Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 852 | página 06-07
| PALAVRA DO SACERDOTE | (continuação)

tural que o branco seja a cor dos paramentos nas missas das virgens e o vermelho a cor dos mártires.

A Igreja ordena, por meio da lei litúrgica, a cor dos paramentos a serem usados por seus ministros sagrados no ofício do dia. Em algumas igrejas há também o belo costume de trocar a cortina que cobre o tabernáculo (chamada conopeu) para que seja da mesma cor dos paramentos do celebrante. Nas grandes festas, era tradição colocar um pano da mesma cor na parte inferior do altar, entre a mesa do altar e o piso, chamado antependium (do latim ante, diante e pendere, pendurar), porque originariamente colocavam-se relíquias sob o altar, as quais eram ocultadas durante a missa.

As cores assim sancionadas pela Igreja em conexão com seu culto público são chamadas cores litúrgicas e, no rito latino, elas são atualmente cinco principais: branco, vermelho, verde, roxo e preto. Nas grandes solenidades pode-se utilizar o dourado. No meio da Quaresma e do Advento, que são tempos litúrgicos de penitência, pode-se usar a cor rosa em dois domingos específicos, como será explicado mais adiante. Nas festas de Nossa Senhora, o azul é autorizado na Espanha e nas suas antigas colônias, ou seja, na América hispânica e nas Filipinas. Posteriormente, tal privilégio foi estendido à Áustria, aos carmelitas e a alguns santuários marianos.

O Brasil não possui este privilégio e, para adquiri-lo, seria necessário que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil fizesse um pedido formal à Santa Sé e recebesse uma resposta favorável, pois só ela tem autoridade para alterar as cores litúrgicas (contrariamente à imensidade de abusos que se veem por todos os lados, o pior dos quais é utilizar as cores do arco-íris em apoio ao movimento LGBT!).

Tratado definindo as cores no calendário litúrgico

Demorou certo tempo até a Igreja fixar suas regras para as cores litúrgicas. Nos ritos mais antigos (por exemplo, o de Jerusalém), o paramento do Dia do Senhor era simplesmente uma túnica não tingida, bem limpa, feita de linho e, mais raramente, de lã, que lembrava a cor branca. Isso era apropriado, pois o branco é a cor cristológica por excelência, que lembra a inocência do divino Cordeiro. Dizemos que era uma cor que lembrava o branco, porque as técnicas de branqueamento dos tecidos foram lentas e caras, então se usavam, na verdade, vários tons de cinza.

A partir do século VII, em âmbito diocesano, as cores principais passaram a ser as três cores clássicas utilizadas desde a antiguidade: vermelho, branco e preto. Vários matizes foram sendo introduzidos, dependendo do feriado, os quais diferiam entre si essencialmente pela intensidade e brilho, chegando-se a um total de sete cores: havia três tons de vermelho, dois de branco e dois de preto. No branco, o candidus era mais brilhante do que o albus. No preto, o niger era mais brilhante do que o ather. Nos três vermelhos, o purpureus era mais brilhante do que o coccinus ou o ruber. O ouro, que na verdade era mais um amarelo, começou a ser adicionado a essas três cores. Depois foram integrados o verde e o roxo. Apesar de algumas diretrizes gerais e pouco claras, a escolha da cor era geralmente uma decisão do celebrante.

Havia padres que celebravam a Páscoa com vestes brancas, enquanto outros usavam vestes vermelhas ou mesmo verdes. Alguns padres confeccionaram casulas muito caprichosas e despropositadas, que logo foram condenadas pelos bispos locais por serem consideradas pouco decentes (casulas listadas, multicoloridas ou muito vistosas, combinando mais de duas cores, com significados totalmente diferentes).

A partir do século XII foram feitas tentativas de uniformizar as cores nos ritos da Igreja. Os liturgistas da época concordavam em atribuir significados precisos às três cores principais. O vermelho era a cor da Paixão, do martírio e do Espírito Santo. O branco era a cor da Páscoa da Ressurreição, enquanto o preto era a cor da abstinência, da penitência e do luto. O roxo foi considerado um subniger, ou seja, um derivado e substituto, passando a substituir o preto na época do Advento.

O cardeal Lottario dei Conti de Segni escreveu, no fim do século XII, um tratado intitulado De sacrosancti altari mysterio, que incluía uma seção sobre as cores litúrgicas. Depois de eleito Papa, sob o nome de Inocêncio III, ele governou a Igreja de 1198 a 1216 e oficializou quatro cores litúrgicas: branco, vermelho, preto e verde. No seu tratado, ele deu um sentido definitivo às cores e às correspondências no calendário litúrgico, a fim de evitar interpretações vagas de cada celebrante: o vermelho devia ser usado apenas nas festas dos apóstolos, dos mártires, da Santa Cruz e em Pentecostes; o branco, nas festas da Quinta-Feira Santa, Páscoa,

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