[...]. E ainda assim, ele continua a receber a Eucaristia. Não podemos julgar seu coração. Mas consideramos a própria ação um grave mal moral”.34 O cardeal Raymond Burke disse que os funcionários públicos católicos que promovem o aborto são apóstatas e provavelmente hereges também. “A recepção da Sagrada Comunhão por aqueles que pública e obstinadamente violam a lei moral em seus preceitos mais fundamentais é uma forma particular de grave sacrilégio [...]. Claramente, nenhum padre ou bispo pode conceder permissão a uma pessoa que se encontra pública e obstinadamente em pecado grave a receber a sagrada comunhão”.35
Na sessão plenária de junho, os bispos votaram a redação de um documento sobre “Coerência Eucarística”, o qual foi aprovado e publicado na reunião de novembro. O documento repetia parte da doutrina da Igreja a respeito do pecado e da dignidade de receber a Sagrada Comunhão, mas não tratava sobre a questão da negação da Comunhão para políticos católicos pró-aborto como Joe Biden ou Nancy Pelosi. Em um artigo “The New York Times” afirmou que os “bispos católicos romanos dos Estados Unidos recuaram de um conflito direto com o presidente Biden”.36 Embora a USCCB tenha evitado tomar qualquer posição firme em relação aos católicos pró-aborto, a intensa pressão dos católicos pró-vida para agir não só continuará com certeza, mas aumentará.
Protestos contra o passaporte sanitário
Muitos governos em todo o mundo, especialmente na Europa, impuseram em 2021 passaportes sanitários para segregar e punir aqueles que não tomaram a vacina contra a Covid-19. Na França, cerca de 250 mil pessoas protestaram todo fim de semana, por mais de dois meses, depois que o país exigiu o passaporte sanitário para a frequência de restaurantes e outros locais públicos.37
Muitas dezenas de milhares de pessoas protestaram e até se amotinaram na Bélgica, Áustria, Holanda, Croácia, Itália e no Reino Unido, quando esses governos decretaram requisitos de vacinas para o trabalho ou para fazer compras em lojas.38 Em novembro, o governo austríaco impôs o primeiro bloqueio no mundo para pessoas não vacinadas, gerando enormes protestos em Viena.39 Muitas centenas de milhares protestaram contra mandatos semelhantes na Bulgária, República Tcheca, Austrália, Irlanda do Norte e em outros lugares. Quando o presidente Biden impôs um mandato do empregador para a vacina, milhares de americanos igualmente protestaram de Nova York à Califórnia.
Uma declaração publicada pelas TFPs e organizações irmãs de todo o mundo, em outubro de 2020, descreveu a pandemia Covid-19 como uma ferramenta nas mãos da Revolução para destruir o que resta da civilização cristã ocidental. Em 2021, os mandatos da vacina não cumpriram seu propósito, que é o de vacinar toda a população. Em vez disso, o tiro saiu pela culatra, causando raiva, divisão, ressentimento, polarização, conflito social e até mesmo ameaças de guerra civil.40
Grande mudança à direita na opinião pública mundial
A eleição de Donald Trump e Jair Bolsonaro, o voto Brexit e a ascensão de movimentos e partidos de direita em todo o mundo ocidental nos últimos 10 anos chocaram e irritaram os comentaristas de esquerda. Quando Donald Trump perdeu a reeleição em 2020, muitos presumiram que essa mudança para a direita cessaria. Ao contrário, essa tendência continua e até se acelera. Em nenhum momento da história moderna, talvez, o mundo ocidental experimentou um movimento tão maciço da opinião pública rumo à direita.
Em maio, uma empresa think-tank francesa chamada Fondation pour L’Innovation Politique publicou um importante estudo de quatro países europeus, França, Alemanha, Reino Unido e Itália, apontando que nesses países a opinião pública mudou profundamente para a direita em questões econômicas, imigração e Islã.41 O segmento da população com maior probabilidade de ser identificado como de direita é o dos jovens.42
Na França, a ascensão do jornalista de direita Éric Zemmour e sua decisão de concorrer à Presidência em 2022 representam uma mudança significativa para a direita francesa. Um artigo publicado no “Le Figaro” em outubro descreveu esse movimento para a direita com o título “Seis meses antes da eleição presidencial, a sociedade francesa está mais à direita do que nunca”. Só nos últimos quatro anos, o número de franceses que se identificam como direitistas passou de 33% para 37%, enquanto os que se identificam como esquerdistas caiu de 25% para 20%. A maior parte dessa mudança se deve à preocupação com o crime, a imigração e o Islã.43
Essa grande mudança ocorreu também na Igreja Católica. Missas latinas tradicionais vêm crescendo muito nas últimas décadas, mas de modo especial (e paradoxalmente) sob o pontificado de Francisco. Desde o início da pandemia de Covid-19, o número de assistentes às missas tridentinas dobrou ou até triplicou. Uma pesquisa da Crisis Magazine estima que a frequência às Missas tradicionais nos EUA aumentou 71% desde janeiro de 2019.44
Essa mudança rumo à tradição é mais notável por ser sobretudo um fenômeno de jovens católicos nascidos muito depois da introdução do Novus Ordo Missae. A tendência conservadora também se passa no clero. Um relatório de 2021 da Survey of American Catholic Priests mostrou que nos últimos 20 anos os padres americanos são significativamente mais tradicionais e ortodoxos do que os padres das décadas de 1970 e 1980. “Os padres católicos ordenados a partir do ano 2000 tendem a ser anda mais conservadores”, registrou o documento.45
A resposta do Papa Francisco foi perseguir a Missa tradicional. Em 16 de julho ele publicou a carta apostólica Traditionis Custodes que impõe restrições à celebração da liturgia tradicional.46 Uma carta anexa ao documento explicava que as razões para restringir o uso do Rito Tridentino eram por causa da “rejeição não só da reforma litúrgica, mas do próprio Concílio Vaticano II, alegando, com afirmações infundadas e insustentáveis, que traiu a Tradição e a ‘verdadeira Igreja’”.47 Alguns bispos em todo o mundo começaram a colocar restrições à celebração do Rito Tridentino, mas a maioria, especialmente na América do Norte e na Europa, foi obrigada a manter o status quo. Embora o Papa Francisco tenha tentado impedir o crescimento do movimento tradicionalista na Igreja, é improvável que ele consiga deter aquilo que parece ser obra da graça entre os fiéis católicos.
Nossa Senhora de Fátima e os acontecimentos
Com a Revolução destruindo instituições em todos os campos, ameaçando guerras internas e externas, perseguições e as formas mais radicais de socialismo, revolução e até satanismo, a mensagem de Nossa Senhora de Fátima é mais relevante do que nunca. Os “erros da Rússia”, como Ela alertou, são como um câncer, atingindo seu estágio final de metástase. Socialismo, comunismo, teoria de gênero, homossexualidade, blasfêmia, satanismo e perseguição sangrenta à Igreja estão ameaçando destruir as nações.
A própria Rússia, junto com a China comunista,