Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 876 | página 22-23
| AUTODEMOLIÇÃO | (continuação)

processo poderiam ser vistas como passos de transição entre o status quo pré-conciliar e o extremo oposto aqui indicado. Por exemplo, a tendência ao colegiado como modo de ser obrigatório de todo poder dentro da Igreja e como expressão de certa ‘desmonarquização’ da autoridade eclesiástica, a qual ipso facto ficaria, em cada grau, muito mais condicionada do que antes ao escalão imediatamente inferior.

“Tudo isto, levado às suas extremas consequências, poderia tender à instauração estável e universal, dentro da Igreja, do sufrágio popular, que em outros tempos foi por Ela adotado às vezes para preencher certos cargos hierárquicos; e, num último lance, poderia chegar, no quadro sonhado pelos tribalistas, a uma indefensável dependência de toda a Hierarquia em relação ao laicato, suposto porta-voz necessário da vontade de Deus. ‘Da vontade de Deus’, sim, que esse mesmo laicato tribalista conheceria através das revelações ‘místicas’ de algum bruxo, guru pentecostalista ou feiticeiro; de modo que, obedecendo ao laicato, a Hierarquia supostamente cumpriria sua missão de obedecer à vontade do próprio Deus”.4

A invariável confiança da alma católica

Em face dessa calamitosa situação dentro da Santa Igreja, cumpre-nos, a exemplo do Prof. Plinio, não esmorecermos em absolutamente nada nossa fé, mas fortificá-la ainda mais:

“Em meio a esse caos, só algo não variará. É, em meu coração e em meus lábios, como no de todos os que veem e pensam comigo, a oração: “Ad te levavi oculos meos, qui habitas in coelis. Ecce sicut oculi servorum in manibus dominorum suorum, sicut oculi ancillae in manibus dominae suae; ita oculi nostri ad Dominam Matrem nostram donec misereatur nostri”.5 É a afirmação da invariável confiança da alma católica, genuflexa, mas firme, em meio à convulsão geral.

“Firme com toda a firmeza dos que, em meio da borrasca, e com uma força de alma maior do que esta, continuarem a afirmar do mais fundo do coração: ‘Credo in Unam, Sanctam, Catholicam et Apostolicam Ecclesiam’, ou seja, Creio na Igreja Católica, Apostólica, Romana, contra a qual, segundo a promessa feita a Pedro, as portas do inferno não prevalecerão.”

Notas: 1. https://encurtador.com.br/owNX6 2. Cardeal Müller sobre o Sínodo sobre a Sinodalidade: “Uma tomada hostil da Igreja de Jesus Cristo ... Temos de resistir’| National Catholic Register (ncregister.com) 3. Trecho da Via Sacra composta por Plinio Corrêa de Oliveira, publicada por Catolicismo em março de 1951. 4. Revolução e Contra-Revolução, Artpress, Parte III, Cap. III, E (e Posfácio de 1992), São Paulo, 2012. 5. “Levanto meus olhos para ti, que habitas nos Céus. Assim como os olhos dos servos estão fixos nas mãos dos seus senhores e os olhos da escrava nas mãos de sua senhora, assim nossos olhos estão fixos na Senhora, Mãe nossa, até que Ela tenha misericórdia de nós” (Cfr. Ps. 122, 1-2). * Para uma visão de conjunto do Sínodo sobre a Sinodalidade, recomendamos a leitura da matéria principal da revista Catolicismo em sua edição de outubro passado e do muito oportuno livro O caminho sinodal, uma caixa de Pandora — 100 perguntas e 100 respostas.
| INTERNACIONAL |

O rotundo fracasso da esquerda argentina e a incógnita Milei

Luis Dufaur

O resultado oficial do recente pleito na Argentina ainda não havia sido divulgado quando o candidato do “comunismo rosa”, o peronista Sergio Massa, apresentou-se em seu comitê eleitoral e anunciou a seus seguidores desalentados que reconhecia a vitória do adversário Javier Milei. Já havia inclusive lhe telefonado, felicitando-o pelo triunfo.

Os observadores legalmente autorizados no centro de contagem dos votos tinham comunicado que, pelo resultado das “mesas-teste”, não havia mais nenhuma chance para o candidato do atual presidente argentino, o esquerdista Alberto Fernández.

No domingo, 19 de novembro, o desalento da esquerda foi geral, não apenas na Argentina, mas em todo o mundo, inclusive em Santa Marta, no Vaticano.

Mais um candidato da articulação esquerdista latino-americana, que desde 2019 reencarna o falido Foro de São Paulo — com a fachada de Grupo de Puebla — sofreu fragorosa derrota eleitoral.

A quase totalidade dos institutos de pesquisas errou grosseiramente, pois calculou um empate técnico. Entretanto, o candidato Milei acabou vencendo com muita folga, apesar do empenho de chefes de estado de extrema-esquerda, como Lula da Silva, Pedro Sánchez (Espanha), López Obrador (México), Gustavo Petro (Colômbia), e do próprio Papa Francisco, do episcopado, do clero

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