O Brasil autêntico se levanta
A vocação providencial do Brasil e as perspectivas da atual reação conservadora
Introdução
Um teste de nervos: a manobra psicológica das esquerdas para quebrar a fibra nacional e tornar possível sua agenda demolidora
Pergunte, caro amigo, a um bombeiro experiente: qual é a melhor forma de combater um incêndio? Ele certamente lhe recomendará medidas práticas, tipos de extintor, rotas de fuga. Mas, ao final, dirá: o melhor mesmo é uma boa prevenção.
De fato, uma vez que o fogo pegou, ou ele é extinto em poucos minutos, ou fica difícil conter sua propagação.
Mas como se faz uma boa prevenção? Ora, responderá nosso bombeiro, há que aprender com a experiência. É analisando os erros e acertos no decorrer da profissão que se pode preparar um edifício para, na eventualidade de um acidente, ser o menos vulnerável ao alastrar rápido das chamas. Em termos mais simples, é preciso aprender com o incêndio na casa dos vizinhos...
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Voltando o olhar para a América Latina, é difícil, ao falar de incêndio, não recordar a queima das Igrejas ocorrida recentemente no Chile, vizinho nosso… e ao percorrer o mapa latino-americano, incêndios de outra índole nos vêm à mente. Venezuela, Nicarágua, Peru e Argentina estão se debatendo com as consequências do socialismo. É uma porção bem considerável do bairro para não nos preocuparmos com as chamas que podem chegar também até nós. Além de egoísta, tal atitude seria imprevidente.
Nosso Brasil, nosso amado Brasil, passa por um desses momentos que alguns historiadores chamam de “tournants de l’Histoire”, ou pontos de inflexão. Por simplificação, chamemos este período de “o Brasil do pós-PT”. Diante de mais de uma década de implantação gradual mas inexorável da agenda socialista em nosso País, a opinião pública nacional levantou-se como um só homem, e disse um ‘basta’ que ecoa até os dias de hoje: Chega de socialismo! Chega de invasão de terras! Chega de ideologia de gênero! Chega de aborto! Chega de corrupção!
Esse levantar do Brasil profundo fez-se de maneira vigorosa, mas cordial, sem perder a bonomia que sempre caracterizou nosso povo. A prova disso encontrava-se nas ruas durante as manifestações verde-amarelo: nada de quebra-quebra, famílias tirando foto com policiais, Hino Nacional.
Do ponto de vista prático, essa inflexão consagrou-se com a eleição para a presidência do então Deputado Federal Jair Bolsonaro. Ele despontara como o primeiro candidato, nas últimas décadas, com condições de declarar-se abertamente conservador, favorável à família, à propriedade privada e à religião. Diga-se o que se disser a respeito de sua personalidade e de seu temperamento, o fato é que a agenda conservadora foi sendo aplicada conforme anunciada no período eleitoral, ao menos parcialmente.
Era de se esperar, evidentemente, uma oposição ferrenha. Seria ingenuidade imaginar o contrário. Entretanto, o que não se podia calcular bem era o nível assustador de fúria e de desespero por parte das esquerdas, e até de certo “centro”. Ficou clara, desde os primeiros meses do atual governo, a volúpia de jogar o tudo pelo tudo, todas as cartas, pressões, articulações, de maneira a inviabilizar o funcionamento normal de qualquer administração, e assim criar descontentamentos e desejo de mudança.
Essa fúria caracterizou-se por um fanatismo extremamente agitado e intemperante, disposto a toda manobra para derrubar os frutos da reação conservadora. Passando de todos os limites, tentou utilizar a pandemia da Covid-19 para, custasse o que custasse, derrubar o governo e voltar à agenda vermelha petista.
Além disso, um crescente ativismo judiciário fez-se sentir, lançando insegurança sobre o debate nacional.
Estes e outros fatores podem favorecer a corrosão de uma das maiores riquezas de nossa Nação: o bom senso. A nosso ver, é só enervando, desgastando e acirrando que as esquerdas e seus companheiros de viagem podem reiniciar no Brasil o incêndio da socialização, seja a fogo alto, médio ou brando.
INSTITUTO PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA