tamente homossexual da revista dos jesuítas America. Sobre essa carta, O’Loughlin escreveu um artigo no “New York Times” intitulado: “O Papa Francisco enviou-me uma carta. Isso me dá esperança enquanto católico homossexual”. Em sua missiva, o Papa Francisco o elogiava “por iluminar a vida e dar testemunho a muitos padres, religiosos e leigos que optaram por acompanhar, apoiar e ajudar seus irmãos e irmãs doentes de HIV e AIDS, com grande risco para sua profissão e reputação”.18
O Papa Francisco enviou mais duas cartas manuscritas — em maio e junho — , desta feita ao Ministério New Ways, um grupo católico dissidente pró-LGBT nos EUA cofundado pela irmã Jeannine Gramick e pelo falecido padre Robert Nugent. Em 1999, a Congregação para a Doutrina da Fé condenou a irmã Gramick e o Padre Nugent por “grave erro doutrinário” sobre a moralidade sexual e os proibiu de ministrar aos homossexuais. Nas referidas cartas, o Papa Francisco elogiou a Irmã Gramick e o trabalho do Ministério New Ways: “Eu sei o quanto ela sofreu”. “Ela é uma mulher valente que toma suas decisões em oração”.19
Relatório sobre abuso sexual na França
Em 2018, a Conferência Episcopal da França estabeleceu a Comissão Independente sobre Abuso Sexual na Igreja (CIASE) para estudar a história do abuso sexual na Igreja francesa. Em 5 de outubro, a referida comissão publicou um relatório de 2.500 páginas, no qual calculava que mais de 300 mil menores foram abusados por três mil clérigos ou agentes leigos da igreja desde 1950. Estima-se que 80% das vítimas eram meninos, sugerindo fortemente homossexualidade e pederastia.20
O grande número de supostos perpetradores e vítimas provocou um alvoroço na mídia contra a Igreja Católica e os bispos franceses. “Milhares de pedófilos na Igreja Francesa”, estampou em manchete a “BBC News”. O Arcebispo Eric de Moulins-Beaufort, presidente da Conferência Episcopal da França, expressou sua “vergonha e horror” com as descobertas. “Meu desejo hoje é pedir perdão a cada um de vocês”, disse ele em entrevista coletiva. Em sua audiência geral de 7 de outubro, o Papa Francisco declarou: “Às vítimas, desejo expressar minha tristeza e minha dor pelos traumas que suportaram, e minha vergonha, nossa vergonha, minha vergonha que por tanto tempo a Igreja foi incapaz de expressar, isso está no centro de minhas preocupações, garantindo-lhes minhas orações”. E prosseguiu: “Eu oro, e vamos todos orar juntos: ‘A Deus a glória, a nós a vergonha’: este é um momento de vergonha”.21
Em entrevista à “Franceinfo” no dia 6 de outubro, o arcebispo Dom Eric de Moulins-Beaufort foi questionado sobre se o segredo de confissão tinha precedência sobre as leis da república francesa. “O segredo da confissão se impõe a nós e, nisso, é mais forte que as leis da República”, disse. O ministro do Interior, Gérald Darmanin, convidou o arcebispo para discussões na sede do ministério em Paris, provocando muita raiva e medo entre os católicos franceses. No entanto, em 14 de outubro, o governo recuou depois que a Conferência Episcopal Francesa esclareceu que não faria concessões quanto ao segredo da confissão.22
Logo após a publicação do relatório da CIASE, alguns observadores começaram a expressar dúvidas sobre a exatidão dos achados. Oito representantes da prestigiosa Académie catholique de France publicaram uma crítica de 15 páginas ao relatório, mostrando que lhe faltava “rigor científico”. A CIASE só fez um estudo aprofundado de 1.600 casos e 10 mil incidentes e, a partir desses casos, exagerou o número total. Os próprios membros da comissão admitem que o número final possa diminuir em 50 mil... A crítica também aponta que a maioria dos casos é impossível de ser provada ou refutada devido à distância do tempo, e que a maioria dos supostos perpetradores morreu há muito tempo.
Além disso, as “recomendações” do relatório CIASE parecem favorecer uma reestruturação progressista da Igreja como solução. “A avaliação desproporcional deste flagelo alimenta a narrativa de um caráter ‘sistêmico’ e estabelece as bases de propostas para derrubar a Igreja-instituição”, disseram eles. O relatório do CIASE também pede que a Igreja enfraqueça o segredo de confissão para permitir a denúncia de crimes confessados ao Estado francês.23
Revolução indigenista no Canadá
Quando o Papa Francisco sediou o Sínodo Pan-amazônico no Vaticano, em outubro de 2019, foi o ponto de partida para uma revolução social, econômica e religiosa visando dar uma “face amazônica” à Igreja Universal. Ou seja, utilizar-se da questão indígena para atacar a civilização ocidental e impor o tribalismo, a pobreza, o socialismo e o igualitarismo no Ocidente por meio de argumentos religiosos de uma suposta simpatia pelos índios americanos. Nas palavras do falecido bispo Dom Pedro Casaldáliga, notório ativista comuno-indigenista, essa revolução “transcomunista” teria sucesso onde o comunismo de estilo soviético falhou.
Em 2021, essa revolução indigenista deu um grande salto no Canadá. A mídia publicou, em junho, notícias sensacionais sobre a “descoberta” de uma série de cemitérios indígenas contendo restos mortais de milhares de crianças indígenas. Essas crianças foram matriculadas em Escolas Residenciais estabelecidas pelo governo canadense no século XIX e administradas por igrejas, incluindo a Igreja Católica. Reportagens da mídia acusaram a Igreja de ter abusado e até matado muitas crianças, retratando as escolas como campos de concentração e os cemitérios como “valas comuns”.24
Os bispos canadenses expressaram imediatamente “profunda tristeza” pelas “valas comuns”. O Papa Francisco manifestou-se chocado e pediu que fossem apurados os fatos após a descoberta. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, exigiu um pedido de desculpas da Igreja Católica. Em uma entrevista coletiva, ele disse: “Como católico, estou profundamente decepcionado com a posição que a Igreja Católica tem assumido agora e nos últimos anos”. Também ameaçou mover uma ação judicial para obter os registros da Igreja.25 Em 29 de junho, Trudeau revelou que falou “pessoalmente com o Papa Francisco a fim de impressioná-lo sobre a importância de um pedido de desculpas, mas de um pedido de desculpas aos canadenses indígenas em solo canadense”.26 Em outubro, o Papa Francisco concordou em viajar ao Canadá em 2022 a fim de fazer “uma peregrinação para a apuração dos fatos e de reconciliação”.
Em meio ao alvoroço da mídia, a Igreja Católica canadense sofreu uma onda de incêndios criminosos e vandalismos. Dezenas de igrejas, muitas delas em reservas indígenas, foram totalmente queimadas em circunstâncias muito estranhas. Outras ainda tiveram suas janelas e imagens quebradas, portas pintadas com slogans satânicos ou anticatólicos. A maioria desses ataques, senão todos, não foram feitos por índios, mas por terroristas radicais de esquerda. Os líderes indígenas do Canadá imploraram aos perpetradores para não incendiarem suas igrejas: “Queimar igrejas não é