Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 862 | página 06-07
| HOMENAGEM | (continuação)

Catolicismo prepara para a próxima edição uma reportagem especial sobre as extraordinárias e tocantes cerimônias que cercaram as exéquias da Soberana da Grã-Bretanha, cujo interesse mundial e afluxo de pessoas de todas as idades e condições levam a pensar que ela deixou milhões de órfãos da Beleza e da Ordem neste mundo pardacento e caótico. Mas antecipamos algumas considerações nesta edição.

Paulo Roberto Campos

O encanto da Rainha conquistava os corações.

Com o passamento da Rainha Elizabeth II no dia 8 de setembro, uma estrela de primeira grandeza se apagou, deixando este mundo menos luminoso, menos poético, menos majestoso!

Enquanto incontáveis pessoas, instituições, regiões e nações abandonam suas tradições em adesão à Revolução igualitária que contagiou todos os povos, a Rainha simbolizava séculos de maravilhosas tradições nascidas na Idade Média — perpetuadas na Inglaterra, apesar de serem vilipendiadas pelos espíritos vulgares e igualitários. Ela simbolizava essas tradições e delas dava exemplo por sua elegância, requinte, bom gosto, nobreza de alma e senso do dever — valores destilados pela Cristandade. Ela simbolizava os últimos restos de civilização cristã no mundo atual.

Pode-se dizer que, apesar de a Inglaterra ter abandonado Roma, a Igreja Católica não a abandonou, pois todo o luto e a magnificência das cerimônias que assistimos nos funerais da Rainha provêm da Igreja verdadeira. E se o tufão igualitário do Concílio Vaticano II levou de roldão todo o esplendor da Santa Igreja e dilapidou o quanto lhe foi possível sua doutrina, suas instituições e seus fabulosos cerimoniais, Deus, em sua infinita misericórdia, não permitiu que a orfandade fosse total. Ele fez com que o calor do Sol que incidiu sobre uma monarquia outrora católica, permanecesse séculos depois de ela se tornar protestante. E que esse calor aquecesse nos corações despedaçados do nosso século o amor por uma beleza que extasia e nos leva a desejar ainda mais os esplendores do Paraíso Celeste.

Rainha de todos

Com o falecimento da Soberana não foi somente o povo britânico que ficou de luto. Ficaram também os 56 países membros da Commonwealth, as antigas colônias do Império Britânico e grande parte do mundo.

Nesse sentido se pode dizer que Elizabeth Alexandra Mary Windsor não foi Rainha apenas do Reino Unido, mas de todos os países. Pois em todos eles, apesar das lacunas da Monarca, há homens e mulheres que se consideravam seus súditos e, com o final de seu Reinado, ficaram com o coração partido, com uma sensação de orfandade. Eles a veneravam, e inclusive os mais republicanos nutriam alguma admiração por ela, ou pelo menos a respeitavam.

No Brasil a Rainha sempre foi muito querida. Basta ver o carinho e os aplausos com que foi cercada pelas multidões que acorreram à sua passagem quando nos visitou por dez dias em 1968. Um de seus últimos atos oficiais, senão o último, foi uma mensagem de felicitação aos brasileiros pelo Bicentenário da Independência. Aliás, quando decretou o luto oficial de três dias no País, o Presidente Bolsonaro afirmou: “Ela não era apenas a Rainha dos britânicos, mas uma Rainha para todos nós”.

Luto universal

Uma das manifestações de luto universal foi o mar de flores em frente ao Palácio de Buckingham, residência oficial da Rainha. Incontáveis buquês com bilhetes louvando a Monarca e agradecendo sua ação de presença. A imensa maioria das mensagens era naturalmente em inglês, mas podia-se observá-las em todas as línguas faladas no mundo. A abundância de flores foi tal, que elas desapareceram dos mercados londrinos, sendo necessário importá-las urgentemente de outros países. Foi preciso as autoridades pedirem ao povo para não deixar mais flores frente ao Palácio a fim não atravancar o trânsito.

Esse luto universal também ficou evidenciado nas quilométricas filas de pessoas de todas as idades e nacionalidades que, enfrentando o cansaço e o frio, passavam horas inteiras para prestar sua última homenagem a Elizabeth II fazendo uma vênia frente ao féretro no qual jazia seu corpo. Num determinado momento, a fila chegou a nove quilômetros! Calculou-se que quase um milhão de pessoas enfrentou essas filas. Muitos chegaram a esperar

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