toda a sua eficácia do sacrifício cruento de seu bendito Filho, esta mediação de Maria de modo algum faz com que cesse de haver um só Mediador entre Deus e os homens — o homem Cristo Jesus (cf. 1Tm 2,5) —, assim como da bondade de Deus não se segue que Ele deixe de ser o único e absoluto autor de todo bem (cf. Mt 19,17; Rm 2,4).
Embora, entre os mediadores subordinados de que o sapientíssimo Deus quis servir-se na economia da nossa salvação, não se possa conceber nenhum que tenha cooperado ou venha a cooperar com tanto poder para reconciliar os homens com Deus como a Mãe de Deus, é sempre verdade que também ela depende totalmente de Cristo e lhe está subordinada, tanto na sua predestinação e santidade quanto em todos os seus dons.
Portanto, sendo esta humilde “Serva do Senhor”, a quem “o Todo-Poderoso fez grandes coisas” (cf. Lc 1,49), chamada “Medianeira de todas as graças” por ter sido associada a Cristo na sua aquisição, e invocada pela Igreja como nossa Advogada e Mãe de misericórdia, pois, unida no Céu ao Cristo glorioso, intercede por todos, segue-se que, em toda comunicação de graça aos homens, está presente a caridade maternal da Bem-Aventurada Virgem; e de modo algum se obscurece nem se diminui a mediação única do nosso Mediador, segundo o sentido absoluto das palavras do Apóstolo (1Tm 2,5): “Um só é Deus, um só também o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus”; pelo contrário, a mediação de Cristo é exaltada e honrada.
Maria, com efeito, é medianeira em Cristo; e sua mediação não provém de necessidade alguma, mas do beneplácito divino e da superabundância e eficácia dos méritos de Jesus: ela se apoia na mediação de Cristo, dela depende inteiramente e dela tira toda a sua força.
Por isso, o Santo Sínodo exorta com empenho os teólogos e pregadores da Palavra de Deus a que, cultivando diligentemente o estudo da Sagrada Escritura e dos Santos Padres segundo o sentido do Magistério da Igreja, procurem colocar na verdadeira luz os ofícios e funções da Bem-Aventurada Virgem, em conexão com os outros dogmas, sobretudo com os que se referem a Cristo, que é o centro de toda a verdade, santidade e piedade.
Neste trabalho, guarde-se sempre o que se chama “analogia”, ou seja, uma semelhança dissemelhante, toda vez que se predica de Cristo e da Virgem Maria um mesmo nome ou ofício; pois de modo algum a Mãe de Deus pode ser equiparada a Cristo.