O Prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerard Müller, também declarou: “Quem nega os elementos essenciais deste ministério ordenado instituído por Cristo na Igreja como ministério autorizado da Palavra e do sacramento, e quem não reconhece bispos e sacerdotes como pastores designados pelo Espírito Santo, não pode mais se chamar católico”27.
Perguntado pelo Pillar qual será o resultado do processo sinodal de três anos, o Arcebispo Charles Chaput (emérito de Filadélfia, EUA), respondeu: “acho que é imprudente e propenso à manipulação, e a manipulação envolve sempre desonestidade. (…) A sinodalidade arrisca se tornar uma espécie de Vaticano III Lite; um conselho rotativo em uma escala muito mais controlável e maleável. Isso não serviria às necessidades da Igreja ou de seu povo”28.
No mesmo sentido pronunciou-se com clarividência Dom Athanasius Schneider.
“Deus estabeleceu Sua Igreja como um corpo hierárquico. Quando a lei da verticalidade não é observada em um corpo, ou seja, se o centro de comando do cérebro é danificado ou desconsiderado, então o corpo sofrerá confusão e prejuízo. A crítica ao princípio da verticalidade no corpo da Igreja, que o Papa Francisco está fazendo, está minando a constituição divina da Igreja e equivale a ceder ao espírito mundano de competição entre os membros de um corpo, algo sobre o qual São Paulo nos advertiu. Em um corpo, há em virtude de sua constituição natural partes substancialmente diferentes: algumas são mais visíveis e responsáveis pelo governo, enquanto outras são mais escondidas e necessitadas de governo (cf. 1 Cor. 12:17-19, 22-27). Deus deu a Sua Igreja uma constituição claramente vertical: “E Deus nomeou na Igreja os primeiros apóstolos, os segundos profetas, os terceiros mestres.” (1 Cor. 12:28).”
“A respeito daqueles que Deus designou para cargos de autoridade, o Papa Leão XIII ensinou: “Estes, então, são os deveres de um pastor: colocar-se como líder à frente de seu rebanho, prover alimento adequado para ele, afastar perigos, proteger-se de inimigos insidiosos, defendê-lo contra a violência: em uma palavra, regê-lo e governá-lo” (Encíclica Satis Cognitum, n. 12). A colaboração mútua entre a hierarquia – a linha vertical no Corpo Místico de Cristo – e os fiéis leigos, sempre foi ensinada pelo Magistério da Igreja e não é uma descoberta do atual ‘Caminho Sinodal’”.29
Em artigo bem documentado para a revista teológica Communio, Nicholas J. Healy Jr., professor associado da Universidade Católica da América, escreveu:
“O que falta nos vários documentos sobre a sinodalidade ou o processo sinodal é uma reflexão adequada sobre a fonte e o significado da autoridade hierárquica na Igreja. […]
“Neste contexto, é necessário recordar a natureza sacramental da autoridade eclesiástica. O ministério hierárquico não é delegado nem autorizado pelos membros da Igreja; é um dom de graça […].
“A natureza sacramental da autoridade eclesial sugere um caminho de reforma bastante diferente da ideia de ‘promover a participação na tomada de decisões’ proposta pelo processo sinodal”. A verdadeira reforma, portanto, exige um retorno à fonte vital da autoridade, o próprio Cristo. Isto é mais do que um apelo moral para que os ministros hierárquicos da Igreja ajam como servos. Um retorno à fonte de autoridade implica em preservar fielmente o inestimável dom de Cristo que é o depósito da fé”.30
6. Não há novidade nas inovações do Sínodo
Os temas dos documentos pré-sinodais correspondem às exigências ultrapassadas das correntes mais progressistas. Quem lê os anais do Conselho Pastoral holandês (1968 – 1970) fica impressionado com a semelhança deste com o recente Caminho Sinodal Alemão, e com alguns dos documentos preparatórios para o Sínodo Mundial 2023-2024.
Os documentos preparatórios do Conselho Pastoral batavo propunham a abertura da Igreja para relações extramatrimoniais, homossexualidade, aborto e eutanásia.31 Em sua quinta sessão em janeiro de 1970, a proposta de abolir a exigência do celibato sacerdotal foi aprovada por 92 votos a favor, 2 contra, 3 em branco e abstenção dos 8 bispos presentes. No sínodo alemão de 2023, semelhante proposta obteve 94,71% a favor e 5,29% contra, 7,8% de abstenções…
Plus ça change, plus c’est la même chose, dizem os franceses: quanto mais isso muda, mais continua o mesmo!
Resultado prático? Após a escandalosa assembleia trienal, a igreja holandesa entrou em profunda crise de identidade, agravada por dissensões internas e pela percepção de que estava caminhando para um cisma. Em 1970 já havia celebrações litúrgicas de uniões entre pessoas do mesmo sexo na Holanda, incluindo uma Missa pro homophilis.32
Para tentar resolver a crise, S.S. João Paulo II convocou, em janeiro de 1980, um Sínodo Especial dos Bispos da Holanda, no qual as questões controversas foram discutidas. No final da reunião, todos os bispos holandeses tiveram que assinar um documento com as conclusões, muitas das quais representavam uma retração dos erros professados na reunião de 1968-197033.
Por que insistir hoje em trilhar um caminho tão comprovadamente desastroso?
Vale aqui ressaltar que a mesma corrente progressista, que desde aquela época vem promovendo na Igreja a “liberação sexual” da Sorbonne, hoje se arvora como paladina contra os abusos sexuais, frutos podres dessa mesma “liberação sexual”...
7. A lei do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo não está em contradição com Sua lei moral
Os documentos pré-sinodais insinuam que a mudança da moral é uma exigência da “lei do amor”. Esta nos obrigaria à “inclusão radical”. Respondendo a isso, o Arcebispo Samuel Aquila, de Denver (EUA), mostrou como Nosso Senhor estava longe de praticar a “inclusão radical” daqueles que rejeitavam seus ensinamentos, e em vez disso exigia a fidelidade de seus seguidores: “O próprio Jesus não fez exigências que distinguiam seus discípulos daqueles que não respondiam ao chamado radical e dispendioso do Evangelho? (…) Jesus nunca dilui seu ensinamento, nem apela à consciência; ele dá testemunho da verdade (cf. Jó 18,37).”
“(…) A apresentação feita por alguns bispos e cardeais infelizmente não prega a radicalidade do Evangelho e obscurece o verdadeiro amor eterno do Pai pelo pecador. Fé em Jesus Cristo significa uma conversão de vida que leva à paz interior e à alegria eterna, uma alegria e uma paz que ninguém pode tirar do discípulo”.34
Segundo discurso de S.S. João Paulo II, já citado acima, “O rigor do preceito e a alegria de coração podem conciliar-se perfeitamente entre si, se a pessoa que age é movida pelo amor. Quem ama não teme o sacrifício. Pelo contrário, ela procura no sacrifício a prova mais convincente da autenticidade do seu amor”35.
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