CINQUENTENÁRIO DE UM MANIFESTO HISTÓRICO
Em face da política da Santa Sé de aproximação com os regimes comunistas — a chamada ‘Ostpolitik vaticana’ — , o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP brasileira, publicou, em abril de 1974, com a adesão das diversas TFPs e entidades coirmãs e autônomas existentes nas Américas e na Europa, um manifesto no qual explicitou a fidelidade que todo católico deve ter em relação ao Papa, bem como o fundamento da doutrina católica que permite dele discordar em certas circunstâncias — por exemplo, na esfera política e nas relações diplomáticas, nas quais o Sumo Pontífice não goza do carisma da infalibilidade, assistindo, portanto, ao católico, a liberdade de formar sua própria opinião.
Da Redação de Catolicismo
Consideramos oportuno rememorar nesta edição um acontecimento que marcou a História há exatos 50 anos: a publicação do manifesto “A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas – Para a TFP: omitir-se ou resistir?”1
De autoria de Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995), escrito numa linguagem trasbordante de veneração ao Papado, o manifesto, conhecido também como “Declaração de Resistência das TFPs”, foi primeiramente publicado no dia 10-4-74 na “Folha de S. Paulo”, ocupando uma página inteira do jornal, considerado na época o de maior tiragem da capital.
Tal publicação, feita em nome da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), foi depois replicada pelas demais TFPs do exterior e entidades coirmãs e autônomas então existentes nas Américas e na Europa, que assumiram igualmente o “estado de Resistência”.
O histórico documento foi sucessivamente reproduzido em 36 jornais brasileiros e em 73 órgãos de imprensa, entre jornais e revistas, de 11 países. Mesmo com essa larga difusão, o autor não recebeu qualquer objeção quanto à sua ortodoxia e correção canônica, mas, pelo contrário, só recebeu aprovações. Donde o fato de a própria Santa Sé ter guardado silêncio a respeito dessa publicação.
No que consiste a essência do Manifesto da Resistência? Qual a sua finalidade? É ele atual? — É o que veremos.
Aproximação com o bloco comunista soviético
A década de 1970 foi profundamente marcada pela política de distensão do Presidente norte-americano Richard Nixon e de seu Secretário de Estado, Henry Kissinger (+2023), em relação aos regimes comunistas. Denominada détente, um dos marcos dessa política foram as aparatosas viagens das referidas autoridades à Rússia e à China.
Em escala europeia, a mesma estratégia era levada a cabo pelo socialista Willy Brandt, então Chanceler alemão, com sua Ostpolitik — a convergência entre o bloco ocidental e o soviético. O resultado desta diplomacia colaboracionista foi o de sustentar e de adiar por mais de duas décadas o desmoronamento da URSS, ou
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