Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 831 | página 24-25

| CRISTANDADE | (continuação)

limites morais significa impor o Cristianismo aos outros. No entanto, os mesmos liberais não têm nenhum escrúpulo em impor sua vontade anticristã aos cristãos; por exemplo, em festas cristãs como o Natal. Também não têm escrúpulos em meter goela abaixo da sociedade o mundo de perversões divulgadas na Drag Queen Story Hour, apesar dos protestos de pais preocupados.

Por sua própria natureza, a fé não pode ser imposta, pois é um obséquio de Deus. Assim sendo, os cristãos nem sequer conseguem impor sua fé àqueles que não creem. No entanto, eles podem e devem promulgar leis razoáveis baseadas na Lei Natural, a qual exige restrições morais para formar uma sociedade justa e harmoniosa. Desde Aristóteles, os moralistas ensinaram que essa Lei Natural é válida para todos os tempos, lugares e povos. Ao defender tais limites morais na lei, os cristãos simplesmente obedecem à natureza de toda lei, restringindo em prol do bem comum superior aquilo que aos indivíduos é permitido fazer.

Ao propor a Cristandade, não estamos impondo, mas sim retornando a uma ordem que se ajusta à nossa natureza humana, e que favorece nosso desenvolvimento e santificação. Pelo contrário, quando a esquerda aplica sua agenda de “qualquer coisa, menos Cristandade”, impõe à sociedade um sistema destrutivo que a arruína.

Desesperadamente desatualizado

A segunda falácia é a de que o estado atual da sociedade está tão distante da Cristandade, que se torna impraticável propô-la. De acordo com esta afirmação falsa, a agenda cristã está irremediavelmente desatualizada para os tempos pós-modernos.

Ora, o fato concreto é que não há nada mais desatualizado do que a agenda anticristã de hoje. Como o pensador católico Plinio Corrêa de Oliveira assinala a título de exemplo, não há novidade no divórcio, no aborto provocado, na nudez e na depravação moral. A maioria das propostas “modernas” não passa de vícios pagãos reciclados da Antiguidade. Além disso, nada mais estranho à nossa herança cristã americana do que o surgimento abrupto do transgenerismo, ou a corrente dos movimentos satânicos.

De fato, a maioria dos americanos se identifica com um retorno às nossas raízes cristãs, e têm problemas para se adaptar aos mais recentes barbarismos propostos por uma cultura neopagã. O debate não deve centrar-se na idade das ideias propostas, mas em seus méritos. É tola e errada a exclusão automática de ideias, quando alguns afirmam que estão desatualizadas. A única coisa que importa é se elas são verdadeiras ou falsas.

Longo período para mudar

Há ainda a falácia de que é impossível mudar a sociedade rapidamente, sobretudo quando a maioria das pessoas parece inscrever-se no oposto de uma civilização cristã. Para os que sustentam esta afirmação errônea, uma restauração cristã seria um esforço fútil, na melhor das hipóteses.

Novamente, esse argumento contorna o mérito das ideias, concentrando-se na praticidade de implementá-las. Porém, como as últimas eleições o provaram, os eleitores mudam de posição quando estão convencidos da necessidade de mudar. E esta falácia é tão falsa quanto as duas anteriores. Por exemplo, ideias simpáticas como a do home schooling (ensino domiciliar) mudaram drasticamente indivíduos e famílias em pouco tempo.

Também as sociedades podem mudar rápida e radicalmente. Considere-se a revolução sexual. Na década de 1960, mudaram-se radicalmente os costumes, as modas e as maneiras de toda uma geração. A maioria das pessoas nos anos 50 não era hippie, mas muitas adotaram costumes hippies nos anos 70, quando eles se divulgaram.

A história da Igreja está cheia de exemplos de povos inteiros, esmagados pelo paganismo, que rapidamente se converteram à fé católica pelos esforços dos homens e pela ação da graça. Esses povos mudaram suas vidas em bloco, adotando maneiras cristãs em pouco tempo.

As pessoas mudam seu modo de ser quando os tempos são vazios e as ideias estão esgotadas. De fato, é em tempos como o nosso que os grandes ideais, como o da Cristandade, têm maior atração.

Onde Cristo é Rei

Assim, é chegado o momento de debater a Cristandade. Isso deve ser feito de forma aberta, sem subterfúgios e com entusiasmo. Muitos hoje em dia nem sabem o que é a Cristandade. De fato, a Síndrome do ABC representa velhos preconceitos liberais que distorcem a verdadeira natureza de uma sociedade cristã. Durante muito tempo a nossa sociedade superficial e materialista suprimiu as noções de admiração, sublimidade, sacralidade, que correspondem aos desejos mais profundos da alma humana. No debate sobre a Cristandade, toca-se em algo muito profundo: o vazio de nossa sociedade niilista, que não encontra sentido ou propósito na vida.

Acima de tudo, a negação da proposta de Cristandade é algo fatal, pois significa a opção por prosseguir na descida para uma anti-cristandade de anarquia e descontrole. Esse anti-regime já é visado nos desígnios sombrios da Antifa [conglomerado norte-americano de associações radicais de esquerda “antifascista”], de anarquistas e de movimentos satânicos que exigem um mundo sem moralidade. Eles defendem a destruição de nossa nação e a perseguição daqueles que mantêm a fé.

Esses são temas que precisam ser discutidos. Não devemos ter medo de proclamar nosso desejo de ver Jesus Cristo como Rei. Inúmeros Papas descreveram a sociedade cristã como sendo aquela que afirma o reinado social de Cristo. Em sua encíclica Quas Primas, Pio XI afirma: “Uma vez que os homens reconheçam, tanto na vida privada quanto na pública, que Cristo é o rei, a sociedade finalmente receberá grandes bênçãos da verdadeira liberdade, disciplina ordenada, paz e harmonia”.

Somente numa Cristandade poderemos ter uma sociedade verdadeiramente justa para todos. 

Católicos protestam contra a tendência de Drag Queens lerem histórias para crianças em livrarias de várias cidades dos Estados Unidos, as chamadas Drag Queen Story Hour.

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