Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 852 | página 08-09
| PALAVRA DO SACERDOTE | (continuação)

Natal, Epifania, Ascensão, Todos os Santos, dos anjos e na comemoração das virgens e dos confessores. O preto devia ser usado apenas nas festas dos mortos e durante o Advento e a Quaresma, assim como na festa dos mártires Inocentes (isso depois mudou). Nos demais dias, deve-se usar apenas a cor verde, porque — escreve ele no seu tratado — é uma cor “a meio caminho entre o vermelho, o preto e o branco”. O roxo às vezes podia substituir o preto e o amarelo podia substituir, em casos específicos, apenas o verde.

Beleza da variedade harmônica das cores na liturgia

Foi somente nos séculos XIII e XIV que o azul (pela sua associação com o céu) foi introduzido na liturgia, como cor a utilizar-se nas festas marianas e exclusivamente nos ritos nativos da Espanha (como o moçárabe), mas nas outras áreas, o branco permaneceu como a cor oficial para as festas marianas.

Durante a era barroca (século XVII), duas novas cores litúrgicas foram introduzidas: o ouro e o rosa. A primeira cor, já em voga como substituto do branco e do verde, foi amplamente utilizada nas solenidades marianas do rito romano, em vez do azul espanhol e do branco romano anterior. No entanto, ficou estabelecido que a cor dourada, símbolo da majestade de Deus, poderia substituir qualquer cor, exceto roxo e preto, cores de penitência.

O rosa, uma novidade absoluta, foi introduzido apenas para o terceiro domingo do Advento (chamado de Gaudete) e quarto domingo da Quaresma (chamado de Laetare), como uma cor a meio caminho entre o roxo (típico desses tempos litúrgicos) e o branco, porque nesses dois domingos são lembradas, respectivamente, as promessas venturosas da Natividade e da Ressurreição, assim como da instituição da Eucaristia, pela leitura do milagre da multiplicação dos pães.

Num mundo que oscila entre uma uniformidade pardacenta e uma chocante estridência multicolor, a variedade harmônica de cores dos paramentos dos celebrantes e da decoração das igrejas, assim como seu desfile gradual ao longo do ano litúrgico, com um pontilhado de interrupções por causa de festas religiosas específicas, constituem um regalo para os olhos e para o espírito, povoando a alma dos fiéis com pensamentos elevados a propósito dos mais sagrados mistérios da religião católica.

Em breve começará um novo Ano Litúrgico (no primeiro Domingo de Advento). É uma boa ocasião para meditarmos a respeito das belezas dos ritos da Igreja e pedirmos a Nossa Senhora que ponha fim o quanto antes aos inúmeros abusos litúrgicos que desnaturam a Sagrada Liturgia, particularmente no augusto sacrifício do altar.


| BREVES RELIGIOSAS |

Dom Estêvão Yang morre fiel à Igreja, aos 99 anos

O bispo emérito de Handan, Dom Estêvão Yang Xiangtai, faleceu aos 99 anos de idade. Ele foi preso inúmeras vezes pelos comunistas até a Revolução Cultural de 1966, não sendo mais liberado a partir de então. Em 1970 foi julgado e condenado a 15 anos de ‘reeducação’ em campos de trabalho forçado, mas em 1980 foi absolvido. Sagrado bispo em 1996, em 2011 ele sagrou em segredo o bispo Joseph Sun Jigen, para evitar que a cerimônia fosse presidida por um bispo ilegítimo. Dom Yang nunca se submeteu à cismática ‘igreja patriótica’, submissa ao Partido Comunista Chinês. Em 2015, ele apoiou os corajosos protestos do clero de Wenzhou contra a demolição de cruzes na província de Zhejiang.


Mais ‘bispos’ anglicanos se tornam católicos

Michael Nazir-Ali (foto), ‘bispo’ candidato a Primaz da Comunhão Anglicana, abandonou essa igreja e passou para a Igreja Católica na festa de São Miguel Arcanjo, “numa das conversões politicamente mais significativas em muito tempo”. Nessa igreja protestante as ordenações e sagrações são inválidas. Poucas semanas antes havia se convertido Jonathan Goodall, ‘bispo’ de Ebbsfleet. Em maio fez o mesmo John Goddard, ‘bispo’ de Burnley. Em 2019, o ‘bispo’ Gavin Ashenden, ex-capelão da Rainha, também se fez católico. Ashenden disse que a conversão de Nazir-Ali “significa que o cisma que tem suas raízes na Reforma (protestante) se esgotou e que a luta passou a ser entre os resquícios do cristianismo contra o marxismo cultural”, repudiando o feminismo e a agenda LGBT na igreja anglicana.


Espanhóis mortos pelo comunismo são proclamados mártires

São 2.046 os mártires do comunismo na Guerra Civil Espanhola, inscritos no Martirológio Romano da Igreja Católica. O número inclui os 127 sacerdotes, seminaristas, religiosos e fiéis leigos da diocese, mártires proclamados em outubro 2021 na Catedral de Córdoba. Maria José e Lourdes Fuentes García lembraram que os assassinos socialistas vieram buscar seu tio, o beato Francisco García León, que só tinha 15 anos e usava o escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Como ele se recusou a se afastar do pai, mataram-no também. A análise dos restos mortais encontrou o pai e o filho abraçados, aparentando terem sido enterrados vivos após o tiro. O beato Antônio Gaitán Perabad era muito jovem e “viu como pegaram seu pai e disseram para ele ir embora com a mãe, mas ele não quis. E o mataram”, contou Maria Esther Fuertes, viúva de um de seus irmãos.


Muçulmano apunhala parlamentar católico

O legislador britânico Sir David Amess, de 69 anos, militante contrário ao aborto, morreu após ser esfaqueado várias vezes durante uma reunião pública em Leigh-on-Sea (Inglaterra). O assassino, Ali Harbi Ali, que estava indiciado por preparação de atos terroristas, disse estar ligado ao Estado Islâmico. Amess era casado e deixou uma família com cinco filhos. Há uma afinidade profunda entre os militantes da ‘cultura da morte’, os inimigos da família bem constituída e os terroristas islâmicos.


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