Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 880 | página 34-35
| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)

Repetimo-lo, a título de epílogo, ao encerrar esta declaração. Nenhum epílogo, entretanto, seria completo se não incluísse a reafirmação de nossa obediência irrestrita e amorosa não só à Santa Igreja como ao Papa, em todos os termos preceituados pela doutrina católica.

“Nossa Senhora de Fátima nos ajude neste cominho que trilhamos por fidelidade à Sua mensagem e na alegria antecipada de que se cumprirá a promessa por Ela feita: Por fim, o meu Imaculado coração triunfará”.13

Confirmação e ...

Dez anos após o manifesto da TFP, na “Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação”, de 6-8-84, publicada sob a assinatura do então Cardeal Ratzinger (eleito Papa em 2005), definiu o comunismo como “uma vergonha do nosso tempo [...] mantêm-se nações inteiras em condições de escravidão indignas do homem”. Isto ficou mais patente depois da queda do muro que delimitava o maior cárcere da História, o Muro de Berlim.

A afirmação do Cardeal, quando Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, corroborou a posição tomada pela TFP e pelos católicos anticomunistas de todo o mundo que se opunham à conduta do Vaticano numa esfera — a diplomática — na qual os Papas não gozam do carisma da infalibilidade e na qual, portanto, o católico é livre de formar sua opinião.

Tal definição do eminentíssimo Cardeal foi bem-vinda “como água num incêndio” e mereceu um comentário de Plinio Corrêa de Oliveira:

“A mim que, como presidente do Conselho Nacional da TFP brasileira, fui o primeiro signatário da Declaração de Resistência à Ostpolitik vaticana, incumbe o dever de justiça de manifestar aqui a alegria, a gratidão e sobretudo a esperança que sinto, dentro do incêndio, com a chegada desse alívio.

“Sei que irmãos de Fé extrínsecos aos arraiais da TFP, sobretudo fora do Brasil, se abstêm de externar análogos sentimentos, notadamente porque julgam que uma só mangueira é insuficiente para apagar todo um incêndio.

“Também julgo que uma só mangueira não apaga um incêndio. Mas isto não impede de saudá-la como um benefício, tanto mais quanto não tenho prova de que ficaremos só com essa mangueira. Não foi inesperada a Instrução do Cardeal Ratzinger? Um passo inesperado não convida a esperar outros na mesma linha, também mais ou menos inesperados?”. 14

... objeção

Transcorrido meio século da publicação do Manifesto de Resistência, ninguém, nem mesmo qualquer autoridade eclesiástica, contestou a ortodoxia e a legitimidade desse esclarecedor documento. Houve, isto sim, divergências quanto à tomada de atitude da TFP, manifestadas, no entanto, por apenas algumas autoridades e em caráter pessoal. Como exemplo, citamos aqui uma comunicação do Emmo. Cardeal D. Vicente Scherer (transcrita no “Diário de Notícias”, 25-7-74, de Porto Alegre, sob o título “O Vaticano e o comunismo”), na qual o Arcebispo gaúcho afirmou: “parece curioso” [que as críticas surgidas de cá e de lá à iniciativa do Papa — de negociar com os regimes comunistas] — “tenham origem em grupos situados em geral dentro da própria Igreja e que a Ela professam amor e fidelidade”.

Como se vê, nenhuma objeção quanto à licitude da posição de Resistência à Ostpolitik vaticana.

Atualidade do histórico lance

Poderíamos relatar outros fatos posteriores ao Manifesto da Resistência — suscitado pelos comentários de Mons. Casaroli sobre a pretensa felicidade de que gozava o povo cubano sob o regime socialista — que comprovam o seu acerto, oportunidade e atualidade, mas por exiguidade de espaço ater-nos-emos somente a alguns fatos muito relevantes.

O Papa Francisco viajou à Ilha-prisão, onde, na Praça da Revolução em Havana, celebrou uma missa sob um gigantesco pôster do guerrilheiro Che Guevara.

De 19 a 22 de setembro de 2015, o Papa Francisco viajou à Ilha-prisão, onde se entreteve com o déspota comunista Fidel Castro e, na Praça da Revolução em Havana, celebrou uma missa sob um gigantesco pôster do guerrilheiro Che Guevara. Dias depois, comentando a viagem, Francisco disse que pôde “abraçar todo o povo”.

Armando Valladares15 — escritor, pintor e poeta, passou 22 anos nas prisões políticas de Cuba — comentou que “de fato, os atos mostraram que o ‘abraço’ do Pastor dos pastores foi quase inteiramente para os lobos cubanos e, em particular, para o lobo dos lobos, Fidel Castro, cuja chamada o Papa Francisco socorreu quase em peregrinação. As fotos e os vídeos mostraram que a atitude do Pontífice foi a de quem estava visitando um venerável profeta e não um sanguinário ditador.

Uma agravante da visita do Papa Francisco a Castro é o fato de que foi o próprio Pastor dos pastores quem pediu esse horroroso encontro com o lobo dos lobos. Já em 1960, no começo da revolução, Fidel Castro revelou na universidade de La Habana seu plano para transformar os católicos em ‘apóstatas’ e não em ‘mártires’. E dedicou sua vida em destruir sistematicamente Cuba do ponto de vista social, político, moral e religioso.

Do alegado ‘abraço’ papal a ‘todo o povo cubano’, nada sobrou para os presos, de cuja visita em outros países o Pontífice tem feito quase um ritual. Na Cuba comunista não houve nenhum contato com os presos comuns, para não falar dos presos políticos, que foram totalmente ignorados durante a estadia de Francisco, talvez para não contrariar aos lobos”.16

Tal ‘abraço’ em nada atenuou o sofrimento do povo cubano, pelo contrário, o governo comunista se perpetua, continua oprimindo despoticamente, não tolera qualquer oposição. Mesmo após a morte de Fidel Castro a ilha continua castrista, a mesma ilha-cárcere onde os católicos são perseguidos pela tirania, que sequer permite

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