Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 895 | página 41
Carregando a página da revista…

Solicitude da Rainha Santa Isabel de Portugal para com a nobreza empobrecida

“Punha particular cuidado em valer às pessoas, que tendo vivido à lei da nobreza, com fazenda, se viam decaídas, recrescendo-lhes a necessidade e miséria com o pejo de pedir. A tais pobres socorria com grande generosidade e não menor segredo e recato, para que lograssem o benefício sem o contrapeso da vergonha.

usina de cal, chamou os operários e ordenou-lhes que, quando alguém viesse de sua parte perguntar se eles haviam feito o que o rei ordenara, que pegassem o pajem e o lançassem ao grande forno para aí perecer.

No dia seguinte, Dom Dinis mandou o pajem da rainha ir à usina perguntar se o que ele havia ordenado havia sido cumprido. Entretanto, a Providência velava pelo virtuoso jovem. Passando no caminho por uma igreja, o pajem entrou para rezar. E vendo que ia começar uma Missa, permaneceu algum tempo para assisti-la. Terminada a primeira missa, começou uma segunda,

“Para os filhos dos fidalgos pobres tinha no Paço sacolas especiais, em que se criavam conforme a sua elevada posição. Dava dotes, para se casarem, às donzelas pobres de bom parecer, e ela com suas reais mãos folgava de lhes compor

o toucado de núpcias. Muitas outras órfãs, filhas de seus vassalos particulares, tinha recolhidas e as educava perto de si; quando contraíam matrimônio, provi-as com abundante dote e as adornava com suas jóias no dia do casamento. E para que não se acabasse com sua vida esta fineza de sua bondade, instituiu no seu mosteiro de Santa Clara um fundo para dotar órfãs nobres e deixou ordenado que parte das jóias que legava a esse convento se emprestassem às ditas donzelas para seu adorno de noivado”.1

depois uma terceira, e o piedoso pajem ficou também na igreja para rezar no decurso delas.

Enquanto isso, o rei, levado pela impaciência, chamou outro pajem — providencialmente, o mesmo caluniador — e enviou-o à usina, a fim de se inteirar se sua ordem havia sido cumprida. Imediatamente os operários apoderaram-se do infeliz e o lançaram ao forno...

O primeiro pajem chegou depois àquele local e perguntou se o que o rei ordenara fora executado, recebendo resposta afirmativa. De volta ao palácio, foi dar conta de sua missão ao soberano, que ficou muito

Na vida de Santa Isabel, Rainha de Portugal (1274-1336), lemos os seguintes fatos que manifestam um traço edificante do seu caráter:

Trecho extraído da obra de Plinio Corrêa de Oliveira, Nobreza e elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana, Parte III, Documentos III, n° 2, pp. 285-286.
Primeiro túmulo da Rainha Santa Isabel.
1. J. LE BRUN, Santa Isabel, Rainha de Portugal, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1958, pp. 127-128.