Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 880 | página 42-43
| VIDAS DE SANTOS | (continuação)

dia conversar e dar conselhos a Papas, reis e grandes deste mundo.

Grandes prodígios operados na França

A fama de suas virtudes chegara à França, onde Luís XI fora atacado por doença mortal. Inúmeros pecados pesavam-lhe na consciência, mas ele tinha fé. Por isso, pediu ao Santo que o fosse curar. Mas Francisco de Paula partiu para aquele país somente com ordem formal do Papa. Isso seria providencial para a expansão de sua Ordem não só na França, mas também em outros países da Europa, como Alemanha e Espanha.

Assim que esteve com o rei, São Francisco de Paula discerniu que a vontade de Deus não era a de curá-lo, mas de levá-lo desta vida. E o disse claramente ao soberano, preparando-o para a morte. O monarca confiou-lhe seus filhos, principalmente o delfim, então com 14 anos.

Francisco foi o confessor da Princesa Joana, que depois de ser repudiada por seu marido, o futuro Luís XII, fez-se religiosa e mereceu a honra dos altares.

Foi por conselho de Francisco de Paula que o Rei Carlos VIII se casou com Ana de Bretanha, herdeira única daquele ducado, que veio assim unir-se ao Reino da França.

Entre outros grandes carismas, o Santo era dotado por Deus de uma graça especial para obter o favor da maternidade para mulheres estéreis. Muitos milagres desse gênero, alguns em casas reais ou principescas, foram relatados no processo de canonização do santo em Tours.

Suas devoções particulares consistiam em cultuar o mistério da Santíssima Trindade, da Anunciação da Virgem, da Paixão de Nosso Senhor, bem como os santíssimos nomes de Jesus e Maria.

A “segunda morte” de São Francisco de Paula

O santo faleceu na Sexta-feira Santa de 1507, aos 91 anos de idade. Seu corpo permaneceu incorrupto até 1562. Nesse ano, durante as Guerras de Religião, os protestantes calvinistas — como o santo havia predito — invadiram o convento de Plessis, onde estava enterrado, tiraram seu corpo do sepulcro e, sem se comoverem de vê-lo em tão bom estado, queimaram-no com a madeira de um grande crucifixo da igreja.

Assim, foi o santo praticamente martirizado depois de sua morte. Entretanto, apesar do ódio dos inimigos da fé, sua glória permanece para sempre.2

Notas: 1. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo IV, p. 143. 2. Outras obras consultadas: – Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1947, tomo II, pp. 333 e ss. – Pe. José Leite S.J., Santos de Cada Dia, Editorial A. O., Braga, 1993, pp. 412-413. – Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, 3a. edição, pp. 20 e ss.
| REMINISCÊNCIA |

O CALVÁRIO DE TERESINHA

Plinio Maria Solimeo

No dia 23 de abril de 1924 — há exatos 100 anos — nascia em São Paulo a filha do renomado escritor Paulo Setúbal e de Da. Francisca Egídio de Souza Aranha, que no batismo recebeu o nome de Maria Teresa. Essa menina estava destinada a ser uma alma expiatória e a morrer em odor de santidade.

Catolicismo já publicou dois extensos artigos sobre essa adolescente excepcional. Contudo, não podia deixar passar tal centenário sem dizer algo sobre ela, que é uma glória da Igreja e do Brasil, visando perpetuar sua memória, hoje tão esquecida. Como nos artigos anteriores, baseamo-nos nos textos de sua mãe e biógrafa.

Ressaltaremos neste artigo o lado do contínuo convívio de Teresinha com o sobrenatural e, sobretudo, sua vida como vítima expiatória.

Convívio com o Menino Jesus

Desde muito cedo Teresinha mostrou uma piedade precoce. Segundo narra sua mãe, quando a família passou um ano na Suíça, a menina, então com cinco anos de idade, fez o propósito de se entregar ao Menino Jesus.

Mais tarde, já adolescente, ela afirmaria à sua mãe que “desde manhã até a noite, [faço] sempre tudo como o Menino Jesus quer. Ele não me deixa um minuto, e estamos sempre juntinhos. Ele me fazia carinhos e me ajudava. Nunca, nunca desobedeci, mesmo nas menores coisas, nas mais pequeninas coisas, sempre fazia a vontade do Menino Jesus”.

Já no fim de sua curta existência Teresinha diz à mãe: “Eu sou um ‘enfant gâté’ [criança mimada] do Menino Jesus. Até estou ficando mal acostumada. Ele faz tudo o que eu quero. Ele me disse hoje que me quer muito, muito bem”.

Sobre outra graça insigne, diz ela: “Quando fiz a Primeira Comunhão o meu ardente desejo era comungar todos os dias. [...] Mamãe respondeu: ‘Não pode ser, só uma vez por mês’. Fiquei tristíssima. Não disse nada, mas eu pedi: ‘Faça meu Jesus que essa Comunhão seja como se eu comungasse todos os dias’. E foi sempre assim. Eu queria comungar pela felicidade de receber Jesus. Mas eu O sentia sempre comigo. Era igual”.

Teresinha recebeu também várias vezes a visita da

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