| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)
Na edição da Semana Santa de 2019, Catolicismo apresentou trechos do livro Jesus Cristo, Vida, Paixão e Triunfo, do Pe. Augustin Berthe (1830–1907), missionário redentorista francês, professor de retórica e autor de diversos livros.
Nos trechos já transcritos, o autor narrou a pérfida conjuração do Sinédrio (um conciliábulo de vetustos judeus, chefiados pelos sumos sacerdotes Anás e Caifás, que constituía algo análogo a um Supremo Tribunal de Jerusalém) para obter do covarde governador romano Pôncio Pilatos a condenação do maior Inocente de toda a História: Nosso Senhor Jesus Cristo. Para o presente período de Quaresma — iniciado na Quarta-Feira de Cinzas (26 de fevereiro), e que se encerra na Quinta-Feira Santa (9 de abril) — Catolicismo oferece a seus leitores a continuação daquela pungente exposição do Pe. Berthe.
Após a sórdida condenação de Jesus, ele expõe e comenta seu trágico desfecho: a crucifixão da Vítima Inocente, quando toda a natureza se cobriu de intenso luto por esse crime inominável. Em sua narração, o autor peregrina pelo caminho percorrido pelo Divino Salvador, enquanto Ele carrega o pesado madeiro desde o palácio de Pilatos. Quase prostrado pelo peso da cruz, Ele era golpeado e escarnecido pelo populacho açulado pelos chefes do Sinédrio. Nesse caminho de dor, entre as várias cenas pungentes houve a do encontro — o mais sublime encontro da História — de Jesus com sua Santíssima Mãe. Transida de dores, Ela via seu Divino Filho tratado como um criminoso vulgar, padecendo os piores tormentos físicos e indizíveis dores morais, entre as quais a descomunal ingratidão dos homens. O padecimento de Nossa Senhora foi tão grande, que a Igreja a considerada Corredentora, uma vez que cooperou com Jesus Cristo na Redenção do gênero humano.
Por fim, com sua grandeza solar, mas todo dilacerado, o Rei dos reis e Senhor dos senhores chega ao alto do Calvário, onde foi cravado numa Cruz entre dois vulgares ladrões. A partir de então a Cruz, que era símbolo de infâmia, foi transformada por Ele em símbolo de glória. A tal ponto que hoje, no alto das igrejas e das coroas reais, resplandece gloriosamente a Santa Cruz.
Da Redação de Catolicismo
Encontro de Jesus com Sua Mãe – Josef Janssens (1903). Catedral de Nossa Senhora, Amberes, Bélgica.
Jesus, desfalecendo com o peso da cruz, caiu prostrado no caminho. Pararam um momento para O levantar, o que deu azo aos verdugos para de novo O maltratarem; e aos fariseus, para atirar sarcasmos àquele singular taumaturgo. Acusavam-no de fazer andar os paralíticos, mas não conseguia manter-se em pé.
Com a ajuda dos soldados, retomou Jesus a sua cruz e prosseguiu o caminho. Mal tinham dado cinquenta passos naquela grande rua de Efraim, quando um dos mais pungentes espetáculos veio comover os corações ainda abertos à compaixão. Uma Senhora, a Mãe de Jesus, rodeada de algumas pessoas amigas, esperava-O à passagem. Quis Maria vê-lo pela última vez e dizer-Lhe um supremo adeus. Passara Ela a noite e a manhã em mortais angústias. A cada momento, João, o discípulo fiel, deixava a turba para ir informar a pobre Mãe acerca das cenas que de hora em hora se iam sucedendo: o julgamento do Sinédrio, os interrogatórios de Pilatos e Herodes, e por fim a condenação à morte. Acudiu logo Ela à praça do pretório, acompanhada de Maria Madalena e outras santas mulheres. Ouviu os gritos de ódio, viu Pilatos na varanda, quando apresentava ao povo o seu Filho todo ensanguentado e coroado de espinhos.
O mais sublime dos encontros
Com o coração esmagado e os olhos transformados em duas fontes de lágrimas, tomou Ela a heroica resolução de acompanhar Jesus ao Gólgota e padecer com Ele o horrível martírio. Quando o cortejo se pôs em movimento, seguiu Maria por uma rua paralela e foi esperar seu Filho na rua de Efraim.
O encontro foi para Ela um momento de agonia. Depois de ter visto passar os soldados e os auxiliares dos verdugos com os pregos e tenazes, viu Ela Jesus levando a sua cruz entre os dois ladrões. Ao contemplar aquele rosto lívido, aqueles olhos injetados de sangue, aqueles lábios pálidos e ressequidos, o primeiro movimento da pobre Mãe foi precipitar-se para o seu Filho, com os braços estendidos para diante. Mas os verdugos repeliram-na com violência. Parou Jesus por um momento. Os seus olhos encontraram-se com os de Maria, e com um olhar cheio de ternura Ele a fez compreender que sabia o que se passava no seu coração, e quanto se compadecia do seu sofrimento. Sufocada pela emoção, sentiu-se Maria desfalecer e caiu nos braços das santas mulheres que a acompanhavam.1 Fecharam-se os seus olhos, mas pôde ouvir os insultos que se dirigiam ao Filho e à Mãe. E logo o povo, que passava em vagas densas com os seus clamores, foi pôr termo àquela cena lancinante.
Jesus prostrado é auxiliado pelo Cireneu
Vinte passos mais adiante, deixaram a rua de Efraim para tomar a que ia até o Gólgota. Mal tinha Jesus dado alguns