Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 334 | página 06-07

Em Miracema, desagravo ao Vigário e homenagem ao Bispo de Campos

Calorosa manifestação de apoio e desagravo ao Vigário de Miracema, Diocese de Campos, Rio de Janeiro, Pe. José Olavo Pires Trindade — que vinha sendo alvo de insistente campanha publicitária movida especialmente pela TV Globo, através do programa "Fantástico" - realizou-se dia 9 de setembro p. p., no espaçoso salão paroquial daquela cidade.

Mais de 400 pessoas compareceram ao ato. O Exmo. Sr. Bispo de Campos, D. Antonio de Castro Mayer, fez-se representar pelo Pe. Eduardo Atayde, Vigário de Santo Antonio de Pádua. Também estiveram presentes o Pe. Gervásio Gobbato, Vigário de Lages do Muriaé, o Pe. Antonio Silva, Vigário de São Fidelis, o Pe. David Franceschini, Vigário de Cardoso Moreira e o Pe. José Eduardo Pereira, Vigário de São João da Barra.

Discursando em nome das associações religiosas da cidade, a secretária do Apostolado da Oração, Da. Esmeralda Lemos Cintra, ressaltou a estima que o Pe. José Olavo goza junto a seus paroquianos.

Em nome dos católicos em geral, falou o advogado Miguel Ângelo de Martino Alves. O Pe. Eduardo Atayde, representando D. Antonio de Castro Mayer, enalteceu as excepcionais virtudes morais e o inquebrantável zelo apostólico do Vigário de Miracema.

Durante a solenidade, o Pe. José Olavo recebeu ainda caloroso apoio do senador Benjamin Farah. Através de mensagem lida pelo Sr. Marinus Perissé, o parlamentar fluminense hipotecou toda solidariedade ao Sacerdote, bem como ao Bispo de Campos.

Todos os oradores fizeram alusão à campanha movida pela TV Globo contra o Pe. José Olavo e D. Mayer, sendo calorosamente aplaudidos.

Integrando o numeroso público que prestou a homenagem, destacavam-se pais de cooperadores da TFP local, bem como integrantes da Associação Santa Joana d'Arc e demais entidades religiosas da paróquia de Miracema.

Homenagem a D. Mayer

Em solenidade igualmente brilhante e concorrida, foi homenageado a 24 de setembro, no mesmo local, o Bispo diocesano, D. Antonio de Castro Mayer.

Saudou S. Excia. Revma. a Prof.a Oraide Alves da Silva, cujo discurso sintetiza, em figuras eloquentes, a atividade pastoral do Bispo de Campos.

A oradora iniciou seu discurso ressaltando a felicidade que significa ter D. Antonio de Castro Mayer por Pastor. Por quê? - indaga. E responde: "V. Excia. Revma. condicionou-nos a receber a Verdade sem tergiversações, sem distorções: aprendemos a aceitá-la e a amá-la como um sol radioso a espancar as trevas não só da impiedade e da heresia, como de doutrinas filosóficas materialistas e pagãs.

"Embora leigos e não versados em teologia, compreendemos a grandeza que se desprende das pastorais de V. Excia. Revma., proporcionando a visão universal dos problemas eclesiais no que pode tanger a leigos".

Prosseguindo, a oradora ressaltou que D. Mayer é o Pastor que "sempre nos inculcou o respeito, a fidelidade, a veneração pelo tesouro místico da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, patrimônio invulnerável no curso dos tempos, porque sacralizado por seu Fundador e por Ele naqueles que O continuavam, conservando-o uno e intangível, à sombra de seus mistérios, de seus cânones e de seus dogmas. E esta doutrina trazida até nós pela Tradição, enriquecida pela santidade e heroísmo de tantas almas que por ela se ofereceram em holocausto como testemunhos vivos do enlevo que lhes desperta, esta doutrina é a razão de nossa vida e por ela não é demasiado o martírio".

Referindo-se ao processo de autodemolição na Igreja, aludido por Paulo VI, a Prof.a Oraide Alves da Silva ressaltou a situação privilegiada da Diocese de. Campos, pois seu Bispo "espancou todas as nuvens e fez com que em seu céu resplandecesse em fulgurações multicores a Estrela milenar, que é a Santíssima Virgem, Mãe de Deus, Rainha dos Apóstolos e Medianeira de todas as graças. V. Excia. Revma., portanto, por Maria, venceu todas as borrascas e chegou até nossos dias incólume como defensor incansável da verdadeira doutrina católica, não lhe permitindo nenhuma desfiguração ou amesquinhamento".

"As cartas pastorais de V. Excia. Revma. dão este testamento eloquente: fidelidade, certeza, segurança, intrepidez, invencibilidade, ortodoxia.

"Como ovelhas privilegiadas de seu aprisco, acompanhamos com o coração os efeitos da Pastoral "Pelo casamento indissolúvel", divulgada e difundida nos quadrantes da Pátria, de norte a sul e de leste a oeste; e o poder legislativo se curvou a sua evidência naquela ocasião. "A Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo" - que manancial inesgotável de conhecimento de nosso Deus! "Por um cristianismo autêntico", coletânea de Pastorais que traduzem para os católicos aquelas verdades que são pontos permanentes de referência para uma vida dedicada a Deus. Eis a "A Mediação Universal de Maria" - que doutrina, capaz de converter mesmo as almas, tornando-as enamoradas da graça que coloca Maria, a Santíssima Virgem, no topo das nossas aspirações".

Após dirigir a D. Mayer o pedido de que visite com mais frequência a cidade, a oradora concluiu:

"Se tivéssemos alguma dúvida do carinho de V. Excia. Revma. pela nossa paróquia, se algum dia pudéssemos alojar um pensamento desses, ele se dissiparia a um jato de luz: a escolha feita por V, Excia. Revma. de nosso Revmo. Vigário, Pe. José Olavo Pires Trindade, para nossa Miracema. Isso foi prova de que nossa Paróquia foi alvo de sua paternal solicitude, pois aquele que conduz as ovelhas deste redil à luz emanadora do grande aprisco, a nossa Diocese, é a imagem que nossa fé concebe do verdadeiro Sacerdote, desde sua austeridade pessoal até seu apostolado fecundo, levando de vencida todos os embargos, inclusive os forjados pelo espírito das trevas.

"Obrigado, Sr. Bispo, Deus retribua a caridade de V. Excia. Revma. numa medida que some todos os nossos agradecimentos".

Grandeza do múnus episcopal

Também o Sr. Fernando Antonio Possidente usou da palavra, lembrando inicialmente a grandeza própria à autoridade episcopal, para referir-se então ao homenageado:

"...um verdadeiro Bispo e Pastor de nossas almas, intransigente defensor da doutrina de Jesus Cristo, que, com varonil coragem, escudado na proteção indispensável da Mãe de Deus e nossa, enfrenta os males deste tempo, que têm conseguido penetrar até mesmo pelos umbrais da Igreja, a ponto de S.S. o Papa Paulo VI declarar que a "fumaça de satanás" penetrara na Igreja de Deus, certamente através de seus homens".

Discorrendo sobre o significado de cada uma das insígnias episcopais, o orador detém-se especialmente no listei de D. Antonio de Castro Mayer:

"No seu brasão, encontramos o lema orientador de todo o seu apostolado: Ipsa conteret. [...].

"No meio das trevas de nosso século, entre as desgraças já sofridas e as ameaças, mais terríveis do que nunca, de novas desgraças sociais e políticas; neste instante em que os horizontes internacionais turvam-se carregados de nuvens tempestuosas; neste momento em que a sociedade se decompõe e se putrefaz na escuridão; nesta hora de sofismas impudentes; violências pusilanimemente toleradas; propagandas de doutrinas mortíferas covardemente permitidas; degradação de costumes como jamais vimos; proliferação de torpezas sexuais muitas vezes legalizadas; uma geral crueldade que se manifesta em latrocínios, prevaricações, calúnias frias e injúrias perversas; uma universal irresponsabilidade, em atos de governantes e em desídias de governados; e uma delirante anarquia na vida pública e na vida privada — cumpre-nos apelar, com todas as forças, para Aquela [...] que já venceu o espírito das trevas: Maria Santíssima. Ipsa conteret. Ela esmagará".

Pronunciou-se ainda o advogado Miguel Angelo de Martino Alves, falando de improviso. Presente à mesa, homenageou D. Mayer o Presidente da Câmara dos Vereadores, Dr. Salvador Mercante. Fez uso da palavra, por fim, o Vigário local, Pe. José Olavo Pires Trindade.

O Sr. Bispo agradeceu a filial homenagem e, na ocasião, lembrou aos fiéis o dever de nas próximas eleições não sufragarem candidatos que se manifestaram ou se manifestam favoráveis ao divórcio. Ou que sejam favoráveis a outras medidas legais contra a ordem natural e a Lei de Deus, como a limitação da natalidade, o aborto etc.

Considerável número de pessoas prestou homenagem de desagravo ao Vigário de Miracema e ao Bispo de Campos

Prof.a Oraide Alves da Silva


Conclusão da pág. 5

Sobre um programa...

7. POR RAZÕES análogas às já expostas, é explicável que elementos da chamada "esquerda católica" se portem conosco animados pelos ressentimentos da unilateralidade. Dentro da Igreja, a infiltração do comunismo se tem feito sentir de modo notório. Disso está tão certa a opinião nacional que, já em 1968, 1.600.368 brasileiros subscreveram, em 58 dias, a mensagem que enviamos a Paulo VI, pedindo medidas contra a infiltração comunista nos meios católicos.

De então para cá, o perigo não fez senão crescer. E de modo tão impressionante que, em 1977, dois Arcebispos, sem a menor vinculação conosco, denunciaram à nação o perigo face ao qual, de nosso lado, já vimos atuando.

No que está, perguntamos, a falta de caridade cristã? Em apontar o perigo que ameaça a Igreja e alarma os bons católicos? Não está, pelo contrário, em cruzar os braços diante dele?

8. COM AS presentes considerações, não queremos alimentar polêmicas. Mas apenas esclarecer alguns brasileiros que não nos compreendem. E abrir seus olhos para o que fazem.

A quem aproveita a manifestação das prevenções apressadas e mal informadas deles, contra a maior entidade civil anticomunista do País? É no que, cordial e atenciosamente, gostaríamos refletissem.

Não nos julguem sem nos conhecer: é só o que lhes pedimos.

Não se lhes poderia pedir menos, nem mais afavelmente.

9. OUTRAS ponderações ainda caberia formular acerca da matéria posta no ar, sobre a TFP, pela TV Globo. A falta de espaço não nos permite fazê-lo. Sobre os assuntos ligados a Miracema e outras Paróquias da Diocese de Campos — pelos quais o programa "Fantástico" nos responsabiliza — aduzimos tão só o que segue:

D. Antonio de Castro Mayer, Bispo de Campos, dotado da inteligência, cultura e personalidade que lhe valeram renome nacional e internacional, obviamente não pode ser tido como mera "marionete" da TFP. Tem ele seu Seminário, no qual forma seus Sacerdotes segundo o espírito e a doutrina da Igreja. Sacerdotes dedicados e modelares, nos quais também é impossível ver meras marionetes da TFP.

Sobre os fatos expostos pela TV Globo nesse e em anteriores programas, a Cúria Diocesana de Campos deu a lume um Edital elevado, sereno e amplamente explicativo, cujo texto fez entregar em mãos a essa empresa publicitária no dia 31 de agosto p.p., com o pedido de que fosse divulgado na íntegra. Continuamos a esperar que a empresa atenda o pedido.

Enquanto tal não acontece, a TFP tem, à disposição dos interessados, esse documento memorável.

10. DE RESTO, essas e outras incompreensões não nos demoverão de prosseguir com paciência cristã — isto é, com serenidade de ânimo e de ação, com constância e inquebrantável coragem de alma — na defesa da Igreja e da civilização cristã.

— "Alios vidi ventos, aliasque procelas", escreveu Virgílio: a TFP já arrostou, impávida, outras tempestades. E continua segura do êxito, em razão da promessa feita pelo Espírito Santo aos que são cristã e varonilmente pacientes (Gal. 5, 22).

São Paulo, 4 de setembro de 1978.


O MARAVILHOSO E O REAL NA FORMAÇÃO INFANTIL

Hoje, caro leitor, trataremos dos tempos áureos da infância. Esperamos assim agradar a todas as idades. Para os mais velhos, será uma recordação e uma saudade. Para os mais jovens, um incentivo e uma esperança. Para todos, um entretenimento e uma reflexão.

Enfocaremos o mundo maravilhoso das crianças, onde a inocência é fonte daquela felicidade relativa que ao homem é dado desfrutar nesta terra de exílio, após o pecado original. Apresentaremos as magníficas ilustrações de Hélène Poirié, contidas em "Mon premier livre de chansons" — "Meu primeiro livro de canções", um belo álbum francês editado pela Livraria Larousse, de Paris, em 1962, que reproduz canções infantis, conhecidas na França desde remotos tempos.

* * *

Observemos as ilustrações desta página. Elas evocam, ora o maravilhoso, ora o quotidiano e o real. O primeiro é indispensável à mentalidade infantil como meio de apurar o senso artístico, elevar o espírito, descortinar novos horizontes, estimular sadiamente a imaginação. O segundo, com seus aspectos pitorescos, calmos, caseiros, simpáticos, é essencial às crianças para despertar nelas a atração e interesse pela realidade e pela virtude.

* * *

Era uma vez um pequeno navio. Um naviozinho cheio de crianças, que se lançou pelo mar Mediterrâneo. Navegou, navegou... e os víveres se acabaram. Seus tripulantes não podiam morrer de fome! Lançaram então a sorte: o menorzinho seria devorado.

Enquanto se discutia se ele seria frito ou assado, o pobrezinho subiu ao mirante do navio. Aí se ajoelhou, e rezou: "Ó Santíssima Virgem, ó minha Padroeira. Se pequei, perdoai-me depressa, mas não permitais que eles me comam"! A Virgem Santíssima atendeu, e sobreveio o milagre: enorme quantidade de peixes saltou para dentro do barco. O menino estava salvo.

O clichê ilustra, com muita candura, o momento de aflição do menino e a realização do milagre. É uma lição de como as agruras e os sobressaltos da vida devem ser enfrentados com espírito de fé e de confiança no sobrenatural.

* * *

Malbrough vai à guerra. Vem a Páscoa, passa a festa da Trindade, e Malbrough não volta. Sua esposa, à espera de notícias no alto da torre, recebe a triste novidade: Malbrough morreu. Entretanto o mensageiro a consola, contando que o exército inteiro viu a alma do herói, radiante, entrar no Céu.

O clichê apresenta, de um lado, o clima festivo da partida de Malbrough: o cavaleiro que desfila, os tambores e cornetas que irrompem ao passo cadenciado, os soldados que se alinham, o povinho que admira e aplaude. De outro lado, mostra as pompas fúnebres do guerreiro: as armas conduzidas em solene cortejo, a presença dos estandartes, o ataúde negro ao fundo, e a alma do herói que sobe ao Céu em forma de pomba. No alto da torre, vê-se a esposa recebendo a notícia da morte do marido.

É um estímulo ao heroísmo, uma descrição viva da beleza da condição militar e um exemplo de resignação cristã ante à dor e o sofrimento.

* * *

Por fim, a beleza de uma cena comum no século XVIII. Uma bela senhora percorre a estrada em sua magnífica carruagem dourada, e interessa-se pela sorte do pobre provinciano que trabalha arduamente.

Ao contrário da visão cheia de acrimônia e revolta de um marxista que aí encontraria logo motivos para atiçar a luta de classes, a gravura mostra a suave harmonia no trato dos personagens. O pobre trabalhador não demonstra qualquer complexo de inferioridade por sua condição humilde. Pelo contrário, ele está satisfeito por sentir-se objeto da atenção da bela senhora. Esta, por sua vez, trata-o com tanta afabilidade que chega a provocar certo espanto nos lacaios e cocheiro. À distância, alguns camponeses observam a cena cheios de comprazimento.

Lição de amor às harmônicas desigualdades criadas por Deus, desde o berço. Lição do valor da dignidade humana, que um verdadeiro católico sabe ver e admirar em qualquer classe ou função social.

* * *

Por estes exemplos, podemos medir a sabedoria profunda que há nesse pequeno universo infantil, desde que moldado pela civilização cristã. Nele encontramos o que os franceses chamam "leçon des choses" "lição das coisas".

Através desse mundo encantado, a inteligência infantil transpõe os umbrais do ambiente doméstico, e toma contato com a sociedade humana em toda a sua complexidade: as diferenciações nela existentes, as atrações que oferece, os deveres que impõe, as decepções que traz, o jogo complicado das paixões que nela palpitam, nas vitórias e revezes dessa grande luta que é a existência.

Luta, sim, na qual alguns se engajam para a defesa de seus interesses pessoais, legítimos ou ilegítimos, e outros para um fim mais alto, qual seja, o combate contra o demônio, o mundo e a carne com vistas à instauração, nesta terra, do Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua Mãe Santíssima.