Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 835 | página 36-37

| CAPA | (continuação)

fundamento, cenários de terror biológico são exemplos assinalados dessa degringolada”.10 Como anunciavam os antigos filmes de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...

Nova normalidade – miserabilista e ecológica

De tudo que acima discutimos se depreende que as medidas de confinamento radical da população, seguidas da atual chantagem que consiste em oferecer uma libertação parcial da “prisão domiciliar”, em troca de um maior controle da vida privada das pessoas, não pode ser entendida apenas como a execução de um plano comum em filmes de science fiction — um punhado de conspiradores à procura de imensos ganhos financeiros ou políticos. Trata-se do resultado de um longo processo psicológico e ideológico, exacerbado a partir do neopaganismo hedonista que se disseminou no Ocidente depois da Segunda Guerra Mundial.

As forças que empreenderam essa evolução não a criaram ex nihilo (do nada), mas dedicaram-se a cavalgar, orientar e dirigir as tendências mais profundas da população — por meio do cinema, da televisão, da arte, da cultura etc. — favorecidas pelas paixões desordenadas e as tentações diabólicas. Já em seu início, o processo revolucionário possuía “as energias necessárias para reduzir a atos todas as suas potencialidades, que conserva bastante vivas em nossos dias para causar, por meio de supremas convulsões, as destruições últimas que são seu termo lógico”.

De acordo com estas perspectivas expostas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, tais destruições atingem os atuais restos de civilidade e ordem, fadados também eles a ser varridos pela “nova normalidade” miserabilista e ecológica. O processo revolucionário assim descrito segue por vezes caminhos bem sinuosos, mas sem deixar de progredir incessantemente para o seu trágico fim, porque é influenciado e condicionado no seu curso, em sentidos diversos, “por fatores extrínsecos de toda ordem — culturais, sociais, econômicos, étnicos, geográficos e outros”.

Conspiração sem “conspiracionismo”

Reafirmamos mais uma vez que a Revolução não é um mero processo político, econômico ou social, ela resulta de uma imensa crise religiosa e moral.

O que importa destacar, para a boa intelecção do tema que nos ocupa — ou seja, como reconhecer a verdadeira conjuração anticristã, distinguindo-a do falso “conspiracionismo” — é o fato de que os agentes da Revolução (a maçonaria e as demais forças secretas) constituem apenas um desses fatores extrínsecos, pois a principal força propulsora são as paixões desordenadas do orgulho e da sensualidade. Reafirmamos mais uma vez que a Revolução não é um mero processo político, econômico ou social, ela resulta de uma imensa crise religiosa e moral. É inegável, contudo, que ela não conseguiria chegar à vitória almejada sem o trabalho metódico desses agentes. Aceitar como provável tal hipótese seria “o mesmo que admitir que centenas de letras atiradas por uma janela poderiam dispor-se espontaneamente no chão, de maneira a formar uma obra qualquer, por exemplo, a ‘Ode a Satã’, de Carducci”. Ainda esta analogia pertence ao fundador da TFP brasileira.

Tão bem fundamentada e equilibrada é esta visão teológica e histórica do papel representado por esses agentes no processo revolucionário, que ela não se coaduna com o rótulo depreciativo de “conspiracionismo”, como também não o aceita. Surge então a pergunta: a quem aproveita a disseminação de várias “teorias de conspiração”, das quais as melhores são simplistas, e as piores são simplesmente ridículas? É fácil perceber que os próprios agentes da Revolução adquirem maior liberdade de ação, caso consigam englobar sob o rótulo “conspiracionista” aqueles que denunciam a existência de uma conjuração anticristã sobre a qual não faltam comprovantes de alta confiabilidade.

Nesta matéria, infelizmente, mais do que em muitas outras, “os filhos deste mundo são mais sagazes do que os filhos da luz” (Lc 16, 8). 

Notas:

1. https://www.vaticannews.va/it/vaticano/news/2020-05/intervista-osservatore-romano-antonio-guterres.html

2. Ed. Civilização, Porto, 2001, p. 95-106.

3. Biografia S.D.B. - B.A.C. - Madri, 1955 - págs. 457/58

4. https://www.pliniocorreadeoliveira.info/OUT_1959_Elcruzadoespanhol.htm

5. http://www.vatican.va/content/pius-xii/it/speeches/1952/documents/hf_p-xii_spe_19521012_uomini-azione-cattolica.html

6. https://iatranshumanisme.com/2017/03/04/francois-hollande-declare-que-la-franc-maconnerie-est-une-boussole-precieuse-face-au-transhumanisme/

7. https://www.lefigaro.fr/vox/societe/luc-ferry-notre-rapport-a-la-mort-a-change-20200506

8. https://www.lefigaro.fr/vox/monde/matthew-crawford-le-precautionnisme-refus-de-tout-risque-de-la-vie-connait-un-moment-de-triomphe-20200526

9. https://www.20minutes.fr/livres/1146107-20130511-20130427-tempetes-microbiennes-essai-politique-securite-sanitaire-monde-transatlantique-patrick-zylberman-chez-gallimard-paris-france

10. https://laviedesidees.fr/Scenarios-de-catastrophes-sanitaires.html

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