com os leigos na direção deliberando questões próprias às autoridades eclesiásticas.
Na nova igreja “democratizada”, sonhada pelas correntes progressistas e os “teólogos” da libertação, o pretenso “povo de Deus” tomaria as decisões no lugar do clero, dos bispos e do próprio Papa, podendo chegar até mesmo a escolher “democraticamente” um novo Pontífice, como se escolhe um presidente da República.
Em nome de um “coletivo dos fiéis”, essa “igreja sinodal” atuaria à maneira de um laicato tribalista, com suas experiências sentidas ou reveladas misticamente, inspiradas por gurus, num ambiente próprio ao pentecostalismo protestante ou à magia-fetichista-tribal. Ou seja, uma completa negação do sacerdócio hierárquico como estabelecido por Deus para sua Igreja, ao qual cabe ensinar, dirigir e santificar os fiéis.
A “igreja sinodal” não seria dirigida pela cabeça, a autoridade legitimamente constituída, mas pela base, ao estilo das “comunidades eclesiais de bases” — nome originado de sovietes — , que dirigem “auscultando” o “povo de Deus”, e não atendendo ao mandado de Nosso Senhor Jesus Cristo aos Apóstolos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16,15-16).
Uma “pirâmide invertida”, uma “igreja ao avesso”
Ela seria, portanto, uma igreja igualitária, cuja base é superior ao vértice, como numa “pirâmide invertida” — para usar a expressão do Papa Francisco — , que nos faz lembrar da Pirâmide Invertida no Museu do Louvre, mandada construir em 1981 pelo ex-presidente socialista francês François Mitterrand. O Papa afirmou: “Mas nesta Igreja, como numa pirâmide invertida, o vértice encontra-se abaixo da base”1.
Seria uma catolicidade ao avesso, uma “reinvenção da igreja”, não considerando o Papa como infalível, mas sim esse colegiado do “povo de Deus”. Na realidade, não se trata aqui de todo o povo, constituído pelos fiéis católicos, mas de uma minoria barulhenta e revoltada de progressistas radicais.
A esse propósito, é oportuno recordar as palavras ditas há um ano pelo Cardeal Gerhard Ludwig Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé “Eles sonham com outra Igreja que nada tem a ver com a fé católica. [...] e procuram abusar desse processo para levar a Igreja Católica, não apenas em outra direção, mas à destruição da Igreja Católica”.2
A primeira sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade não aprovou as barbaridades elencadas neste artigo, mas iniciou o processo (irreversível?) para se chegar ao ponto tão sonhado pela “Teologia da Libertação”. Conseguirá esse intento na sua segunda sessão, em outubro de 2024? Deus não permita tal dano à Santa Igreja, que “em suas instituições, em sua doutrina, em suas leis, em sua unidade, em sua universalidade, em sua insuperável catolicidade, a Igreja é um verdadeiro espelho no qual se reflete nosso Divino Salvador. Mais ainda, Ela é o próprio Corpo Místico de Cristo”.3
A realização de alguns prognósticos
Em sua obra-magna Revolução e Contra-Revolução, Plinio Corrêa de Oliveira, depois de tratar da IV Revolução — no sentido de um movimento que visa eliminar os restos de civilização católica e impulsionar uma “civilização” tribalista — discorre sobre o plano revolucionário de se impulsionar também o igualitarismo dentro da Igreja, transformando-a numa espécie de “Tribalismo eclesiástico”, sem ordem hierárquica.
A respeito, reproduzimos alguns trechos dessa obra, por tratar-se de prognósticos feitos há décadas, que estão se cumprindo se os compararmos com os projetos do recente Sínodo.
Tribalismo eclesiástico — Pentecostalismo
“Falemos da esfera espiritual. Bem entendido, também ela a IV Revolução quer reduzir ao tribalismo. E o modo de o fazer já se pode bem notar nas correntes de teólogos e canonistas que visam transformar a nobre e óssea rigidez da estrutura eclesiástica, como Nosso Senhor Jesus Cristo a instituiu e 20 séculos de vida religiosa a modelaram magnificamente, num tecido cartilaginoso, mole e amorfo, de dioceses e paróquias sem circunscrições territoriais definidas, de grupos religiosos em que a firme autoridade canônica vai sendo substituída gradualmente pelo ascendente dos ‘profetas’ mais ou menos pentecostalistas, congêneres, eles mesmos, dos pajés do estruturalo-tribalismo, com cujas figuras acabarão por se confundir. Como também com a tribo-célula estruturalista se confundirá, necessariamente, a paróquia ou a diocese progressista-pentecostalista.
“Desmonarquização” da autoridade eclesiástica
“Nesta perspectiva, que tem algo de histórico e de conjectural, certas modificações de si alheias a esse
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