Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 880 | página 18-19
| INTERNACIONAL |

Eleições, rumores de guerra mundial e situação da Igreja

Luis Dufaur Os maiores poderes mundiais decidem seu futuro em eleições neste ano, talvez com a perspectiva iminente de uma Terceira Guerra Mundial. Protestos em Moscou contra a candidatura de Putin para eleições russas.

Acaba de ser prolongada até 2030 a autocracia de Vladimir Putin, que exerce há 24 anos seu poder absoluto na Rússia. Agora ele “obteve” 87% dos votos na farsa montada nos subterrâneos do Kremlin. Tais eleições ocorreram em meio a protestos, atentados e violências policiais.

O mundo todo desqualificou a “comédia negra” que o presidente russo montou para obter seu 5º mandato. Mas foi comemorada pelos chamados “países bandidos” (Irã, Correia do Norte, Venezuela, Cuba e China). A eles se juntaram Lula e o PT, que felicitou Putin pela “vitória”...

Um dia antes de concluir as votações, com a “vitória esmagadora” de quase 90%, conforme se divulgou, Putin se voltou ameaçadoramente contra aqueles que não o admiram. Três dias depois, o vice-presidente putinista da Duma (Assembleia russa), Piotr Tolstoi, acenou em entrevista BFMTV (da França) a possibilidade de jogar uma bomba nuclear em Paris, evocando uma infografia de 2022 representando os segundos que levaria um míssil russo para cair nas capitais europeias.

A fraude eleitoral foi pavimentada pela supressão dos candidatos que poderiam diminuir uma “arrasadora” vitória de Putin. Ninguém superaria a máquina de fraudar os resultados, porém Alexander Navalny, ou alguém indicado por ele, teriam podido colher uma votação reveladora da insatisfação popular, sobretudo devido à invasão da Ucrânia.

Esse temor no Kremlin precipitou a morte do opositor Navalny, de 47 anos. Ele foi encarcerado após se submeter a um tratamento na Alemanha, que o salvou do Novichok, um dos venenos preferidos pelos serviços putinistas. Depois, desapareceu da colônia penal onde estava preso por “extremismo” e reapareceu numa outra colônia penal em Kharp, no Ártico russo, onde teria sido assassinado por ordem de Putin, segundo “The Economist”. Dezenas de milhares de russos compareceram ao enterro e às cerimônias públicas em muitas cidades, desafiando a intimidação policial.

A “purga” de dezenas de “oligarcas” e de altas autoridades militares, próximos do ditador, se somou ao mais de um milhão de cidadãos que fugiram de seu provável envio à Ucrânia como “bucha de canhão” e ao meio milhão de baixas na guerra, segundo fontes independentes, o equivalente ao número total de homens engajados no início da invasão. Putin queria, a qualquer custo, uma vitória para ser aclamado pelo eleitorado como um grande triunfador.

Vitória de Putin, estopim da Guerra Mundial?

Até maio, a OTAN terá montado o maior exercício desde a Guerra Fria nas fronteiras com a Rússia: o Steadfast Defender 2024, com 90 mil soldados.

Por que, se a eleição estava decidida no gabinete de Putin, no Kremlin? Ele revelou suas intenções acionando um sinistro teclado de ameaças militares contra os países vizinhos. Voltou-se contra a Polônia, dizendo que esta devia boa parte de seu território a Stalin.

A Suécia e a Finlândia, países neutros há dois séculos, entraram às pressas na OTAN. Até maio, a mesma OTAN terá montado o maior exercício desde a Guerra Fria nas fronteiras com a Rússia: o Steadfast Defender 2024, com 90 mil soldados. A Suécia militarizou novamente a ilha de Gotland, no Mar Báltico, que controla a saída naval dos complexos militares russos em torno de São Petersburgo e no enclave lotado de mísseis nucleares de Kaliningrado.

A Lituânia, a Letônia e a Estônia semeiam minas na fronteira com a Rússia e prepararam suas populações para uma invasão. Putin reclamou da Noruega as ilhas Svalberg, estratégicas para a saída da frota russa de suas bases siberianas. Ao sul, Putin apontou contra a desarmada Moldávia, membro da NATO, que tem uma faixa de seu território (a Transnístria) ocupada por tropas russas. Ali um plebiscito teledirigido pediu a anexação do país à Rússia.

Na véspera da reeleição, o senhor do Kremlin causou alvoroço mundial insistindo em entrevista à TV estatal que o arsenal da Rússia “está pronto” para uma guerra nuclear e anunciando armas “mais avançadas” que as dos EUA. Só que tais armas “mais avançadas”, quando testadas, resultaram repetidas vezes em fiasco. Por sua vez, seu vice-presidente, Dmitry Medvedev, no Festival Mundial da Juventude 2024 em Socchi, apresentou um mapa do futuro, no qual a Ucrânia só fica com uma área minúscula em torno de Kiev, e mais territórios de países próximos seriam abocanhados pela Rússia.

Pouco antes do referido pleito eleitoral russo, o

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