Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 851 | página 44-45
| AUTODEMOLIÇÃO DA IGREJA |

Apoia o Papa Francisco a sodomia? E a comunhão para políticos pró-aborto?

Luiz Sérgio Solimeo

Segundo o Código de Direito Canônico (cân. 915), deve ser negada a comunhão aos pecadores públicos, como os divorciados recasados ou aqueles que dissentem abertamente do ensino da Igreja, como é o caso dos políticos pró-aborto.

O Papa Francisco usa entrevistas como um novo tipo de magistério papal. Mais especificamente, entrevistas aéreas a jornalistas que o acompanham em suas viagens internacionais.

É um magistério descontraído, igualitário e com tiradas bem- humoradas (foto). O que não é nada engraçado, no entanto, é que o Papa lida com sérios assuntos teológicos, morais, pastorais e disciplinares da Igreja. Frequentemente, suas declarações são contrárias à fé e à moral.

Em 15 de setembro, no avião que o trouxe de volta a Roma depois de sua visita à Hungria e à Eslováquia, o Papa não hesitou em responder às perguntas dos repórteres sobre o Santíssimo Sacramento e a Comunhão aos políticos pró-aborto. Também não perdeu a oportunidade de reiterar seu apoio às uniões civis homossexuais.

Teve também uma referência irônica e pouco caridosa a um cardeal doente com a COVID. Embora ele não tenha mencionado o nome do purpurado (ainda hospitalizado no momento da entrevista), a mídia rapidamente reconheceu que se tratava do Cardeal Raymond Leo Burke.1

Aborto provocado e a Eucaristia

Uma pergunta de Gerard O’Connell, correspondente no Vaticano da revista America Magazine, deu-lhe ensejo para intervir na polêmica americana sobre se os políticos pública e notoriamente pró-aborto podem ou não receber a Sagrada Comunhão.

A resposta do Papa Francisco sobre o mal do aborto foi categórica: “O aborto é um homicídio. O aborto... sem meias palavras: quem faz um aborto, mata”.2 Tal clareza é bem-vinda e merece elogios.

Entretanto, o tom muda e se torna confuso quando ele começa a abordar a questão que mais especialmente interessa aos católicos americanos: um presidente e políticos que favorecem esse homicídio podem receber a Sagrada Comunhão?

Santíssimo Sacramento é a Presença Real, não apenas Espiritual

Vejamos primeiro sua definição ambígua do que seja a Eucaristia; mais precisamente, o que ele considera ser a Sagrada Comunhão: “A comunhão é um dom, um presente… É a presença de Jesus na sua Igreja e na comunidade.” Ele enfatiza: “Esta é a teologia”.3

Está claro, pelo contexto, que o Papa Francisco está falando da Sagrada Comunhão. Entretanto, ele não menciona a hóstia consagrada, isto é, a Presença Real do Salvador, com Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, sob as espécies de pão.

Portanto, parece que, para o Papa, o “dom” ou “presente” que o fiel recebe na Sagrada Comunhão é apenas uma participação na presença espiritual de Cristo em sua Igreja.4

Segundo a doutrina católica, a Comunhão Eucarística é “a participação no banquete sacrificial no qual os fiéis se alimentam do corpo e do sangue de Cristo”5 . Em termos mais simples, é a recepção da Hóstia consagrada, em estado de graça e com as disposições necessárias.6

Teologia sem lógica que leva à “moral de situação”

De sua confusa definição de Sagrada Comunhão, o Papa Francisco conclui que “aqueles que não estão na comunidade não podem receber a Comunhão. E por quê? Porque estão fora da comunidade, ex-comunitate, excomungados (chamam-se…) [...] porque se afastaram devido a qualquer coisa”.7

O Papa Francisco parece insinuar que não podem comungar somente as pessoas que não fazem parte da Igreja, seja porque nunca entraram, seja porque foram excomungadas. Ele omite que, segundo o Código de Direito Canônico (cân. 915), deve ser negada a comunhão aos pecadores públicos, como os divorciados recasados ou aqueles que dissentem abertamente do ensino da Igreja, como é o caso dos políticos pró-aborto.

Que “coisa” faz uma pessoa afastar-se da Igreja visível, estar “excomungada”, senão certos pecados especialmente graves? O Papa Francisco definiu corretamente o aborto como homicídio, que é um pecado gravíssimo. A lógica mandaria, portanto, que o Papa concluísse que um político pró-aborto não pode receber a Sagrada Comunhão.

Mas sua lógica é outra: ele parece ter adotado a teoria de seu conselheiro, o jesuíta Pe. Antonio Spadaro, editor-chefe da Civiltà Cattolica, o qual acredita que, em Teologia, 2+2 pode ser 5!8

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