presidente francês, Emmanuel Macron, acenou com a possibilidade de enviar soldados à Ucrânia, deixando o prato feito para Putin ameaçar com retaliações de grande porte. Nesses mesmos dias, três unidades de soldados russos contrários a Putin adentraram em seu país a partir da Ucrânia, enquanto dezenas de drones ucranianos incendiavam as grandes refinarias de petróleo em território russo.
Temores europeus pela vitória de Trump
Ecoam na Europa rumores de guerra, as indústrias bélicas estão abarrotadas de encomendas, aumentam os orçamentos militares e o temor de uma vitória eleitoral de Donald Trump nos EUA, pois este declarou que cortará o dinheiro que os EUA enviam para cobrir a parte do orçamento da NATO que os europeus não cobrem.
Entrementes, seu partido, o Republicano, já bloqueia as verbas para a Ucrânia que, sem munição suficiente, perde pontos sensíveis do front, permitindo ao exército russo fazer pequenos avanços. No Partido Democrata, Joe Biden, opositor eleitoral de Trump, posiciona-se a favor da Ucrânia, embora seja o presidente mais impopular da história dos EUA e exiba uma condição física e mental débil para enfrentar uma crise das dimensões anunciadas.
Europa se prepara para uma grande guerra
Em janeiro, o general Patrick Sanders, chefe do Estado-Maior do exército britânico, anunciou que no Reino Unido os cidadãos poderão ser convocados para uma guerra com a Rússia, para a qual suas forças armadas se encontram assustadoramente desprovidas de soldados. Falou também em começar a instrução militar de 120 mil civis. O encolhimento da mais respeitada força militar da Europa é atribuível a décadas de propaganda ingênua de que o comunismo morreu, deixando lugar a uma era sem choques civilizatórios e voltada exclusivamente para a economia.
Por sua vez, o almirante holandês Rob Bauer, chefe do Comitê Militar da NATO, defendeu que os países-membros dessa organização devem se preparar para um conflito iminente aberto por Moscou. No mesmo sentido, o ministro sueco da Defesa Civil, Carl-Oskar Bohlin, falou ao país que todos devem se preparar para o pior dos cenários — uma guerra com a Rússia — antes que seja tarde demais.
A Dinamarca ordenou a duplicação do número de alistamentos e forneceu jatos F16 para a Ucrânia. O serviço militar obrigatório, há anos abolido Europa, está voltando, e em alguns países incluirá as mulheres, na previsão de uma guerra massiva.
Após muitas discussões — e de contornar a resistência abjeta do primeiro-ministro húngaro Victor Orbán, aliado de Putin — , a União Europeia aprovou uma ajuda de 50 bilhões de euros em empréstimos e dons para sustentar Kiev até 2027, e mais 5 bilhões em ajuda militar. Foi o que anunciou Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, após reunião extraordinária em Bruxelas, no início de fevereiro, noticiada por “Le Monde”.
Em junho deste ano haverá eleições gerais para o Parlamento Europeu, que sondarão a opinião pública continental face a um eventual ataque vindo da Rússia.
O ministro da Defesa da Letônia, Andris Spruds, estuda retirar seu país do tratado sobre minas terrestres, ou Convenção de Ottawa. Os países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) concordaram em construir uma “Linha de Defesa do Báltico”, um complexo de bunkers e fortificações com sensores e obstáculos físicos antitanques, além das minas. “Podemos esperar que a NATO enfrente um grande exército de estilo soviético”, declarou em fevereiro o diretor-geral do Serviço de Inteligência Estrangeira da Estônia, Kaupo Rosin.
“Nosso plano é usar massivamente minas antitanque, minas de visão e todo tipo de outras minas”, disse Kusti Salm, secretário permanente do Ministério da Defesa da Estônia. Políticos bálticos pedem fazer todo o possível para que o Kremlin pense duas vezes antes de cruzar a fronteira.
O ponto de vista alemão
Nada alarmou mais do que a difusão de um documento secreto das Forças Armadas alemãs no início do ano pelo jornal “Bild”. Ele desenha diversos cenários possíveis de uma iminente guerra europeia desatada pela Rússia. Segundo a hipótese “Defesa da Aliança 2025”, Moscou planejaria atacar o flanco oriental da NATO próximo ao mês de junho, após uma contraofensiva bem-sucedida contra a Ucrânia, que parece estar acontecendo. Essa “ofensiva de primavera” engajaria 200 mil homens e seria secundada por ataques cibernéticos e outras formas de guerra híbrida, primeiramente contra a Estônia, a Letônia e a Lituânia. A Alemanha ocupa uma posição central nesses possíveis conflitos e é muito respeitada na planificação da guerra.
Os cenários do Ministério de Defesa alemão focam a Polônia e o corredor estratégico (“Suwalki Gap”) entre a Bielorrússia e o enclave de Kaliningrado, há muito identificado como um dos calcanhares de Aquiles da NATO. Em qualquer um dos cenários, uma guerra aberta entre os dois blocos seria o início de uma Terceira Guerra Mundial, afirmou a CNN.
O conflito especulado teria como ponto de partida um exercício militar em grande escala na Bielorrússia, denominado “Zapad 2024”, cujo pior momento seria durante a transição presidencial dos EUA, arguindo falsos “conflitos fronteiriços” ou “motins com numerosas mortes”, ou até “em defesa própria” ante um complô macrocapitalista contra a gestão de Putin.
Papa Francisco pede a rendição da Ucrânia
O golpe psicológico que mais favoreceu a estratégia de Putin proveio infelizmente do Papa Francisco. Em entrevista à Rádio e Televisão Suíça (RTS), ele propôs que a Ucrânia tivesse a “coragem de alçar a bandeira branca e negociar”, gesto universalmente interpretado como capitular diante da Rússia. A reprovação da proposta foi universal. A Ucrânia convocou o Núncio Apostólico, Monsenhor Kulbokas, em sinal de protesto, e indignadas críticas e desmentidos vaticanos, que não solucionaram o caso, se sucederam.
Página seguinte