Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 901 | página 25
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A resposta é dada com precisão pelo moralista Tommaso Scandroglio: “A verdade deve estar de um lado da balança, e a unidade do outro. Mas a verdade não pode ser sacrificada em nome da unidade”. Quando a doutrina está em jogo não há espaço para negociação nem para ambiguidade: “a unidade não é um bem maior do que a verdade”. Ainda pior é o silêncio da autoridade, especialmente de quem deve confirmar os irmãos na fé. Scandroglio afirma que o silêncio constitui “consentimento tácito”, “cumplicidade passiva” no mal, uma colaboração material por omissão. São Tomás é contundente e decisivo: “Aquele que tem autoridade e não impede o mal parece consentir nele; e assim se torna participante dele”.

Imensa decepção para os devotos de Maria Santíssima

No dia seguinte à sua eleição, Leão XIV foi a Genazzano venerar o afresco milagroso de Nossa Senhora do Bom Conselho. Apesar de sua formação em ambientes teológicos progressistas, como o seminário de Chicago, esse gesto somado à presença de uma réplica da imagem na missa inaugural do pontificado despertou esperanças de que sua devoção à Boa Conselheira pudesse orientá-lo de maneira a retomar com clareza a Tradição ofuscada a partir do Concílio Vaticano II.

A decepção veio logo com a publicação da Nota teológica Mater Populi Fidelis, assinada pelo Cardeal Víctor Manuel Fernández e referendada pelo Papa. O texto, marcadamente minimalista, reduz Maria a um papel passivo na Redenção, e afirma que sua mediação consiste apenas em predispor as almas a receber diretamente de Deus a graça divina. Daí a conclusão de que é “sempre inoportuno” chamá-la de “Corredentora”; e o título “Medianeira de todas as graças” é desaconselhável, por possuir “limites” que dificultariam sua compreensão.

Alguns bispos, como Dom Antônio Rossi Keller, de Frederico Westfalen, no Rio Grande do Sul (estado cuja padroeira é justamente Nossa Senhora Medianeira), criticaram o documento, lembrando a longa tradição patrística, magisterial e espiritual que sustenta esses títulos. Mas a reação mais forte veio do laicato, que per-

cebeu no texto uma diminuição das prerrogativas concedidas a Maria por sua maternidade divina, e a consequente maternidade espiritual dos membros do Corpo Místico de seu Filho. A contestação foi tão ampla, que o próprio Cardeal Fernández se viu forçado a declarar à jornalista Diane Montagna que a proibição valeria apenas para textos litúrgicos e documentos oficiais, não para a devoção dos fiéis. A justificativa, porém, pouco amenizou o impacto negativo. Em declaração publicada em 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição, a Comissão Teológica da Associação Mariana Internacional — organismo que conta com três cardeais e cinco bispos em seu Conselho Consultivo — alertou para o efeito desastroso que Mater Populi Fidelis poderá ter sobre a confiança dos fiéis. “Se ensinamentos e títulos anteriormente utilizados pelos papas passam agora a ser considerados ‘inapropriados’ ou ‘inoportunos’, por que os fiéis deveriam confiar no Magistério papal?” — questiona o documento. A Associação manifesta ainda a esperança de que a Nota do Cardeal Fernández seja reavaliada, conduzindo “a uma nova expressão do Magistério sobre essas doutrinas e títulos marianos de importância crucial”, e que se reconheça oficialmente a Santíssima Virgem Maria como Corredentora e Medianeira de todas as graças.

Se Leão XIV deseja de fato pacificar a Igreja e recuperar a confiança dos católicos tradicionais, é difícil entender por que permitiu a publicação de um texto tão marcadamente ligado ao pontificado anterior. A agência Crux, de orientação progressista, observou

Nossa Senhora do Bom Conselho.