Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 880 | página 30-31
| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)

que ele perderia sua Arquidiocese, esperaria em vão até agora. O Cardeal Silva Henríquez continua tranquilamente investido na missão de conduzir a Jesus Cristo as almas de sua populosa e importante Arquidiocese.

“Enquanto ele a conserva, por injunções da política de distensão, outro Arcebispo, pelo contrário, perdeu a sua. Trata-se de uma das figuras mais empolgantes da Igreja no século XX, cujo nome é pronunciado com veneração e entusiasmo por todos os católicos fiéis aos tradicionais ensinamentos econômicos e sociais emanados da Santa Sé. Mais ainda, o nome desse prelado é acatado com sumo respeito por pessoas das mais variadas religiões. Ele é um florão de glória da Igreja aos olhos até dos que nela não creem. Este florão foi quebrado há pouco. O Emmo. Cardeal Mindszenty foi destituído da Arquidiocese de Esztergom, para facilitar a aproximação com o governo comunista húngaro”.4

Igualmente estarrecedora foi a “viagem realizada à Rússia em 1971 por S. Emª o Cardeal Willebrands, Presidente do Secretariado para a União dos Cristãos. O objetivo oficial da visita era assistir à posse do bispo Pimen no Patriarcado ortodoxo [greco cismático] de Moscou. Pimen é o homem de confiança, para assuntos religiosos, dos ateus do Kremlin”.5

Josip Broz Tito, ditador comunista da Iugoslávia, visita Paulo VI no Vaticano, em março de 1971

Situação embaraçosa para os católicos

Plinio Corrêa de Oliveira demonstra que tais episódios não constituíam fatos isolados, mas se inseriam dentro da “política de distensão que o Vaticano vem operando, de há muito, em relação aos regimes comunistas”.6

Diante desses e de outros fatos análogos, que despertaram dolorosas perplexidades em católicos dos cinco continentes, o Prof. Plinio, e com ele as TFPs, não mais podiam guardar o respeitoso silêncio frente à política levada a cabo pelo Vaticano. Calar seria consentir.

Mesmo porque tal silêncio passou a ser incompreensível aos olhos da maioria anticomunista e católica. De fato, como entender que a Igreja Católica, que sempre condenou a seita comunista, abandonasse seu caráter militante e não mais combatesse um regime que visava destruir a civilização cristã, para implantar em seu lugar um estado de coisas diametralmente oposto à Cristandade?

“Onde terminará esta cadeia [de fatos]? — pergunta o fundador da TFP brasileira. — Para que surpresas dolorosas, para que novos traumas morais devem ainda se preparar os que continuam a aceitar, em todas as suas consequências, a imutável doutrina social e econômica ensinada por Leão XIII, Pio XI e Pio XII?

A Igreja Católica sempre condenou a seita comunista. Três Papas que ratificaram a condenação foram (da esq. à dir.) Leão XIII, Pio XI e Pio XII.

“Estamos certos de que incontáveis católicos ao reler estas notícias, ao tomar conhecimento das perplexidades, das angústias e dos traumas expressos nestas linhas, sentirão retratados o seu próprio drama interior: o mais íntimo e mais pungente dos dramas, pois que acima, muito acima de versar apenas sobre questões sociais e econômicas, tem cunho essencialmente religioso. Diz respeito ao que há de mais fundamental, vivo e terno na alma de um católico apostólico romano: sua vinculação espiritual com o Vigário de Jesus Cristo”.7

Católicos Apostólicos Romanos

Donde o “estado de Resistência” declarado pelas TFPs e entidades irmãs, diante uma situação tão grave, como afirma o manifesto:

“A TFP é uma entidade cívica, e não religiosa. Seus diretores, sócios e militantes são, entretanto, católicos, apostólicos e romanos. E, em consequência, católica é a inspiração que os têm movido em todas as campanhas pela TFP empreendidas em bem do País.

“A posição fundamentalmente anticomunista da TFP resulta das convicções católicas dos que a compõem. É porque católicos, é em nome dos princípios católicos, que os diretores, sócios e militantes da TFP são anticomunistas. A diplomacia de distensão do Vaticano com os governos comunistas cria, entretanto, para os católicos anticomunistas, uma situação que os afeta a fundo, muito menos enquanto anticomunistas do que enquanto católicos.

“Pois a todo momento se lhes pode fazer uma objeção supremamente embaraçosa: a ação anticomunista que efetuam não conduz a um resultado precisamente oposto ao desejado pelo Vigário de Jesus Cristo? E como se pode compreender um católico coerente, cuja atuação ruma em direção oposta à do Pastor dos Pastores? Tal pergunta traz como consequência, para todos os católicos anticomunistas, uma alternativa: cessar a luta, ou explicar sua posição.

“Cessar a luta, não o podemos. E é por imperativo de nossa consciência de católicos que não o podemos. Pois se é dever de todo católico promover o bem e combater o mal, nossa consciência nos impõe que defendamos a doutrina tradicional da Igreja, e combatamos a doutrina comunista”.8

Não se pode confiar no lobo vermelho

Nessa Declaração de Resistência, o Prof. Plinio e as TFPs manifestam sua veneração e obediência irrestrita à Igreja e ao Papado, nos termos preceituados pelo Direito Canônico.

“O mundo contemporâneo ressoa por toda parte com as palavras liberdade de consciência. São elas pronunciadas em todo o Ocidente, e até nas masmorras da Rússia... ou de Cuba. Muitas vezes essa expressão, de tão usada, toma até significados abusivos. Mas no que ela tem de mais legítimo e sagrado se inscreve o direito do católico, de agir na vida religiosa, como na vida cívica, segundo os ditames de sua consciência.

“Sentir-nos-íamos mais agrilhoados na Igreja do que o era Soljenitsyn na Rússia soviética, se não pudéssemos agir em consonância com os documentos dos grandes Pontífices que ilustraram a Cristandade com sua doutrina.

“A Igreja não é, a Igreja nunca foi, a Igreja jamais será tal cárcere para as consciências. O vínculo da obediência ao Sucessor de Pedro, que jamais romperemos, que amamos com o mais profundo de nossa alma, ao qual tributamos o melhor de nosso amor, esse vínculo nós o osculamos no momento mesmo em que, triturados pela dor, afirmamos a nossa posição. E de joelhos, fitando com veneração a figura de S.S. o Papa Paulo VI, nós lhe manifestamos toda a nossa fidelidade.

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