas. Em todos, notava-se um espírito profundamente marcado pela Fé, o que, em larga medida, parece dever-se à influência que o Santuário do Senhor Bom Jesus exerce sobre a população.
Sete cidades viram tremular ao vento o estandarte rubro com o leão rompante da TFP. Conhecido em todo o País pela destemida luta doutrinária anticomunista da associação, ele também representava, para os desventurados flagelados da Bahia, a ajuda material e o apoio moral que lhes vinha de seus irmãos do Sul.
Bahia, o Estado mais atingido pelas enchentes
Dolorosa circunstância posterior à campanha de Natal pelos pobres do Nordeste levou a TFP a concentrar a distribuição da maior parte dos donativos em uma só área de nosso tão vaste Nordeste. Trata-se das trágicas inundações que assolaram o Estado da Bahia, afetando de modo especial a região conhecida como sertão baiano, e especificamente a bacia do rio São Francisco, região, por si mesma, consideravelmente mais carente do que as demais daquele Estado.
Os prejuízos provocados pelas últimas enchentes na Bahia alcançaram mais de quatro bilhões de cruzeiros. A estimativa das autoridades baianas baseia-se num levantamento dos danos causados ao comércio, indústria e agropecuária, bem como a residências, nos 64 municípios atingidos. Com 116 mil desabrigados, a Bahia tornou-se o Estado mais assolado pelas inundações de fevereiro passado.
As águas do caudaloso rio São Francisco, que em anos anteriores já vinham transbordando de modo a criar situações dramáticas, este ano determinaram um estado de calamidade. Para se medir a aflição e o desamparo das populações ribeirinhas, basta dizer que as enchentes se prolongaram por mais de 40 dias, sem que as águas voltassem ao nível normal.
Considerando que essa era então a região do Nordeste sujeita às mais críticas condições, a TFP julgou interpretar o consenso geral dos doadores destinando aos flagelados do vale do São Francisco no sertão baiano todos os donativos coletados, exceção feita do material recebido em Recife, João Pessoa e Fortaleza, o qual foi atribuído às populações carentes locais.
Uma comissão da TFP percorreu, durante 15 dias, vários municípios do sertão baiano para avaliar a extensão dos efeitos das enchentes e selecionar os municípios mais necessitados. Depois de vencer todas as dificuldades de acesso à região e manter contatos com as autoridades locais, apontou as cidades mais atingidas: Xique-Xique, Barra, Ibotirama, Paratinga, Bom Jesus da Lapa, Carinhanha e Malhada. Por intermédio dos prefeitos desses municípios, a TFP distribuiu aos flagelados os donativos coletados em sua campanha de Natal pelos pobres do Nordeste.
Em São Paulo, o carregamento de cerca de mil caixas de donativos em espécie
Enquanto uma criança prova sua roupinha nova, outros necessitados aguardam a vez de receber seu donativo
De canoa, caravanistas da TFP levam auxílio aos flagelados das inundações do rio São Francisco