Em suas Considerações sobre o reconhecimento legal proposto das uniões entre pessoas do mesmo sexo, a Congregação para a Doutrina da Fé afirma:
“Para defender a legalização das uniões homossexuais, o princípio do respeito e da não-discriminação das pessoas não pode ser invocado. Distinguir pessoas ou negar a alguém um reconhecimento legal ou um serviço social só é de fato inaceitável se for contrário à justiça (cf. São Tomás de Aquino, Summa Theologiæ, II-II, p. 63, a.1, c.). Não atribuir o status social e jurídico do casamento a formas de vida que não são e não podem ser matrimoniais não é oposto à justiça, mas, pelo contrário, é exigido por ela”.36
8. Os bispos, sacerdotes e fiéis, especialmente os encarregados de funções nas dioceses e paróquias, têm o dever de consciência de negar sua participação em “bênçãos” para duplas homossexuais, ou cerimônias do gênero
Essas ditas cerimônias são sacrílegas, pois, além de tentarem justificar e incentivar atos classificados pela moral católica como pecados, ainda fazem uma simulação do sacramento do matrimônio. Já por esse aspecto, constituem objetivamente pecado grave contra o segundo Mandamento da lei de Deus: “Não tomar o santo nome de Deus em vão”
A esse respeito se pronunciou novamente a Congregação para a Doutrina da Fé no início de 2021:
“Para ser coerente com a natureza dos sacramentais, quando se invoca a bênção sobre algumas relações humanas, é necessário – além da reta intenção daqueles que dela participam – que aquilo que é abençoado seja objetiva e positivamente ordenado a receber e a exprimir a graça, em função dos desígnios de Deus inscritos na Criação e plenamente revelados por Cristo Senhor. São pois compatíveis com a essência da bênção dada pela Igreja somente aquelas realidades que de per se são ordenadas a servir a tais desígnios.
Por tal motivo, não é lícito conceder uma bênção a relações, ou mesmo a parcerias estáveis, que implicam uma prática sexual fora do matrimônio (ou seja, fora da união indissolúvel de um homem e uma mulher, aberta por si à transmissão da vida), como é o caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo”37.
Além disso, tais cerimônias, independentemente dos eufemismos utilizados, são um meio que os demolidores escolheram para logo em seguida pleitear o “matrimônio” homossexual. Gregor Podschun, presidente da Federação da Juventude Católica Alemã, confessou em 11 de março de 2023: “Saudamos a decisão da Assembleia Sinodal na Alemanha de introduzir celebrações de bênção para casais do mesmo sexo e queer. No entanto, esta decisão é apenas um pequeno passo, precisamos de um casamento sacramental para todos”38.
A pergunta que não quer calar: quem propõe isso ainda pode se dizer católico?
Apesar da impossibilidade doutrinária e moral, e da proibição explícita do Vaticano, o então vice-presidente da Conferência Episcopal Alemã, D. Franz-Josef Bode, bispo de Osnabrück, logo terminado o sínodo alemão já começou a implementar em sua diocese as sacrílegas “bênçãos”.39 Dias depois, teve de pedir demissão por não ter agido corretamente diante de casos de abusos sexuais em sua diocese.40 Caso sintomático de como os “avanços’ sinodais não ajudam em nada a luta contra tais abusos…
9. A manobra dialética para amortecer as reações é típica dos movimentos revolucionários
É preciso ter os olhos bem abertos para a tática, famosa sobretudo desde a Revolução Francesa, de recuar um passo após já ter avançado dois. É a hora em que as oposições adormecem, mesmo que um enorme passo tenha sido dado. Há quem seriamente levante a hipótese de que setores mais esquerdistas do episcopado internacional tenham calculado tirar bom proveito da radicalidade tresloucada do Caminho Sinodal Alemão. Após estarem eriçados com as conclusões de sua última assembleia de março de 2023, muitos fiéis desavisados acabariam acatando propostas doutrinariamente errôneas, mas na aparência menos assustadoras, do Sínodo Mundial.
Outra manobra dialética: os ativistas sinodais espalham entre os fieis o medo de dizer algo contra as inovações, sob pena de “causar divisão”. Como se a “unidade” no erro fosse desejável. A unidade só é boa se nasce da verdade. E a verdade só vem daquele que disse de si mesmo “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Não nos deixemos levar por essa falácia, pois é a sanha destruidora dos mesmos ativistas que está rompendo a unidade. Nessa esparrela não caímos!
– O cardeal Marx celebra missa com bandeira do movimento LGBT / Arquidiocese de Munique
– Sob o lema “o amor vence”, mais de cem igrejas católicas da Alemanha ofereceram, a partir do dia 10 de maio de 2021, a bênção a casais homossexuais, numa reação à decisão do Vaticano de não aprovar a união entre pessoas do mesmo sexo. As fotos são de várias dessas igrejas.