uma solidariedade para conosco, indígenas. Como eu disse, não destruímos os locais de culto das pessoas”, declarou um líder indígena.27
Logo, muitos observadores começaram a ver a agenda política por trás da propaganda sobre as Escolas Residenciais. Na verdade, a mídia está deliberadamente ignorando os fatos para promover uma narrativa de esquerda. Um relatório do Dr. Scott Hamilton, do Departamento de Antropologia da Lakehead University em Ontário, mostrou que, embora tenha havido alguns casos de abuso de crianças no sistema de escolas residenciais, no entanto, a maioria dos problemas e abusos não foi culpa da Igreja Católica, mas do Departamento Canadense de Assuntos Indígenas, principalmente devido à falta de financiamento e negligência do governo. Os cemitérios não eram “valas comuns”, mas cemitérios normais, onde os professores e outros administradores também foram enterrados ao lado de crianças, em um momento em que as crianças pequenas tinham uma taxa de mortalidade muito mais alta.
Mais importante ainda, o momento do alvoroço da mídia ilustra a sua má-fé bem como a dos grupos que estão acusando a Igreja. Os abusos e problemas com as Indian Residential Schools já eram estudados e conhecidos no Canadá há décadas. Não houve nada de novo no que foi descoberto, mas a mídia irrompeu numa campanha de ódio muito bem coordenada contra a Igreja Católica e as Escolas Residenciais. O primeiro-ministro Trudeau, defensor radical dos “direitos” ao aborto, participou desse teatro de rua ao posar com um ursinho de pelúcia ajoelhado no chão em um desses cemitérios.28
A razão do repentino alvoroço da mídia não é a trágica, mas exagerada existência de alguns casos de abusos de crianças indígenas nas escolas residenciais do Canadá. Os revolucionários rejeitam a própria noção de assimilação, preferindo que os índios permaneçam pobres, subdesenvolvidos e separados da sociedade ocidental. A questão é promover a Revolução Indigenista prometida pelo Sínodo Pan-amazônico. Isto é, primeiro denegrir, humilhar e desmantelar a civilização ocidental a fim de promover um novo modelo social, econômico e cultural para o Ocidente, com base no primitivismo indígena pré-cristão e no paganismo. Esse alvoroço da mídia é um primeiro grande passo para realizar o sonho do Papa Francisco de uma Igreja e sociedade com uma “face amazônica”.
Vitória de Pirro de Biden e o debate sobre o aborto nos EUA
A eleição de Joe Biden e sua cerimônia de posse em 20 de janeiro marcaram uma importante virada na política mundial em 2021. Muitos viram a sua vitória como um repúdio ao “trumpismo” — ou melhor, como o fim da reação conservadora nos EUA representada por Trump, e a ascensão da esquerda católica ao poder. Na verdade, o movimento conservador norte-americano está mais forte do que nunca, Joe Biden é o presidente mais fraco em mais de meio século, e o movimento pró-vida vem causando sérios problemas para a Revolução nos EUA.
Além da presidência, a eleição de 2020 foi um desastre para os democratas, que segundo as pesquisas ganhariam mais de 15 cadeiras na Câmara dos Representantes, quando na verdade perderam 12 cadeiras, e quase perdem a maioria. Eles conquistaram três cadeiras no Senado, mas tampouco conseguiram a maioria. De fato, Joe Biden tem a menor maioria no Congresso desde John F. Kennedy em 1960. Os democratas também fracassaram em âmbito estadual, não conseguindo tirar dos republicanos o controle de uma única legislatura, e até perderam duas para os republicanos. Nas palavras de “The New York Times”, a “onda azul diminuiu nas casas estaduais de todo o país”.29 [Azul é a cor do Partido Democrata].
Embora Joe Biden se apresentasse como centrista que traria “unidade” ao país, os democratas embarcaram em uma corrida para a extrema esquerda. Eles promoveram uma plataforma radical e comunista de abolição da polícia, “teoria racial crítica”, nacionalização da assistência médica, imigração ilegal irrestrita, teoria de gênero e eliminação das restrições ao “direito” ao aborto. Joe Biden nada fez para impedir essa marcha radical rumo à extrema esquerda. Como consequência, seu índice de aprovação caiu de 56% em janeiro para 44,7% em outubro, a maior e mais rápida queda de qualquer presidente americano desde a Segunda Guerra Mundial.30
Biden, o segundo presidente católico dos EUA, fez de sua fé católica uma parte importante de sua imagem pública. Sua cerimônia de posse foi repleta de importantes líderes da esquerda católica americana. Ele nomeou muitos esquerdistas católicos para o seu governo. Seu discurso inaugural evocou inclusive o slogan do “grito dos pobres” e do “grito da terra” do ex-frade franciscano e teólogo da libertação Leonardo Boff, no Brasil. Muitos observadores disseram que Biden representa a esquerda católica no poder.
Este conflito entre a fé de Biden e seu apoio ao aborto provocou uma reação maciça entre o movimento pró-vida, com predominância católica. Muitos ficaram indignados pelo fato de Biden, um pecador público e defensor do crime do aborto, continuar a receber a Sagrada Comunhão.
O arcebispo de Los Angeles, Dom José Gómez, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), embora favorável a muitas posições esquerdistas de Biden como em relação aos migrantes e à saúde, foi forçado a emitir uma declaração criticando seu apoio ao aborto. “É lamentável que um dos primeiros atos oficiais de Biden promova ativamente a destruição de vidas humanas nas nações em desenvolvimento [...]. Esta ordem executiva é antitética à razão, viola a dignidade humana e é incompatível com o ensino católico”, escreveu ele.31
Isso provocou meses de debates sem precedentes e até de polêmicas dentro do episcopado americano. Alguns clérigos, como o cardeal Blaise Cupich, de Chicago, o cardeal Tobin, de Newark (New Jersey), o bispo Robert McElroy, de San Diego (Califórnia) e o bispo John Stowe de Lexington (Kentucky) atacaram Dom Gomez por criticar as posições pró-aborto de Biden. Dom Mc Elroy disse que os católicos deveriam ser “colaboradores orgulhosos”32 da administração Biden e que era “destrutivo” negar a Sagrada Comunhão a Biden.
O próprio Papa Francisco interveio várias vezes no debate. Em seu voo de volta da Eslováquia para Roma, em 15 de setembro, ele declarou que “aborto é assassinato”, mas que “eu nunca recusei a Eucaristia a ninguém”. E perguntou: “O que um pastor deve fazer?” Ao que ele mesmo respondeu: “Seja um pastor; não vá condenando”. O presidente Biden visitou o Papa Francisco no Vaticano em 29 de outubro. “Acabamos de falar sobre o fato de que ele estava feliz por eu ser um bom católico e por continuar recebendo a comunhão”, disse ele aos repórteres.33
Outros bispos americanos, incluindo o arcebispo Salvatore Cordileone, de San Francisco (Califórnia), o bispo Joseph Strickland, de Tyler (Texas) e o arcebispo Joseph Neumann de Kansas City (Kansas) escreveram cartas pastorais e se manifestaram veementemente contra os políticos católicos pró-aborto, embora não tenham conclamado a lhes negar a Comunhão. O arcebispo Neumann disse em uma entrevista: “Obviamente, ou o presidente não crê no que acreditamos sobre a sacralidade da vida humana, ou não estaria agindo como está