Gloria a Deus, condição essencial para a paz na terra
É uma tradição de Catolicismo publicar na sua edição de dezembro matérias concernentes ao Santo Natal do Menino Jesus, que constitui com a Páscoa as duas maiores festas da Cristandade.
Neste ano reproduzimos um artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, publicado aqui em dezembro 1963, no qual ele chama a atenção para o fato de que a imensa maioria das pessoas não atenta para o verdadeiro sentido da expressão “Paz na Terra”, contida na citação de São Lucas “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”.
Dr. Plinio mostra que não pode haver “Paz na Terra aos homens de boa vontade” (nem aos de má vontade...) se a humanidade não estiver voltada para a “Glória de Deus”. Como nos ensinou o Divino Mestre, “buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6, 33). Só assim teremos a “Paz na Terra”; se esquecermo-nos de Deus, não teremos o seu Reino e nem o acréscimo. Não teremos a verdadeira paz!
Em nossa época narcotizada pelo desejo de paz a qualquer preço — mesmo à custa da renúncia aos ideais católicos — , convém ter bem presente o que disse Santo Agostinho: “A paz é a tranquilidade da ordem de todas as coisas”. Segundo esta definição, paz não é apenas um período de tranquilidade, mas de “ordem de todas as coisas”; e tudo estará desordenado se os mandamentos de Deus forem transgredidos.
Outro aspecto importante dessa temática é que a “Paz na Terra — como consta no artigo em pauta — inclui a cessação de todas as lutas, exceto a incessante e gloriosa guerra contra o demônio e seus aliados, isto é, o mundo e a carne”. Aliados que atuam para tentar apagar da memória a lembrança de Deus. Daí os Natais secularizados de nosso século, parecidos com festas do comércio. Não se conseguiu eliminar inteiramente a lembrança do Natal, mas se conspira para que um dia isso aconteça.
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Além do artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, duas outras matérias o complementam. Seus autores, Luís Dufaur e Paulo Américo de Araújo, acrescentam fatos e comentários evocativos do Santo Natal, quando há 2021 anos nascia em Belém o Príncipe da Paz, o Deus que faz guerra aos sequazes de Lúcifer e apresenta a única solução para as desordens que abalam o mundo e geram conflitos.
Um Santo e Feliz Natal a todos os diletos leitores de Catolicismo, com os nossos melhores votos de um Ano Novo repleto das mais seletas graças e bênçãos do Menino Jesus e de sua Mãe Santíssima.
Por que cores diferentes nos paramentos?
Padre David Francisquini
Pergunta — O senhor poderia explicar por que o padre aos domingos, ou mesmo nos dias de semana, celebra a missa com paramentos de cores diferentes? Agradeço de antemão.
Resposta — A Igreja Católica se utiliza de nossos sentidos — o aroma do incenso, os sons dos sinos e do coro, as imagens da Natividade, da Crucifixão e outras — para nos elevar nos mistérios cíclicos dos tempos litúrgicos. As cores são uma das formas pela qual a Igreja inspira os católicos, pelo sentido da vista, a perceber melhor o sentido espiritual de uma determinada festa religiosa ou de um mistério da fé.
Nisso a Santa Igreja atende a uma apetência natural dos fiéis, já que as pessoas gostam de variedade e também entram em maior sintonia com os sentimentos que a Igreja deseja suscitar nos fiéis com uma celebração em particular. De fato, cada cor tem seu próprio significado simbólico: o negro exprime o luto, o roxo a dor, o dourado a magnificência, e assim por diante.
Em algumas igrejas há também o belo costume de trocar a cortina que cobre o tabernáculo (chamada conopeu) para que seja da mesma cor dos paramentos do celebrante.
As principais cores litúrgicas
De onde a escolha das cores que fazem parte da liturgia desde os primórdios da Igreja não ter sido aleatória ou simplesmente decorativa. À medida em que os fiéis passam pelo ano litúrgico ou honram um santo ou um mistério especial, a cor litúrgica acentua o seu significado. É na-