Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 900 | página 36
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muito barulho, em uma sala repleta de inúmeras velas. A Imperatriz conduzia cada um de nós à sua mesa e nos entregava os presentes”.

Sob o último czar, Nicolau II, o Natal era celebrado no Palácio de Alexandre. A Grã-Duquesa Olga Alexandrovna conta:

“Todos nós esperávamos o momento em que as sobremesas, que ninguém mais queria, seriam retiradas e os pais deixariam a mesa para ir ao salão de banquetes. As crianças tinham de esperar que o imperador tocasse a campainha. Depois disso, esquecendo toda a etiqueta, todos corríamos para o salão de banquetes, onde as portas se abriam para um reino mágico.”

O salão realmente parecia uma floresta feérica: abrigava seis árvores de Natal para os familiares e muitas outras para parentes e funcionários da corte. Todas estavam decoradas com velas acesas e frutas e brinquedos folheados a ouro e prata.

Nas árvores do palácio os presentes eram simples: cada criança recebia dois cones de doces, duas tangerinas e duas maçãs; os grão-duques, uma caixa de ameixas secas, e o Imperador uma caixa de damascos.

Mas logo vinham os presentes mais importantes, dados por membros da família imperial. O pequeno Grão-Príncipe Mikhail Nikolaevich recebeu um violoncelo, com o qual sempre sonhara, e sua irmã Olga “um fantástico piano de cauda Wirth”.

As crianças costumavam comprar presentes para os pais com suas economias ou faziam algo à mão. “O

presente que eu sempre dava ao meu pai [Alexandre III] era feito com minhas próprias mãos: chinelos vermelhos macios bordados em ponto-cruz branco. Eu adorava vê-lo usando-os!”, lembrava a Grã-Princesa Olga Alexandrovna.

Mas, em épocas de agitação comunista, a imperatriz Maria Feodorovna, nascida Dagmar da Dinamarca, presenteou seu marido, para se defender, com um revólver Smith & Wesson nº 38 e 100 balas. Na ocasião também obsequiou cada um de seus filhos com uma bela faca inglesa.

Os Romanov faziam seus súditos participar da grande alegria. Nicolau I organizou um sorteio para damas de companhia, tutores, babás, criados e outros residentes do palácio, em que cada qual tirava uma carta de um baralho, e em função dela a imperatriz lhes doava vasos, luminárias ou porcelanas.

Em 1866, a família imperial instalou uma árvore de Natal no Palácio Anichkov para 100 crianças pobres. E isso virou uma tradição anual, crescendo tanto, que em 1907 o Imperador Nicolau II visitou seis árvores apenas

Grã-Duquesa Olga Alexandrovna

Desenho da Grã-Duquesa Olga Alexandrovna, da coleção de O. N. Kulikovskaya-Romanova.