homossexualidade. Ele apoiou ativistas do movimento homossexual, encontrou-se com homossexuais declarados e deu apoio explícito àqueles que buscam normalizar a homossexualidade na sociedade. Bispos católicos, padres e leigos que promovem a agenda LGBT são promovidos ou autorizados a continuar seu ministério, enquanto aqueles que se opõem a ela são silenciados ou perseguidos.
Em 25 de janeiro, o cardeal Joseph Tobin, um dos conselheiros mais próximos do Papa Francisco, juntamente com outros nove bispos, assinaram um documento intitulado “Deus está do seu lado: uma declaração dos bispos católicos sobre a proteção da juventude LGBT”, que condena o bullying de jovens LGBT.
Em fevereiro, o bispo de Mainz, Dom Peter Kohlgraf, declarou em uma entrevista que não se pode esperar que “casais” homossexuais vivam castamente e que a Igreja deve reconhecê-los. Ele pediu à Igreja que mude sua posição sobre o pecado homossexual e reconheça os “casais” homossexuais como uma forma legítima de casamento. “Muitas pessoas que têm atrações homossexuais pertencem à Igreja e são verdadeiramente piedosas no melhor sentido da palavra” — afirmou. Entre os bispos alemães que pediram a mudança da posição da Igreja se incluem o cardeal Reinhard Marx, de Munique; o bispo Franz-Josef Bode, de Osnabrück; o bispo Heinrich Timmerervers, de Dresden-Meißen, e o bispo Georg Bätzing, presidente da Conferência episcopal alemã.7
Portanto, foi com grande surpresa que em 15 de março a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) respondeu aos bispos alemães em “Nota explicativa” contra o “casamento” homossexual, na qual afirmava que “a Igreja não tem e não pode ter o poder de abençoar uniões de pessoas do mesmo sexo”, e que “não é lícito dar uma bênção a relacionamentos, ou parcerias, mesmo estáveis que envolvam atividade sexual fora do casamento”.8
É difícil acreditar que o Papa Francisco tenha emitido esse documento de boa fé. Do contrário não teria aparecido em outubro de 2020 no filme “Francesco” — produzido por um homossexual ucraniano — endossando as uniões civis para “casais” homossexuais: “Os homossexuais são filhos de Deus e têm direito a uma família [...]. O que temos de criar é uma lei de união civil. Dessa forma, eles serão legalmente cobertos”.9
Imediatamente após o Vaticano publicar essa “Nota Explicativa”, bispos progressistas de todo o mundo irromperam em protestos. Dom Johann Bonny, bispo de Antuérpia, na Bélgica, expressou sua “incompreensão intelectual e moral” do documento, chamando-o de “uma vergonha para minha Igreja”.10 O cardeal Christoph Schönborn, de Viena, disse que a declaração da Congregação para a Doutrina da Fé “não exclui as bênçãos dadas a pessoas individuais com inclinações homossexuais”. E acrescentou: “Se é realmente o pedido da bênção de Deus para um caminho de vida que duas pessoas, em qualquer situação, estão tentando trilhar, então essa bênção não lhes será negada”.11 Dom Paul Dempsey, bispo de Achonry, na Irlanda, disse que o documento do Vaticano era “profundamente ofensivo” e que muitas pessoas em relacionamentos homossexuais “enriqueceram a vida da Igreja e continuam a fazê-lo nas paróquias de todo o mundo”.12 Muitos outros bispos em todo o mundo também condenaram o documento.
Os efeitos da “Nota explicativa” do Vaticano no mundo real não foram impedir a aceitação do pecado homossexual e de outras heresias na Igreja, mas de lhes dar um novo ímpeto. Assim, no dia 10 de maio, desafiando o Vaticano, cerca de 100 paróquias católicas alemãs participaram de uma cerimônia de bênção para “casais” do mesmo sexo. O cardeal emérito alemão, Dom Walter Brandmüller, chamou as bênçãos de 10 de maio de “um enorme escândalo, um sinal terrível de heresia, cisma e colapso da igreja”.13
Ainda no mês de maio, estourou um escândalo no sistema escolar católico de Ontário, no Canadá, quando um de seus distritos votou pelo hasteamento da bandeira do arco-íris no exterior das escolas católicas durante o “Mês do Orgulho”, para “garantir que os alunos da comunidade LBGTQ + sejam apoiados”. Muitos pais protestaram contra o referido distrito escolar. O cardeal Thomas Collins, arcebispo de Toronto, emitiu uma declaração dizendo que preferia a cruz como o símbolo de inclusão, mas em vez de condenar a bandeira do arco-íris, apelou para o diálogo.14
Na Itália, o último grande país europeu sem a lei da “homofobia”, grupos homossexuais italianos vêm tentando aprová-la há vários anos. Sua mais recente tentativa foi o chamado projeto de lei Zan — em homenagem a Alessandro Zan, o legislador abertamente homossexual que o apresentou — , o qual foi aprovado na câmara baixa no ano passado, precisando apenas ser referendado pelo Senado. Se isso acontecer, o projeto de lei seria usado como arma para punir e silenciar os cristãos que discordam da homossexualidade e da ideologia de gênero. Uma coalizão de grupos conservadores e católicos lutou para impedir que o projeto se tornasse lei.
De maneira surpreendente, no dia 22 de junho, o arcebispo Dom Paul Gallagher, Secretário para as Relações com os Estados do Vaticano, invocando o direito do Vaticano sobre o Tratado de Latrão (1929), enviou uma nota diplomática ao governo italiano expressando sua preocupação com o referido projeto de lei. A nota verbal se lhe opôs como constituindo uma ameaça à liberdade da Igreja de ensinar a verdade sobre gênero, casamento e família. No dia seguinte, o primeiro-ministro italiano Mario Draghi deu a sua resposta afirmando que a Itália “é um estado laico, e enquanto laico não pode ser confessional”, e que o parlamento italiano “é livre” para aprovar leis que julgar adequadas.15
Uma semana depois, o arcebispo Dom Vincenzo Paglia, chefe da Pontifícia Academia para a Vida, reclamou que foi um “erro” do Vaticano manifestar preocupação sobre a legislação italiana pendente. Dom Paglia — que causou polêmica ao pintar um mural homoerótico em sua catedral de Terni — disse acreditar que a “homofobia” é um problema “óbvio” e “que deve ser combatido é ainda mais óbvio”. Mas a pressão de organizações italianas pró-família — especialmente de Pro Vita & Famiglia — foi forte, e em 27 de outubro o projeto de lei foi reprovado no Senado por 154 votos contra 131.16
O Papa Francisco interveio pessoalmente para apoiar notórios ativistas pró-LGBT ao longo desse ano. Em 28 de junho, durante o “Mês do Orgulho”, ele enviou uma carta manuscrita ao padre jesuíta James Martin, um notório ativista homossexual, conhecido por seu livro Construindo uma ponte: Como a Igreja Católica e a comunidade LGBT podem entrar em uma relação de respeito, compaixão e sensibilidade, no qual tenta tornar normal o pecado homossexual na Igreja Católica. O Papa Francisco agradeceu-lhe “pelo zelo pastoral e pela capacidade de estar perto das pessoas, com aquela proximidade que Jesus tinha e que reflete a proximidade de Deus”. E elogiou o padre Martin por “tentar imitar este estilo de Deus. Você é um padre para todos. Rezo por vocês para que continuem assim, sendo próximos, compassivos e com muita ternura”.17
Em agosto, o Papa Francisco enviou uma carta a Michael O’Loughlin, o correspondente nacional aber-