Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 852 | página 38-39
| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)

Padre Anchieta, autor do primeiro presépio do Brasil

São José de Anchieta foi pioneiro de muitas artes no Brasil, inclusive da representação do Natal. Em 1553, em São Vicente (SP), quando era noviço jesuíta, apresentou pela primeira vez no País o Presépio aos índios e filhos de colonos, segundo consciencioso relato do Santuário Nacional São José de Anchieta, na cidade de Anchieta (ES).

Ele confeccionou o Presépio engajando os índios locais e suas técnicas em cerâmica. Assim, transmitiu ao catolicismo nascente no Brasil a tradição natalina medieval inaugurada por São Francisco de Assis na cidade italiana de Greccio em 1223, a qual se prolonga até os nossos dias, apesar da trágica crise religiosa provocada pelo Concílio Vaticano II.

O Padre Anchieta, a pedido do Padre Manuel da Nóbrega, também escreveu uma peça teatral para o Natal adaptada aos índios de São Lourenço, atual cidade de Niterói.

Nela, o grande Apóstolo do Brasil não deixou de increpar o triste estado desses indígenas e imaginou o diálogo entre um pecador — o silvícola — que se aproxima do Presépio e do Menino-Deus, “o menino mui formoso, santo menino, nas palhinhas deitado para salvação do pecado”.

No Poema à Virgem Maria incluiu os seguintes versos a respeito do Natal:

“Ó noite, na qual a escuridão sombria é repelida, e a sua cor

É retirada das coisas nesse imenso mundo,

Noite em que Deus se eleva revolvido em um corpo de criança,

Ele que a arca da Virgem resguardou por nove meses!

Ó feliz Virgem, rogo-lhe aquela grande alegria

Que, silenciando-se a noite, tocou o fundo do teu coração,

Quando ante o teu olhar repousou o pequenino bebê, aquele que

Emanou do Verbo do Pai, perante a nova estrela da manhã”.

Fonte: Santuário Nacional São José de Anchieta, em Anchieta, ES.
https://www.santuariodeanchieta.com/sao-jose-de-anchieta-e-a-celebracao-do-nascimento-de-jesus/

Doçura do Natal, fortaleza para nossas almas

Paulo Henrique Américo de Araújo

Com a proximidade do Natal, não raramente sentimos aquela atmosfera de doçura, de misericórdia e de perdão que dimanam da gruta de Belém. Basta considerarmos, por exemplo, que ali se entreolharam, pela primeira vez, o Divino Infante recém-nascido e sua bendita Mãe. E São José, o casto esposo da Santíssima Virgem, contemplou em silêncio e extasiado esta maravilhosa cena.

Para a alma católica, tal encantadora ternura não pode deixar de ser alimentada. Com esse propósito, transcrevemos algumas visões da Sóror Josefa Menéndez relacionadas ao Natal. Esta religiosa espanhola da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus, falecida em odor de santidade em 1923, foi a mensageira de um apelo do Sagrado Coração ao mundo atual. As impressionantes revelações acham-se reunidas num volume intitulado Apelo ao Amor — Mensagem do Coração de Jesus ao Mundo.1

Sirva-nos tal descrição para expulsar de nossas almas a baixeza e a vilania deste mundo paganizado que despreza sistematicamente a infinita misericórdia e bondade de um Deus que se fez pequenino para nos salvar. Além disso, o relato serve-nos de preparação para enfrentarmos com serenidade as provações e sofrimentos da vida, outro aspecto recorrente nas visões da freira.

Na festa de Natal, 25 de dezembro de 1920, Josefa escreve:

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