CRISTANDADE: SOLUÇÃO PARA O VAZIO DA NOSSA SOCIEDADE NIILISTA
John Horvat II
Transcrevemos a seguir a tradução de um oportuno artigo do jornalista John Horvat II (vice-presidente da TFP dos Estados Unidos), publicado no site canadense LifeSiteNews, em 27 de janeiro de 2020. Embora tenha sido redigido especificamente para o público norte-americano, é inegável sua importância para os brasileiros.
Os leitores de Catolicismo conhecem bem a importância que a noção de Cristandade ocupava no pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira. Assim ele designava o conjunto de povos e nações que na Idade Média, sob o bafejo da Santa Igreja, constituíram uma verdadeira família. Sem perder as características próprias, sem prejuízo das autonomias e franquias de que eram ciosos, os integrantes da Cristandade estavam irmanados na mesma Fé, e deram origem à verdadeira Civilização Cristã. Compreendiam que esta Terra é um vale de lágrimas, e não caíam no erro utópico de pretender fazer dela um paraíso; mas tinham como ideal torná-la, em toda a medida do possível, uma verdadeira imagem do Paraíso celeste. O que os inspirava eram as palavras do Padre Nosso: “Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu”.
O ideal da Cristandade — assunto que o insigne jornalista aborda com segurança — é confrontado com o mundo atual, cada vez mais sem rumos nem esperanças terrenas. E a solução para esse vazio consiste em inspirar-se nesse ideal para cumprir a vontade de Deus.
Da Redação de Catolicismo
O retorno da sociedade à Cristandade é o melhor meio para se impedir a prática do aborto e o reino do terrorismo LGBT
Graves problemas morais estão destruindo o nosso país. Para muitos, isso se patenteia na forma de lares desfeitos, abortos provocados, comunidades destruídas e perda da fé. Acerta-se ao apontar os problemas, mas erra-se ao procurar as soluções para eles. Alguns os entendem erroneamente, porque procuram soluções para suas consequências sem visar as suas causas. Outros buscam uma saída envolvendo o mínimo de esforço possível. Nestes tempos “politicamente corretos”, as pessoas são induzidas a não ofender ninguém por suas propostas. Com isso se exclui automaticamente a única solução real para os problemas atuais, que é o retorno à Cristandade. Estão dispostas a considerar qualquer outra solução — por mais absurda ou improvável que ela seja — desde que não seja o retorno à Cristandade.
Cristandade! Pode parecer chocante esta ideia, que agora julgamos muito antiquada, pois vivemos numa “era pós-cristã”. No entanto, a gravidade dos problemas de nossos tempos exige a consideração do assunto. Precisamos urgentemente de uma Civilização Cristã, se quisermos superar a atual crise. Essa é uma proposta que deve, pelo menos, ser tomada em consideração.
Uma proposta rejeitada
Como os nossos problemas são morais, as nossas soluções também devem ser morais. O rico tesouro do pensamento ocidental e o ensinamento tradicional da Igreja provam que a Lei Natural e a moralidade cristã são as normas mais adequadas à nossa natureza humana e social. Nossa maior felicidade pode ser encontrada dentro de instituições e estruturas sociais que nos conduzam ao fim para o qual somos criados, ou seja, para Deus. Assim, devemos naturalmente tender para a Cristandade.
Todos, cristãos e não cristãos, encontram as melhores condições para prosperar dentro de uma família de nações que, dentro deste vale de lágrimas, facilite a virtude e promova a harmonia social. Mas quase todos evitam essa conclusão. De há muito somos condicionados a rejeitar essa linha de pensamento. Anything but Christendom – ABC (qualquer coisa, menos Cristandade). Essa estranha “Síndrome do ABC” se aplica de maneira curiosa, no campo político, à esquerda, à direita e ao centro. Abrange nosso país tanto no campo secular quanto no religioso. Uma tirania rígida impede qualquer um de pensar fora do espectro materialista.
A “Síndrome do ABC” e o espectro político
Cada setor político tem suas alegações para negar a Cristandade. Para os liberais radicais, a Síndrome do ABC faz sentido, pois se ressentem de quaisquer limites morais a seus atos e não se importam com suas consequências prejudiciais. O prazer individual reina acima de tudo, independentemente da autodestruição ou da morte dos bebês. Assim, um código moral cristão representaria uma restrição insuportável aos seus desejos de fazer, pensar e ser o que bem entendem. Sua variante da Síndrome do ABC consiste em permitir tudo, menos a Cristandade. Por exemplo, use-se qualquer letra do alfabeto LGBTQ +, mas nunca se use C para a Cristandade.
Os da direita têm uma abordagem diferente. Encontramos cristãos que realmente desejam um código moral baseado nos Dez Mandamentos, mas não ousam propor a Moral cristã, porque as pessoas e a mídia que se opõem a esses princípios dão a impressão de constituir a esmagadora maioria. Assim sendo, segundo eles, não há possibilidade de a Moral cristã triunfar, por isso se conformam com a ideia de que a sociedade se deve reger pelo princípio “qualquer coisa, menos Cristandade”. Esses cristãos giram em torno de todas as questões relacionadas com a Cristandade, mas ninguém ousa mencionar a palavra.
E há os radicais moderados, que desejam passar por não radicais. Em seu radicalismo, esses extremistas da moderação eliminam todas as referências morais do debate. Preferem ajustar o status quo, esperando evitar completamente a questão da Cristandade. À medida que a sociedade desmorona, esse esforço se torna ilusório e ineficaz.
Três falácias principais são instrumentalizadas para justificar a Síndrome do ABC.
Impondo a vontade cristã a outros
A primeira falácia é a crença equivocada de que propor a ideia de Cristandade equivaleria a querer impor a fé aos não crentes. Os liberais pensam que estabelecer