3. A lei moral serve para todos os tempos e lugares: “o céu e a terra passarão, mas minha palavra não passará”
Para escândalo de incontáveis almas, multiplicaram-se nos últimos anos os casos de bispos que propõem abertamente a mudança do ensinamento católico a respeito das relações homossexuais e da ideologia de gênero, em ação que se diria concertada.
Os bispos flamengos aprovaram, em 2022, um simulacro de bênção a duplas homossexuais, “usando várias declarações do Papa Francisco para desafiar a proibição da Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano, que dizia que Deus ‘não pode abençoar o pecado’”8. A fórmula flamenga foi alegada durante o Caminho Sinodal Alemão para justificar as inovações9.
Em janeiro de 2023, o cardeal de San Diego, nos EUA, publicou artigo na revista jesuíta America, no qual, entre outras coisas, propõe que o Sínodo Mundial opere a “inclusão” de homossexuais praticantes10 em todas as atividades da Igreja e, especialmente, na recepção da Sagrada Comunhão (sic!)11.
O próprio relator geral do Sínodo sobre a Sinodalidade, Cardeal Jean-Claude Hollerich, afirmou que o ensino católico sobre as relações homossexuais é “falso” e poderia ser mudado.12 Pouco antes, alguns bispos franceses haviam pedido ao Papa que o Catecismo da Igreja Católica (n. 2357) não mais condenasse os atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados”. Além disso, a Conferência Episcopal Francesa pediu a uma comissão de teólogos que estudem a reformulação da doutrina sobre o tema.13
Como se tudo isso não bastasse, foi escolhido como pregador do retiro pré-sinodal o frade dominicano Timothy Radcliffe, que defende publicamente as relações homossexuais como “eucarísticas”, comparando-as à “entrega que Jesus fez de si mesmo” (sic!).14
Dizer que é uma completa subversão da moral católica é insuficiente para qualificar tais declarações.
Para quem diga que a moral da Igreja sobre matéria sexual é coisa do passado, e que a Igreja teria mudado de posição depois do Concílio Vaticano II, servem as palavras de S. S. João Paulo II, em discurso de 14 de maio de 1985:
“Particularmente, no que concerne à esfera sexual, é notória a firme posição [que Jesus tomou] em defesa da indissolubilidade do matrimônio (cfr. Mt. XIX, 3 a 9) e a condenação do adultério, ainda que só de coração (cfr. Mt. V, 27 ss.).
“Diante destas precisas referências evangélicas, é realístico imaginar um Cristo ‘permissivo’ no campo da vida matrimonial, em matéria de aborto, das relações sexuais pré-matrimoniais, extra-matrimoniais ou homossexuais? Certamente permissivista não foi a primitiva comunidade cristã, instruída por aqueles que haviam conhecido pessoalmente a Cristo. Basta aqui reportar-se às numerosas passagens das epístolas paulinas que tratam dessa matéria (cfr. Rom. I, 26 ss.; Cor. VI, 9; Gal. V, 19, etc.). Às palavras do Apóstolo não faltam certamente clareza e rigor. E são palavras inspiradas pelo Alto. Elas permanecem normas para a Igreja de todos os tempos.”15
4. “Discernimento”, “escuta” e “inclusão”: palavras “mágicas” para justificar as mudanças, ao mesmo tempo em que se marginaliza e exclui os católicos coerentes
Os documentos preparatórios para o sínodo mundial propõem ad nauseam a “escuta do povo de Deus” e promovem uma “inclusão radical” das minorias “marginalizadas”.
O Vademecum preparatório do sínodo afirma: “para participar plenamente do ato de discernimento, é importante que os batizados escutem as vozes dos outros em seu contexto local, incluindo pessoas que deixaram a prática da fé, pessoas de outras tradições de fé, pessoas sem crenças religiosas, etc.”.16
Os ateus é que nos precisam dizer agora como devemos ser bons católicos!
A esse rol, o Documento de Trabalho para a Etapa continental acrescenta que devemos incluir no processo de escuta sinodal: os “divorciados casados novamente, pais solteiros, pessoas vivendo em casamentos polígamos, pessoas LGBTQ”.17
Fica claro que “escutar” não significa conhecer de perto os problemas, angústias e dificuldades dos povos, o que a Igreja sempre fez, mas usá-los como pretexto para questionar as verdades da fé e da moral.
De fato, quando o povo fiel se manifesta contra as aberrações doutrinárias, aí a “escuta” não vale. Só é válida quando o “povo de Deus” quer a revolução. Aliás, a “escuta” e “inclusão” têm se revelado na prática exclusão e até perseguição contra os sacerdotes e fiéis católicos que dissintam das inovações sinodais.
Em função disso, pergunta o bispo auxiliar de ‘s-Hertogenbosch (Holanda), D. Robert Mutsaerts: “Quem são aqueles que se sentem excluídos?” E acrescenta que o processo sinodal está sendo conduzido por pessoas que não seguem a moral católica: “Entre os protagonistas deste processo há, para mim, muitos defensores do “casamento” homossexual, pessoas que não acreditam realmente que o aborto é um problema e que nunca se mostram realmente defensores do rico credo da Igreja (...). Quão antipastoral, quão pouco caridoso.”18
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